Nocaute

1382 Palavras
— Vocês dois, parem com isso! – Rose fala irritada. Rose entra no meio de Ícaro e Ross acabando com a confusão, mas o clima de tensão ainda pairava no ambiente. — Vocês acham que aqui é que tipo de lugar? Não ligo pra suas diferenças idiotas, só respeitem o hospital, os pacientes, meu ambiente de trabalho! – Ela fala furiosa enquanto encara o rosto de Ross. — Rose… eu.. – Ross tenta falar mas é interrompido. — Estou decepcionada com essa infantilidade, Ross. – O tom de Rose é frio. – Guarde suas desculpas para quem as compre. O silêncio predominou na sala de espera e os ânimos começaram a se acalmar. Ross vai para o lado oposto da sala de espera e senta em uma poltrona, sua postura parece menos tensa e agressiva. O militar suspira e cruza suas pernas. — Você tem alguma notícia do Oliver? – Ricky quebra o silêncio. A expressão de fúria no rosto de Rose muda para uma muda para uma relaxada. — O Oliver passou por alguns exames, mas os resultados não foram nada preocupantes. – Ela olha para a porta da sala de espera. – O Doutor Smith poderá explicar melhor a situação. Não consigo esconder minha surpresa ao ver Adam entrar na sala de espera. Quando nossos olhares se encontram, ele também parece surpreso em me ver. — Doutor Smith, estava atualizando a família Harris sobre o quadro estado do Oliver. – Rose diz assim que ele se aproxima. Adam ainda parece um pouco confuso, mas assume sua postura profissional. — Meu filho, como ele está? – Ricky pergunta impaciente. Adam ajeita seu óculos e analisa brevemente seu tablet. — Os exames revelaram resultados positivos; não há alterações preocupantes no sangue, apenas uma leve anemia. A tomografia e o raio-x não mostraram nenhum problema significativo. – O tom calmo de Adam diminui a tensão no ambiente. — Ele poderá ir pra casa? – Ross pergunta se aproximando. — Embora tenhamos recolocado o cotovelo deslocado de Oliver, será necessário que ele passe a noite no hospital para observação devido à queda da escada. Felizmente, ele é uma criança saudável e irá se recuperar rápido. — Posso vê-lo, doutor? – Ricky pergunta ansioso. — Claro, podem entrar, mas mantenham o ambiente tranquilo. Oliver precisa descansar para se recuperar completamente. – Adam assente com um leve sorriso. Adam revela mais alguns detalhes sobre o estado de Oliver. Após alguns minutos, Ricky e Ross saem da sala sendo acompanhados por Adam. — Não vai visitar o Oliver, Ícaro? – perguntei confusa. Ele sorriu envergonhado massageando em sua nuca. — Acho que isso é mais para a "família de verdade." – Sua voz é envergonhada. Encarei-o com desaprovação, sentindo a irritação tomar conta de mim. Mas antes que pudesse rebater, Ricky voltou à sala. — Anna, você vem? — Estou indo, primo. – Respondi, mantendo meus olhos fixos em Ícaro. Deixamos Ícaro para trás enquanto saímos da sala juntos. Acompanho Ricky pelo longo corredor do hospital em silêncio até chegarmos ao elevador. Entramos, e as portas se fecham. Ricky me encara com uma sobrancelha arqueada, quebrando o silêncio. — O que foi? – pergunto, tentando manter minha expressão neutra. — Vi o clima entre você e Ícaro, especialmente quando o Adam entrou na sala. Parecia que ele estava te comendo com os olhos e Ícaro não gostou nada disso. – Ele sorri de canto. — Não sei do que está falando. – Sinto meu rosto corar, arregalando os olhos. — Anna, eu vejo as coisas. Acha que não percebi? – Ricky ri levemente. — Ricky, isso é coisa da sua cabeça. – digo, tentando soar convincente. Fico nervosa, percebendo que se ele notou, outras pessoas também podem ter percebido. Ricky olha para mim, analisando meu rosto. — Eu tinha dúvidas sobre essa teoria de que você e Ícaro tinham algo, mas depois dessa reação, tenho certeza. – ele diz, com um olhar perspicaz. Sinto meu coração acelerar, e uma tontura toma conta de mim. — Escuta aqui seu... – tento falar, mas sou interrompida quando as portas do elevador se abrem, e várias pessoas entram. Permaneço em silêncio, enquanto Ricky me olha de forma debochada. Ao chegarmos no andar certo e sairmos do elevador, encaro Ricky, irritada. — Não é nada do que você pensa. Pare de cuidar da minha vida. – digo firmemente. — Vocês sempre viveram em guerra, Anna. Isso é desejo reprimido, acredite. – Ele ri e revira os olhos. Ignoro Ricky, andando rapidamente pelo corredor. Ele muda de assunto. — Você não sabia que Adam trabalha aqui? – pergunta, notando minha surpresa. — Sabia que ele era médico nesse hospital, mas não que era nesse horário. A última vez que o vi, era apenas um adolescente encantado pelos cavalos do rancho. – suspiro, recordando o passado. Adam era um ótimo amigo na infância, nem parecia que já haviam se passado tantos anos desde que nós nos falamos. Ele e Arthur eram meio irmãos, filhos da mesma mãe. Adam tinha quase a mesma idade que eu, éramos mais próximos, inseparáveis. Arthur sempre o levava ao rancho, eles eram inseparáveis. Caminhando pelo corredor, as memórias do meu passado invadiram minha mente, como se séculos tivessem se passado desde então. Ricky abre a porta, revelando um quarto surpreendentemente espaçoso para um hospital. Oliver estava deitado em seu leito, enquanto Ross ocupava a poltrona ao lado, segurando sua mão e enchendo-a de beijos. — Tia Anna! Papai! Oliver sorri animado, mas seu rosto trazia marcas de lágrimas, e seus olhos estavam inchados. Ao avistar Ricky se aproximando, estende seus braços, buscando um abraço consolador. — Meu amor, como isso aconteceu? – Pergunto com a voz trêmula. Seus olhos estavam brilhando devido às lágrimas. Uma expressão assustada surge em seu rosto brevemente. — Eu… eu estava descendo a escada e o grito me assustou, tropecei. – Ele gagueja enquanto chora. — Gritos? Onde você ouviu gritos? – Ricky pergunta confuso. Ricky franze a testa, intrigado com as palavras de seu filho. Oliver olha pra mim e depois para Ricky. — Eu ouvi o tio gritando com a Tia Anna, por isso me assustei. Nunca vi o tio Ícaro bravo assim antes, estava com medo. — Oliver explica, suas palavras interrompidas por soluços. Ricky abraça Oliver enquanto Ross se levanta indignado. — Vou acabar com aquele filho da p**a. – Ross fala com raiva, saindo do quarto. Meus olhos se arregalam e Ricky me olha assustado. — Vá atrás dele! – Ricky fala nervoso. Saio do quarto apressada, mas ao encontrar, o vejo entrar no elevador e as portas se fecharem antes que eu o alcance. Volto ao quarto, nervosa. Ricky me olha com expectativa. — Ricky, ele pegou o elevador. Me ajude, temos que evitar uma tragédia. Ricky e eu saímos do quarto apressadamente. Ao apertar o botão do segundo elevador, a agonia se instala ao percebermos que a espera será demorada. Sem hesitar, optamos por correr em direção à escada de incêndio do prédio. Os nossos passos ressoam pelos corredores enquanto. Ofegante, abro a porta que nos leva ao saguão. Ricky passa por mim em alta velocidade, seu preparo físico era impressionante. — Espera! É difícil correr de salto! – Digo voltando a andar. Ricky parece não me ouvir e corre em direção à sala de espera. Tentava acompanhar seu ritmo, mas estava exausta depois de descer 6 andares correndo. Finalmente consigo entrar na sala de espera, onde encontro Ricky tentando acalmar seu irmão mais velho. — Ross, se acalme. Ele não queria assustar o Oliver. – Ricky fala segurando os ombros de seu irmão que grune em resposta. — Você, é tudo sua culpa! – Ross grita apontando o dedo para Ícaro que parece confuso. — Posso saber pelo menos pelo que está me culpando dessa vez? – Ícaro pergunta sarcástico. Ross se livra dos braços de seu irmão, jogando-o com força contra a parede e fazendo-o bater a cabeça. Foi tudo muito rápido e assustador: Ricky caindo no chão desacordado, sua cabeça sangrando; Ross pulando em cima de Ícaro, derrubando-o no chão enquanto desfere vários socos em seu rosto; Ícaro tentando cobrir seu rosto com os braços; eu indo em direção a eles; e, por fim, Ross me nocauteando com um soco em meu queixo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR