Sapatilha

1035 Palavras

Depois do almoço, a casa silenciou. Dona Isadora, como sempre fazia após a refeição, foi tirar seu cochilo sagrado. Avisou com um bocejo e um “qualquer coisa me chama, mas só se for incêndio”, e desapareceu pelos corredores com os passos lentos. Isabele saiu pela varanda e seguiu até uma árvore frondosa perto do curral. Sentou-se na sombra fresca, abraçando os joelhos e fechando os olhos por instinto. A brisa balançava as folhas, o cheiro da terra era bom, e por alguns minutos, o mundo parecia inteiro. Ela tinha aquela fazenda como um presente nos dias de tormenta. Um refúgio onde o tempo corria devagar e o silêncio não doía. Era tão bom estar ali — mesmo que em meio a mentiras, mesmo que escondida atrás de uma identidade que não era sua. Ali, pelo menos, ela podia respirar. Ali, era q

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