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40 -- Tainá Narrando O vapor do banheiro parecia ser a única coisa capaz de me trazer de volta para o meu próprio corpo. Deixei a água pelando cair sobre a minha nuca até minha pele ficar vermelha, tentando, em vão, lavar não só o cansaço da viagem, mas a sensação de sujeira que aqueles olhares e acusações tinham deixado em mim. Saí do banho e vesti um moletom enorme que a Mari me emprestou. Era macio, quentinho, e tinha aquele cheiro de amaciante que me fez querer encolher e desaparecer dentro do tecido. Quando voltei para a sala, ela tinha preparado um chá e me esperava com uma manta no sofá. O silêncio do apartamento era reconfortante, mas eu sabia que ele estava prestes a acabar. Eu me sentei, segurando a caneca quente com as duas mãos para esconder o quanto elas ainda tremiam. Mar

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