Confusão no hospital

1135 Palavras
Estávamos há mais de uma hora na sala de espera, a ansiedade me consumia. Precisava de alguma notícia sobre Oliver. — Você está bem? – Ícaro pergunta, tocando meu ombro. Sequei os olhos com a manga do casaco e dei um suspiro triste. — Só preciso saber se ele está bem. – Disse, ainda triste. — Vai ficar tudo bem, estamos no melhor hospital do estado. – Ícaro me abraça. – Logo o Oliver estará bem e fazendo bagunça pela casa. As lágrimas escorrem, mas Ícaro as seca com o polegar. — Ele está recebendo o melhor tratamento. – Ícaro acaricia meu rosto. — Não deveríamos tê-lo deixado sozinho. – Falei entre soluços. Ícaro suspira, beija minha testa, e seus olhos negros mostram cansaço, revelando que sua calma é para nos manter firmes. Desde o início, ele se manteve calmo, liderando racionalmente. Ícaro era uma rocha emocional, um porto seguro. — Você não deve se culpar tanto, Anna. – Ele suspira. – Tente se acalmar, por favor. O abraço com força, afundando meu rosto em sua camisa. Seu carinho me conforta. — Vai ficar tudo bem. – Ele sussurra enquanto acaricia meu cabelo. Fico em silêncio, sentindo seu apoio e as lágrimas caírem. — Seus primos chegaram. – Ícaro diz apreensivo. Sem me soltar, olho para a porta e vejo Ricky e Ross entrarem. Ross parece confuso ao me ver nos braços de Ícaro. — Onde está o Oliver? Como deixou isso acontecer com ele? – Ross soa nervoso. Me encolho, agarrando a camisa de Ícaro. Ele me protege com seu casaco. — Anna não tem culpa, não fale com ela assim. – Ícaro ameaça. — Ross, fique quieto. Você só está piorando a situação! – Ricky fala bravo. — Ícaro, deram alguma notícia sobre Oliver? – Ele pergunta impaciente. Ícaro suspira, seus braços ao meu redor se tornam protetores. — Ainda não temos notícias, estão fazendo exames. – Ícaro fala calmamente. Ícaro relaxa seu corpo à medida que ele e Ricky conversavam. Me desfaço de seu abraço e me sento na poltrona da sala de espera. Ross senta em uma poltrona em frente à minha, mantendo um olhar ameaçador, sem pronunciar uma palavra. Sinto-me desconfortável sentindo a atmosfera ainda mais tensa na sala de espera. Ele afunda na poltrona, emanando um ódio palpável enquanto seu olhar cortante perfura minha expressão aflita. Era como se todos ao redor tivessem desaparecido e sua respiração pesada preenchesse o silêncio, como se cada segundo que passasse aumentasse sua raiva. Tento quebrar o contato visual, mas ele ri, um som ríspido e debochado, como se se deliciasse com meu desconforto, transformando a sala de espera em um campo minado de tensão insuportável. Ícaro se senta ao meu lado e analisa meu rosto por alguns segundos. — Algum problema, Anna? – Ícaro pergunta ao notar meu nervosismo. Os olhos do grego se estreitam ao perceber o clima de tensão entre Ross e eu. Ainda assim, ele se levanta determinado e começa a andar na direção de Ross, como se estivesse disposto a encarar a tempestade iminente. Tento impedi-lo, minha mão agarrando a manga do casaco de Ícaro, mas ele ignora minha tentativa de contenção. O silêncio na sala de espera é quebrado apenas pelo som tenso dos passos de Ícaro, enquanto Ross mantém seu olhar feroz e debochado. — Ross, para de ser um i****a! – Ricky fala irritado. Ross ri e continua a me olhar com deboche, alimentando a fúria de Ícaro. — Dois adultos que não conseguem cuidar de uma criança. Impressionante. – Ross ri e balança a cabeça. — Ross, você não estava lá, não sabe como aconteceu! – Digo com a voz embargada. Ricky se aproxima de seu irmão e segura em seu ombro com força o fazendo encarar seu rosto. — Chega, Ross. Oliver é o meu filho e sei que Ícaro e Anna jamais o machucariam. – A voz de Ricky é calma porém firme. Ross o encara por alguns segundos, como se estivesse se segurando para falar algo ao seu irmão. O militar ri e n**a com a cabeça. — Não importa, não é mesmo? Seu filho vai pra um hospital depois de uma situação gravíssima e você parece nem se importar! – Ross esbraveja. Ricky respira profundamente e fecha os olhos, algo que ele sempre faz pra se controlar quando algo tira sua paciência. Ricky não era o tipo de pessoa que gostava de conflitos, na verdade, ele se esforçava para manter a paz e harmonia em seu dia a dia, nunca o vi explodir ou entrar em brigas. — Estou tentando proteger o Oliver e você só consegue pensar em defender as pessoas que são o motivo dele estar ferido. – O tom de Ross é chateado. — Ross, não seja tão cabeça dura. Eu e a Anna amamos o Oliver, nunca iríamos fazer algo propositalmente. – Ícaro segura em seu ombro. – Você me conhece. Ross retira a mão de Ícaro de seu ombro em um gesto bruto. — Fala sério. Você e a Anna são dois idiotas. Deixaram uma criança sozinha e agora olha onde estamos? No hospital. – Ross responde, debochado e provocativo. Os músculos do maxilar de Ícaro se contraem, seus olhos fixos nos de Ross. A sala parece congelar, a eletricidade no ar tornando-se quase palpável. — Cuidado com suas palavras. – Ícaro retruca, sua voz agora um sussurro ameaçador. Ross solta uma risada cínica e inclina-se para frente, provocando ainda mais a situação. — Ela é realmente uma irresponsável, vocês dois são uma dupla de inúteis. Olha o que aconteceu com Oliver sob sua supervisão, Anna. Satisfeita? – Seu tom é provocativo. Minha visão fica embaçada por conta das lágrimas e minhas pernas começam a tremer, sentia que estava prestes a ter um ataque de pânico. — Não coloque a Anna nesta situação. – Ícaro, pediu visivelmente enfurecido. Ross se levanta e encara o rosto de Ícaro com um sorriso provocativo, ele havia alçando seu objetivo, tirar a paciência de seu melhor amigo. — Acho que minha priminha é grande o suficiente pra se cuidar sozinha. – Ross ri e me encara. – Sempre fugindo de seus problemas com essa choradeira. Patético. — Ross, pelo amor de Deus! – Ricky fala inquieto. Ricky tentava apaziguar a situação, mas já era tarde demais. Sem hesitar, Ícaro, tomado pela raiva, soca o rosto de Ross, que cambaleia para trás. Me encolhi no canto da sala de espera enquanto uma discussão começa entre Ross e Ícaro. Vejo Ricky se aproximando de mim. Ele se agacha em frente de minha poltrona. — Anna, isso não é sobre você. Ross é um i****a completo, meu irmão é um valentão. – Ricky fala segurando minhas pernas. Seu tom calmo parecia ficar cada vez mais baixo à medida que minha ansiedade aumentava.
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