— Vocês dois, parem com isso! – Rose fala irritada.
Rose entra no meio de Ícaro e Ross acabando com a confusão, mas o clima de tensão ainda pairava no ambiente.
— Vocês acham que aqui é que tipo de lugar? Não ligo pra suas diferenças idiotas, só respeitem o hospital, os pacientes, meu ambiente de trabalho! – Ela fala furiosa enquanto encara o rosto de Ross.
— Rose… eu.. – Ross tenta falar mas é interrompido.
— Estou decepcionada com essa infantilidade, Ross. – O tom de Rose é frio. – Guarde suas desculpas para quem as compre.
O silêncio predominou na sala de espera e os ânimos começaram a se acalmar. Ross vai para o lado oposto da sala de espera e senta em uma poltrona, sua postura parece menos tensa e agressiva. O militar suspira e cruza suas pernas.
— Você tem alguma notícia do Oliver? – Ricky quebra o silêncio.
A expressão de fúria no rosto de Rose muda para uma muda para uma relaxada.
— O Oliver passou por alguns exames, mas os resultados não foram nada preocupantes. – Ela olha para a porta da sala de espera. – O Doutor Smith poderá explicar melhor a situação.
Não consigo esconder minha surpresa ao ver Adam entrar na sala de espera. Quando nossos olhares se encontram, ele também parece surpreso em me ver.
— Doutor Smith, estava atualizando a família Harris sobre o quadro estado do Oliver. – Rose diz assim que ele se aproxima.
Adam ainda parece um pouco confuso, mas assume sua postura profissional.
— Meu filho, como ele está? – Ricky pergunta impaciente.
Adam ajeita seu óculos e analisa brevemente seu tablet.
— Os exames revelaram resultados positivos; não há alterações preocupantes no sangue, apenas uma leve anemia. A tomografia e o raio-x não mostraram nenhum problema significativo. – O tom calmo de Adam diminui a tensão no ambiente.
— Ele poderá ir pra casa? – Ross pergunta se aproximando.
— Embora tenhamos recolocado o cotovelo deslocado de Oliver, será necessário que ele passe a noite no hospital para observação devido à queda da escada. Felizmente, ele é uma criança saudável e irá se recuperar rápido.
— Posso vê-lo, doutor? – Ricky pergunta ansioso.
— Claro, podem entrar, mas mantenham o ambiente tranquilo. Oliver precisa descansar para se recuperar completamente. – Adam assente com um leve sorriso.
Adam revela mais alguns detalhes sobre o estado de Oliver. Após alguns minutos, Ricky e Ross saem da sala sendo acompanhados por Adam.
— Não vai visitar o Oliver, Ícaro? – perguntei confusa.
Ele sorriu envergonhado massageando em sua nuca.
— Acho que isso é mais para a "família de verdade." – Sua voz é envergonhada.
Encarei-o com desaprovação, sentindo a irritação tomar conta de mim.
Mas antes que pudesse rebater, Ricky voltou à sala.
— Anna, você vem?
— Estou indo, primo. – Respondi, mantendo meus olhos fixos em Ícaro.
Deixamos Ícaro para trás enquanto saímos da sala juntos.
Acompanho Ricky pelo longo corredor do hospital em silêncio até chegarmos ao elevador. Entramos, e as portas se fecham. Ricky me encara com uma sobrancelha arqueada, quebrando o silêncio.
— O que foi? – pergunto, tentando manter minha expressão neutra.
— Vi o clima entre você e Ícaro, especialmente quando o Adam entrou na sala. Parecia que ele estava te comendo com os olhos e Ícaro não gostou nada disso. – Ele sorri de canto.
— Não sei do que está falando. – Sinto meu rosto corar, arregalando os olhos.
— Anna, eu vejo as coisas. Acha que não percebi? – Ricky ri levemente.
— Ricky, isso é coisa da sua cabeça. – digo, tentando soar convincente.
Fico nervosa, percebendo que se ele notou, outras pessoas também podem ter percebido. Ricky olha para mim, analisando meu rosto.
— Eu tinha dúvidas sobre essa teoria de que você e Ícaro tinham algo, mas depois dessa reação, tenho certeza. – ele diz, com um olhar perspicaz.
Sinto meu coração acelerar, e uma tontura toma conta de mim.
— Escuta aqui seu... – tento falar, mas sou interrompida quando as portas do elevador se abrem, e várias pessoas entram.
Permaneço em silêncio, enquanto Ricky me olha de forma debochada.
Ao chegarmos no andar certo e sairmos do elevador, encaro Ricky, irritada.
— Não é nada do que você pensa. Pare de cuidar da minha vida. – digo firmemente.
— Vocês sempre viveram em guerra, Anna. Isso é desejo reprimido, acredite. – Ele ri e revira os olhos.
Ignoro Ricky, andando rapidamente pelo corredor. Ele muda de assunto.
— Você não sabia que Adam trabalha aqui? – pergunta, notando minha surpresa.
— Sabia que ele era médico nesse hospital, mas não que era nesse horário. A última vez que o vi, era apenas um adolescente encantado pelos cavalos do rancho. – suspiro, recordando o passado.
Adam era um ótimo amigo na infância, nem parecia que já haviam se passado tantos anos desde que nós nos falamos.
Ele e Arthur eram meio irmãos, filhos da mesma mãe. Adam tinha quase a mesma idade que eu, éramos mais próximos, inseparáveis. Arthur sempre o levava ao rancho, eles eram inseparáveis.
Caminhando pelo corredor, as memórias do meu passado invadiram minha mente, como se séculos tivessem se passado desde então.
Ricky abre a porta, revelando um quarto surpreendentemente espaçoso para um hospital. Oliver estava deitado em seu leito, enquanto Ross ocupava a poltrona ao lado, segurando sua mão e enchendo-a de beijos.
— Tia Anna! Papai!
Oliver sorri animado, mas seu rosto trazia marcas de lágrimas, e seus olhos estavam inchados. Ao avistar Ricky se aproximando, estende seus braços, buscando um abraço consolador.
— Meu amor, como isso aconteceu? – Pergunto com a voz trêmula.
Seus olhos estavam brilhando devido às lágrimas. Uma expressão assustada surge em seu rosto brevemente.
— Eu… eu estava descendo a escada e o grito me assustou, tropecei. – Ele gagueja enquanto chora.
— Gritos? Onde você ouviu gritos? – Ricky pergunta confuso.
Ricky franze a testa, intrigado com as palavras de seu filho. Oliver olha pra mim e depois para Ricky.
— Eu ouvi o tio gritando com a Tia Anna, por isso me assustei. Nunca vi o tio Ícaro bravo assim antes, estava com medo. — Oliver explica, suas palavras interrompidas por soluços.
Ricky abraça Oliver enquanto Ross se levanta indignado.
— Vou acabar com aquele filho da p**a. – Ross fala com raiva, saindo do quarto.
Meus olhos se arregalam e Ricky me olha assustado.
— Vá atrás dele! – Ricky fala nervoso.
Saio do quarto apressada, mas ao encontrar, o vejo entrar no elevador e as portas se fecharem antes que eu o alcance.
Volto ao quarto, nervosa. Ricky me olha com expectativa.
— Ricky, ele pegou o elevador. Me ajude, temos que evitar uma tragédia.
Ricky e eu saímos do quarto apressadamente. Ao apertar o botão do segundo elevador, a agonia se instala ao percebermos que a espera será demorada. Sem hesitar, optamos por correr em direção à escada de incêndio do prédio. Os nossos passos ressoam pelos corredores enquanto.
Ofegante, abro a porta que nos leva ao saguão. Ricky passa por mim em alta velocidade, seu preparo físico era impressionante.
— Espera! É difícil correr de salto! – Digo voltando a andar.
Ricky parece não me ouvir e corre em direção à sala de espera. Tentava acompanhar seu ritmo, mas estava exausta depois de descer 6 andares correndo.
Finalmente consigo entrar na sala de espera, onde encontro Ricky tentando acalmar seu irmão mais velho.
— Ross, se acalme. Ele não queria assustar o Oliver. – Ricky fala segurando os ombros de seu irmão que grune em resposta.
— Você, é tudo sua culpa! – Ross grita apontando o dedo para Ícaro que parece confuso.
— Posso saber pelo menos pelo que está me culpando dessa vez? – Ícaro pergunta sarcástico.
Ross se livra dos braços de seu irmão, jogando-o com força contra a parede e fazendo-o bater a cabeça.
Foi tudo muito rápido e assustador: Ricky caindo no chão desacordado, sua cabeça sangrando; Ross pulando em cima de Ícaro, derrubando-o no chão enquanto desfere vários socos em seu rosto; Ícaro tentando cobrir seu rosto com os braços; eu indo em direção a eles; e, por fim, Ross me nocauteando com um soco em meu queixo.