Capítulo 25

1631 Palavras

Rosa narrando O ventilador fazia aquele barulho velho de sempre, rodando preguiçoso, empurrando o ar quente da sala. A novela passava na televisão, mas eu nem tava vendo. Tava com a cabeça em outro lugar, o coração num buraco que não se fechava nunca. Desde que meu filho foi preso, o silêncio da casa ficou pesado. O prato dele ainda tá no armário, o copo favorito ainda tá na pia. Às vezes, sem querer, eu faço café e boto três xícaras na mesa a minha, a dele e a das meninas. Aí lembro, e o peito aperta. Tentei não chorar mais. Disse pra Beatriz que ia ser forte, que ia confiar em Deus. Mas ser mãe é carregar o mundo nas costas fingindo que tá leve. E naquela noite, quando o telefone começou a vibrar em cima da mesinha, eu gelei. O número era estranho, diferente. Meu coração foi parar

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