Novo Ritmo

1197 Palavras

Agora, tantos anos depois, voltou à mesma loja. Pediu para ver dois modelos de sapatilha: uma preta básica e uma rosa clara, mais delicada. Não sabia dizer qual combinava mais com ela, então levou as duas. Pediu o número que achava ser o certo — o mesmo que comprara para Isabela tempos atrás. A vendedora elogiou a escolha e ele pagou rápido, sem muito papo. O que ele ainda não sabia — o que ainda não tinha sequer imaginado — é que Isabele calçava outro número. Um número menor. Assim como o vestido que ele comprara anos antes com frieza, que coube perfeitamente em Isabela, jamais caberia em Isabele. Porque Isabele era outra mulher. Não apenas no nome, mas na essência. Nos gestos. No jeito de existir. E ele, ainda que não soubesse, estava cercado por sinais. Pequenos, quase impercept

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