41 — Tainá Nrrando Os dias em Nova York foram se transformando em semanas, e a rotina pesada de cleaner — como elas chamam quem trabalha limpando casas por aqui — se tornou minha nova realidade. A Mari já fazia isso há tempo, e eu, mesmo com o corpo doendo e as mãos calejadas de produtos de limpeza, insisti para ir com ela. Eu precisava de movimento. Precisava de dinheiro próprio para não ser um fardo e, acima de tudo, precisava que a minha cabeça parasse de pensar no Brasil. Lá, eu era a suspeita de um crime bárbaro. Aqui, eu era apenas a "moça da limpeza" que ninguém notava. E esse anonimato era o meu único luxo. Estávamos no intervalo de uma faxina pesada em um apartamento no Brooklyn, junto com a Sol, uma outra brasileira que trabalhava com a gente, quando o assunto surgiu. A Sol n

