Capítulo 7

2485 Palavras
Samuel narrando.. Deixei a casa da Marina com uma satisfação imensa, não é nenhuma novidade que aquelas pessoas são extremamente especiais para mim, e de alguma forma me senti como se estivesse na minha segunda casa. Depois de fazer uma oração, me despedi de ambas, e não esqueci de alertar a Tia vera para não permitir que sua filha teimosa saia sozinha a noite. Mesmo que esteja nesse exato momento, encostada na porta me atirando flechas pontiagudas pelos olhos. __Eu cansei de avisar essa menina Samuel. Mas ela não me escuta! agora você viu Marina? Se não fosse por esse rapaz, nem quero pensar no que poderia ter te acontecido. - Ela abaixou os olhos envergonhada. __A senhora tem razão. Por mais que odeie ficar sem ir na praia durante a noite, vou parar de frequentar. - Ergueu os olhos me fitando. __Obrigada Samuel. - Assenti educado. __É o melhor Marina. - Cruzei os braços. __ Me desculpe por não ter levado você em casa, deveria ter me esperado na sala e não ter saído daquela forma. - Dessa vez foi o Alex a se pronunciar. Marina juntou os olhos e lançou um olhar de relance para mim. __Eu não sai porque quis, mas isso não vem ao caso agora. ___Bom, de qualquer forma obrigado pelo jantar, os pasteis estavam deliciosos. - Sorri de canto. __Que bom querido. Volte mais vezes, e saiba que a casa sempre estará aberta para vocês. - Marina fez uma careta. __Se convidar venho mesmo. Ri entusiasmado __Sei o quanto minha presença agrada a todos, não é mesmo Marina? ___ Ooh! seja bem-vindo. - Sorri forçado. Ocultei um sorriso. Joguei a chave para meu irmão, que agarrou de um jeito desajeitado, e entrei no carro. Também, foi bom passar um tempo com Alex, desde pequenos sinto falta dos nossos momentos juntos, sempre fui muito familiarizado com esse tipo de ambiente e me sinto confortável ao perceber que as coisas não mudaram entre nós, apesar da distancia. __ Admita, você gosta de irritar a Marina não gosta? - quebrou o silêncio. Não pude evitar de sorrir. __ Quando criança tinha muito ciúmes de você com a Marina. Comentei, e vejo me olhar curioso. __ Qual é?! vocês viviam grudados, por isso implicava tanto com ela. Mas confesso que saber que ainda existe vestígios que não superou nossas diferenças do passado, me dá uma vontade quase insuportável de importuna-la. ___ Não a provoque muito, Marina é muito sensível, mas é um furacão em pessoa, ela pode explodir a qualquer momento. __Estaria ansioso para ver isso. Mas relaxa, tenho outras coisas importantes para fazer, agora irmão! falando algo sério de homem para homem. - Apoiei a mão no seu banco do carro olhando na sua direção. __ O que? - Pela primeira vez percebi o corpo do meu irmão mais novo ficar tenso. __Marina está loucamente apaixonada por você. - informei sério e sorrio parecendo aliviado. __O que? da onde tirou isso? - me Olhou de solai-o tentando focar na estrada. __Como esperava, você não percebeu não é mesmo Alex ? Suspiro deitando no banco do carro. __Irmão, infelizmente tenho uma certa experiencia com as mulheres. Sou muito ciente dos seus comportamentos, e embora confesso, que Marina seja diferente de todas as mulheres que já conheci, ela não é diferente nesse requisito. Seus olhos brilham quando olha para você, ela sorri feito uma criança abobalhada por qualquer atitude sua, aliás, por ser tão ingênua, deixa transparecer ainda mais esse tipo de sentimento. __Impressão sua, Marina e eu somos como irmãos e se ela sentisse algo por mim eu perceberia. __Não se você não sente o mesmo por ela, ou melhor, se sua cabeça está ocupada demais pensando em outras coisas. ___Talvez tenha razão. __O importante é que já te alertei, se realmente não sente nada por ela. Não seja tão carinhoso, isso pode confundi-la. - Coloco a mão sobre seu ombro. __ Marina é tão frágil, não consigo não protege-la. __ Apenas se segure um pouco. Marina pode ser frágil como uma flor, mas também é forte e independente. __Certo. ??????????????? Cheguei em casa acompanhado do Alex, me joguei no sofá cansado e fui recepcionado pela Fernanda com beijos e abraços. Meu irmão lançou um olhar desconfortável subindo para o quarto, e sabia que existia algo o inquietando, ele é a pessoa mais pacífica que conheço, por isso, nem que seja sutilmente consigo captar quando algo o deixava perturbado. __ Porque chegou tão tarde? Soube que ligou para o segurança para buscar o faísca, aonde foi com seu irmão? __ Na casa da Marina. - Sorri ficando de frente para ela segurando sua mão. __Amor, você não vai acreditar! lembra que eu te contei da garota que eu pegava no pé porque tinha ciúmes do Alex? Então, é a Marina, a mesma que ocasionou o acidente com sua aliança, e hoje ela quase se meteu em perigo e se não fosse por mim. __ Chega Samuel! Marina daqui, Marina de lá, já não basta seu irmão me dar uma bronca por causa dessa mulherzinha, agora você também com essa cara de paspalho. - Se levantou irritada. __ Graças a essa adorável mulher quase perdi nossa aliança de noivado. Você estava aborrecido comigo e olha agora? nem percebeu que já estou usando. - Levanta a mão mostrando. __Desculpa, estou feliz que tenha recuperado. Espera, porque vocês discutiram? __Jura? Vamos continuar mesmo falando dessa garota? Colocou as mãos na cintura. __Não! - Me levanto e puxo sua cintura a envolvendo nos braços. __ Eu te amo, sabe disso não sabe? Não tenho olhos para outra mulher que não seja você. - Acaricio seus cabelos e suspira. __ As vezes não acho que mereço um homem como você Samuel. - Se afasta segurando meu rosto me olhando nos olhos. __ Tenho medo de te perder. - Me encarou profundamente. __Você não vai me perder. Disse assertivo e sorrio de lado. __É o que espero. - Me abraçou novamente. (...) __Fernanda não! - Disse apontando para ela descendo do outro lado da cama. __Amor, para com isso vai? Vamos nos casar em poucas semanas. Qual é a diferença? - Cruza os braços emburrada. __A diferença está que se fazermos essas coisas antes do casamento é pecado. Lembra que disse que queria valorizar você como mulher. Principalmente por ser a mulher que eu amo. __Já me sinto bastante valorizada. Agora me beija! - Envolveu os braços ao redor do meu pescoço colando nossos lábios e a beijo ternamente, cortando logo em seguida. __Não seja assim, aguentamos tanto tempo, o que é algumas semanas? -Seguro seu queixo e rola os olhos. __Está bem! Vou fazer o que é certo dessa vez, só porque te amo. - Alisa minha barba com as pontas das unhas. E deposito um selinho em seus lábios. Depois de algumas tentativas frustradas da minha noiva de tentar me persuadir, ela finalmente acabou dormindo, a cobri cuidadosamente e fui dormir no sofá da sala, só para o caso dela pensar em mudar de ideia e tentar me seduzir a noite.  Meus olhos abriram em instantes, os semicerrei incomodado com a fresta de luz solar fortíssima que vinha da janela da sala. O aroma adocicado de chá entrou pelas minhas narinas causando um desconforto em meu estomago. Fernanda como sempre fazendo esses chás terríveis! Forcei a me sentar sentindo um incômodo na lombar por dormir em um lugar tão minúsculo para meu tamanho. Me estiquei estralando os braços e minhas costas, e escutei o que parecia ser uma discussão vindo da cozinha. As vozes reconhecíveis atiçaram meus extintos, levatei-me cautelosamente colocando o chinelo e fui em direção a cozinha, fiquei parado perto da porta tentando captar o que falavam. __Eu não vou mais compactuar com isso Fernanda! Já te dei tempo o suficiente para contar a verdade ao meu irmão, não vou tolerar chantagens de ninguém e muito menos me sucumbir a esse tipo de atitude. -Alex parecia atordoado. __Alex por favor! Por mim, eu juro que vou contar a verdade ao seu irmão, eu só preciso de mais tempo. Não quero perde-lo, você o conhece e sabe que vai me odiar quando souber que o trai dias antes dele me pedir em casamento. - Cambalêei para trás passando a mão no cabelo chocado. __Sinto muito, mas eu cansei de esperar. Estou sendo ameaçado, não me alegra nenhum pouco ter que ver meu irmão sofrer, mas se você não contar hoje, eu mesmo contarei. - Respirei fundo me recuperando do choque e empurrei a porta entrando. __Não é necessário Alex. Eu já ouvi tudo. Fernanda empalideceu instantaneamente se escorando no balcão, Alex me lançou um olhar vacilante. __Samuel, me desculpe. - Veio até a mim arrependido. __Me deixe a sós com a minha noiva, depois conversamos. - Lancei um olhar absoluto na sua direção. __Como quiser. ___ Sam! O que você ouviu, eu posso explicar.- Caminhou correndo se esbugalhando em lagrimas, e me abraçou fortemente. - Soltei uma respiração pesada e meus olhos arderam, parecia mentira que isso realmente estava acontecendo, a afastei a olhando vacilante. __ Por que fez isso? Minha voz saiu embargada. - Engoliu seco. ___ Você estava muito ocupado nas suas viagens altruístas fazendo suas caridades, a gente não estava tendo nossos momentos juntos como antigamente, você parecia misterioso e distante, e na noite que minha melhor amiga fez a despedida de solteiro dela, eu não queria ir porque queria ficar a sós com você. Mas, como disse que estava cansado e para ir me divertir, eu fiquei muito triste, me sentia sozinha e queria me casar, embora você falasse em casamento, nunca tinha tomado atitude de fato. Minhas amigas falaram que você era mulherengo e que não firmaria um compromisso comigo e que só estava me enrolando. Então, um dos irmãos dela me chamou para dançar, bebemos muito e acabei cedendo. Se pudesse voltar atrás Sam, eu juro Samuel! que não tinha feito isso, eu sou tão estupida - Tampou o rosto soluçando. ___ É... você foi precipitada. Eu disse que não poderia dar a atenção que queria naquela viagem, mas que depois iria te recompensar, por isso te pedi em casamento logo em seguida. Por que então moraria comigo e viajaria comigo e teríamos todo tempo juntos. __Eu sei, eu sou muito tola! __ Foi a única vez? - Desvio o olhar com o nó na garganta não conseguindo prosseguir. __Sim. - Murmurou. __Eu te perdoou. - Falei firme e tirou a mão do rosto me olhando incrédula. __ O que disse? __O que ouviu, não posso mentir Fernanda, eu sei que tenho uma parcela de culpa por essa traição, se não tivesse a deixado insegura. Apenas quero que saiba que não podemos nos casar imediatamente, talvez daqui alguns meses, ou mais. Não posso ter certeza se essa situação vai se repetir no futuro. Você precisa acreditar em mim, e no meu amor, e eu... bom, tenho que tentar confiar em você novamente. __ Eu te traio com outro homem antes de você me pedir em casamento, e tudo que vai me dizer é que me perdoa e vamos adiar o casamento? - Enruguei a testa. __ Sim, o que quer que faça? Que termine tudo entre a gente agora? tudo bem a escolha é sua. Você ainda me ama, não ama? Ou sente algo por esse sujeito? - Gesticúlo com a mão. __Não, é claro que não sinto. Mas... ri nervosa e começa a andar de um lado para o outro. __Como pode ser tão insensivel? Porque não me xinga e não briga comigo? Porque não demonstra ciúmes ou revolta? Você realmente me ama Samuel? Porque não parece. - Vou para perto dela e seguro seu braço a parando. ___Você acha que minha vontade não é fazer isso? Acha que não tenho ciúmes de você? Só que do que adiantaria fazer uma cena agora? O erro já está feito Fernanda, tudo que temos que fazer é tentar conserta-lo. __Não desse jeito! - se desvencilha.__Eu te conheço, você só está ganhando tempo. __Isso é culpa sua, exatamente por ser desse jeito, tão racional que me sinto insegura, porque tem que ser tão certinho? Como pode ser tão frio? Não me deseja como mulher? __Fernanda! ___Sabe de uma coisa Samuel? Eu amo você, mas não me sinto uma mulher de verdade ao seu lado. Aquele cara, ele sim fez com que me sentisse desejada. Eu odeio admitir isso, mas preferia sua versão de antes, eu tentei mudar por você e ir na igreja, mas essa coisa toda de santidade não é para mim. Eu sou jovem, linda, tenho que aproveitar a vida e queria que o homem que amasse a aproveitasse comigo. Então, se realmente me ama. Vai ter que escolher ou essa vida sem graça ou eu. Crispei os olhos negando com a cabeça, não sei quem é essa mulher na minha frente, mas com certeza não é a Fernanda pela qual me apaixonei. __Como que é? Está pedindo para escolher entre você e Deus? __Pense o que quiser, para mim acreditar em Deus já basta. Não precisa de tudo isso. - Encolheu os ombros. __ Jesus também não precisava fazer tudo o que fez por nós, mas ele deu seu filho por mim, para nós dois estarmos aqui, então tudo isso é pouco para merecer tamanho amor. __Samuel ... Me entenda. - Me olhou melancólica. __Não Fernanda! me entenda você. Se te conheci depois do acidente foi por que ele me salvou. E se você prefere a mim como era antes, então arrume uma maquina do tempo e volte para o passado. __Não seja grosso. __ Você quer que eu escolha entre Ele e você? Pois bem! Tirei a aliança do dedo e peguei seu pulso colocando na sua mão. __Está bom essa resposta para você? Parece que finalmente teve a reação que esperava de mim. Satisfeita?! Levantei as mãos__ Passar bem. - A olhei de forma rude e virei as costas a deixando na cozinha. Não sem antes a escutar gritar enfurecida, derrubando algo no chão. Passei no corredor com as mãos no cabelo, e as lagrimas brotando nos meus olhos e embaçando minha visão, esfreguei o rosto limpando, nunca foi tão difícil tomar uma decisão, como também o senhor disse que não seria fácil ser cristão, mas que sua vontade seja feita senhor, porque se a Fernanda não é a mulher certa para mim, então a tire o quanto antes do meu coração. Passei pela sala saindo para fora. ___ Samuel, você está bem irmão? - Alex me brecou no caminho me olhando preocupado. __Quer um conselho Alex? não se apaixone nunca, é roubada! Agora me deixa ir que preciso colocar minha cabeça no lugar. - Dou um passo e me para novamente. __Me promete que vai ficar bem. __Eu vou ficar bem. - Assente com um sorriso fraco me dando passagem. "Só não sei quando. "
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