Capítulo 6 - Viktor

1116 Palavras
Viktor Eu reconhecia o medo antes mesmo de encarar diretamente o rosto dela, porque ele não estava apenas na expressão, mas nos pequenos sinais que quase ninguém percebe. Estava na forma como os ombros permaneciam tensos, no cuidado exagerado ao se mover, na respiração contida, como se qualquer erro pudesse custar caro demais. Ainda assim, ela se ajoelhou diante de mim sem discutir, sem questionar, como se já tivesse entendido que ali não havia espaço para resistência. Permaneci observando por alguns segundos, apoiando os braços na cadeira, controlando o próprio ritmo, porque nunca tive paciência para fragilidade e sempre enxerguei esse tipo de comportamento como fraqueza descartável. No entanto, com ela havia algo diferente, algo que me fazia não desviar o olhar e não encerrar aquilo rapidamente como eu faria com qualquer outra mulher. — Faça do jeito que eu mandei. Minha voz saiu baixa, firme, sem margem para erro, e ela respondeu quase em um sussurro, obediente, iniciando os movimentos com cautela excessiva, como se estivesse tentando evitar qualquer reação negativa da minha parte. No começo, era evidente que ela não sabia exatamente o ritmo que eu esperava, mas bastou um gesto leve, uma orientação sutil com a mão, para que ela começasse a se adaptar, aprendendo rápido, absorvendo cada comando sem precisar que eu repetisse. Minhas mãos foram até o cabelo dela não com brutalidade, mas com firmeza suficiente para guiar, para estabelecer controle, porque domínio nunca foi sobre força, sempre foi sobre condução, sobre fazer com que o outro corpo responda exatamente como eu quero. E ela respondia, cada vez mais, mesmo com o medo ainda presente, criando um contraste que começava a me incomodar de uma forma estranha, porque não era apenas obediência, havia algo ali que estava mudando enquanto eu observava. Quando o prazer veio, foi rápido demais, intenso, direto, sem que eu tivesse tempo de manter o controle que normalmente não perco. Fechei os olhos por um instante, deixando escapar um som baixo antes de segurar o queixo dela e obrigá-la a me encarar, analisando cada detalhe da expressão que agora já não era apenas de receio. Ainda havia insegurança, mas também existia algo novo, algo que não estava presente no início da noite, uma curiosidade silenciosa que não combinava com a postura dela. Afastei-me sem pressa e indiquei a cama com um gesto simples, observando enquanto ela se deitava, dessa vez sem a mesma hesitação, ainda tensa, mas claramente mais consciente do que estava acontecendo. Aproximei-me devagar, sem qualquer necessidade de pressa, porque quando o controle já está estabelecido, não existe motivo para violência. Toquei-a com calma, percebendo imediatamente a diferença na forma como o corpo dela reagia, porque dessa vez não era apenas obediência, era resposta, era instinto começando a superar o medo. A respiração ficou mais profunda, os sons mais perceptíveis, e eu conduzi tudo sem permitir que ela se perdesse naquele momento, mantendo o domínio absoluto enquanto deixava que ela sentisse cada mudança. Quando me posicionei, segurei firme sua cintura e mantive o olhar fixo nela, avisando com a voz baixa que haveria dor, não como um pedido, mas como um fato inevitável. Ela assentiu, fechando os olhos, e eu esperei, porque o verdadeiro controle está em saber o momento certo de avançar, não em agir com impulsividade. Quando ela finalmente permitiu, eu avancei devagar, sentindo cada reação, cada tensão do corpo dela, cada respiração falha. A dor veio primeiro, como esperado, e eu permaneci imóvel por alguns segundos, permitindo que o corpo dela se ajustasse, não por gentileza, mas porque eu não queria apenas resistência, queria entrega. Quando ela murmurou que podia continuar, comecei a me mover de forma controlada, observando cada mudança até perceber o momento exato em que a dor começou a se dissolver e deu lugar a algo completamente diferente. A respiração dela mudou, os dedos buscaram apoio, o corpo começou a responder de forma mais solta, mais natural, e foi nesse ponto que perdi o restante da paciência, aumentando o ritmo sem aviso, deixando a intensidade tomar conta enquanto ela reagia sem tentar se conter. Os sons já não eram reprimidos, não havia mais tentativa de esconder nada, e isso tornava tudo mais intenso, mais direto, mais real. Quando mudei a posição, bastou um gesto firme para que ela entendesse o que eu queria, e dessa vez não houve hesitação, apenas resposta. O controle ainda era meu, mas ela já não estava apenas sendo conduzida, estava participando, e isso tornava tudo mais perigoso do que deveria. O ápice veio forte, inevitável, encerrando aquele momento com intensidade suficiente para deixar o ambiente carregado, enquanto eu me afastava tentando recuperar o controle e ela permanecia na cama, ofegante, ainda reagindo ao que tinha acontecido. O silêncio que se formou não era desconfortável, mas denso, carregado de algo que eu não estava disposto a analisar naquele momento. Levantei-me primeiro e fui até o banheiro, jogando água no rosto enquanto encarava o próprio reflexo por alguns segundos, retomando a postura que sempre me define. Quando voltei, ela já estava se vestindo, mais calma, mais centrada, mas ainda com vestígios do que tinha acontecido. Sentei na beira da cama e observei cada movimento antes de falar, mantendo o tom direto. — Normalmente eu pago em dinheiro. Ela me olhou com cautela, mas não evitou a pergunta. — Eu preciso saber quanto vai ser. Direta, objetiva, sem rodeios, o que chamou minha atenção mais do que deveria. Respondi que ela receberia como uma noite completa, sem negociação, sem discussão, e ela apenas assentiu, me passando os dados com as mãos levemente trêmulas antes de terminar de se arrumar e sair acompanhada por uma das mulheres da casa. Permaneci olhando até que desaparecesse completamente, mesmo depois que não havia mais ninguém ali, como se algo ainda estivesse fora do lugar. Peguei o telefone e liguei para Artem sem hesitar, ignorando o fato de que ainda era madrugada, porque não tinha intenção de esperar. — Quero que faça uma transferência. Cento e oitenta e dois mil rublos. Do outro lado, o silêncio veio carregado de estranhamento antes da pergunta inevitável, e eu respondi apenas o necessário, deixando claro que ele deveria descobrir tudo sobre ela, sem exceção, usando o nome que apareceria na conta como ponto de partida. Ele questionou, tentou entender o motivo, insinuou interesse, mas encerrei a ligação sem responder, porque eu mesmo não tinha uma explicação que aceitasse. Voltei a me sentar na cama, encarando o teto da cela, tentando ignorar a sensação incômoda que se instalava lentamente dentro de mim. Aquilo não era interesse, não podia ser, mas também não era apenas curiosidade, e era exatamente isso que tornava tudo mais irritante do que deveria.
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