2. Proposta indecente

1115 Palavras
Dei um pulo na cama, aquilo só podia ser uma mentira de primeiro de abril, encaro o calendário e vejo que não era mentira alguma, não era primeiro de abril, era dez de maio de 2023. Eu sei que o acidente não havia acontecido comigo mas parecia que era eu, comecei a sentir coisas estranhas por todo meu corpo, eu não sei se conseguia chorar, aquelas merdas de antidepressivo que estava tomando parecia que tirava meus sentimentos, porém ao invés de chorar eu comecei a suar frio e sentir uma intensa dor de barriga. -Por favor intestino e estômago, colabore comigo.-Revirei meus olhos enquanto vestia um moletom e uma calça leg, não sabia quanto tempo ia ficar naquele lugar, só sabia que tinha que ser confortável. Coloquei meu tênis da Nike que havia comprado com o dinheiro do trabalho que ontem resolveu que não precisava de mim. Chamei um carro por aplicativo e fui atrás da minha mãe, ou do que sobrou dela. Ao entrar no carro de aplicativo uma ligação estranha, eu não conhecia aquele número, então simplesmente atendi. -Oi. -Quem é? -Desculpa, mas é você que está ligando, então é você que tem que falar quem é. Minha voz estava quase embargada de tanto medo, será que eu perdi minha mãe? -Oi, eu vi o acidente da sua mãe ..... só quis te ligar de novo pois quero notícias dela. -O que houve? -Perguntei com a voz trêmula.-Como foi isso? ela bateu a cabeça moça? - Eu vi que o corpo dela foi jogado longe.... o rosto dela ficou todo machucado......desculpa mas eu acho..... A ligação caiu, eu nunca fiquei tão feliz por uma ligação ter caído, eu não queria ouvir aquilo que todos imaginaram, hoje não podia ser o dia de mais percas, ela era forte. -Ela é forte.-Corrigi meus pensamentos obscuros, eu estava pensando no pior, o pior não pode ter acontecido. Pessoas falam que costumam a sentir quando algo de r**m acontece, e eu não senti nada, eu simplesmente nem acordei para poder impedir ela de ter saído de casa aquele horário. Parecia que cada vez que o carro se aproximava do hospital, bom, parecia que eu ficava distante da minha mãe. -Chegamos. O motorista parou na entrada de emergência do hospital, eu sai daquele carro o canto antes, ao adentrar no hospital fui em direção da recepção de internação/visita. -Oi, bom dia. Eu vim ver minha mãe, ela sofreu um acidente.... -Nome dela? -Andrena. -Sobrenome ? -Sério isso? mais Andrenas foram atropelada hoje pela manhã as 05h55?-Minha voz estava completamente embargada. E por incrível que pareça aquela recepcionista que não estava fazendo nada além do seu trabalho localizou minha mãe, me deu as orientações de como eu fazia para chegar na sala de trauma. Dando passos lentos eu me dirigia pelas cores no chão, ela falou que o chão da sala do trauma era preto, aquilo fazia com que minha ansiedade atacasse, não tinha cor melhor não? respirei fundo quando cheguei no local onde ficava os traumas. Quando avistei um enfermeiro fui perguntar da minha mãe para ele. -Ela está bem, orientada, respondendo a todos os comandos, porém precisa realizar alguns exames. -Eu consigo ver ela? -Agora não. Fui para a sala de espera, andava de um lado para o outro, eu só queria ver ela, seria pedir muito ? Abaixei minha cabeça e um turbilhões de sentimentos se passava pelo meu corpo, não sequer havia notado que eu havia adormecido. -Parente da Andrena? -Oi.-Dei um pulo na cadeira onde estava sentada. -Pode ir vê ela. Levantei da onde estava sentada e segui aquele enfermeiro. Quando eu entrei no quarto fiquei estática, minha mãe estava perfeita, ralado ? acho que a mulher se enganou, ela estava mais radiante do que nunca. -Você é o que dá Andrena? Quando aquela médica falou comigo eu voltei para a realidade, como nossa imaginação pode ser tão traiçoeira? quem ela estava querendo enganar, minha mãe estava com o rosto todo inchado, um tanto irreconhecível e ela não estava da forma que minha mente havia imaginado, ela estava m*l sobre uma cama hospitalar. -Filha! -Bom, ela já está de alta. Optamos por fazer o tratamento conservador, não precisa de cirurgia, se ela ficar deitada na cama com todas recomendações médicas, bom, até o Natal ela estará dançado de muleta e tudo. A doutora me entregou todos os papéis com receituário e exames que minha mãe havia realizado. O enfermeiro terminou de me passar todas as orientações, ela havia fraturado a bacia e não conseguia sequer ficar sentado, ela para fazer tudo conforme a dor. -Eu estou tão aliviada que a senhora está aqui comigo.-Sussurrei chegando perto dela. -Eu estava fazendo tudo certo, eu estava atravessando na faixa. -Bom, eu vou ir atrás de uma ambulância, a gente vai voltar pra casa graças a Deus. Graças a Deus não demorou para ei resolver a questão da ambulância, só havia um único problema, a casa da minha mãe tinha uma escadaria enorme e estreita, não tinha condições de levar ela completamente imóvel e com a devida segurança, eu só queria chorar, onde eu ia arrumar lugar para ela ficar? eu morava com meu pai e eles são divorciado há um bom tempo, seria muito esquisito colocar ela ali, no mesmo ambiente que ele, se bem que ele não se importaria mas seria estranho. Até que o motorista daquela ambulância abriu a boca pela primeira vez. -Tem uma casa em um lugar que eu conheço que seria perfeita....A pessoa que está alugando a casa, nem sequer está cobrando aluguel, bom, você só teria que pagar a conta de água e luz que é coisa pouca... -Desculpa, mas isso me cheira muito estranho. Foi ele passar por uma lombada e minha mãe urrar de dor que parece que veio um estralo na minha cabeça que fez aceitar esta proposta indecente. Ao chegar naquela casa parecia que sabiam que ia alguém acidentado para lá, a casa era mobilhada para as necessidades de minha mãe, era 17h42 quando lembrei de pegar meu celular, quando lembrei que tinha uma vida, havia 53 chamadas perdidas do meu namorado, Henry iria me matar, ou eu matei ele. Disquei o número dele enquanto os paramédicos ajudavam a colocar minha mãe na nova casa durante os meses que ela ficaria de molho. -Katherine? o que aconteceu? você sumiu....estou desesperado atrás de você, você não está em lugar nenhum. -Primeiramente, me desculpe pelo sumisso? eu vou te mandar minha localização, você vem até a mim enquanto te explico tudo? -Sinceramente ? não. você me deixou desesperado, não consegui trabalhar, hoje foi um dia perdido. -Henry, minha mãe sofreu um acidente. Desculpa não ter conseguido ter avisar.
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