Viktor
Minha paciência chegou ao limite desde que fui trazido para este presídio. Nunca fui um homem paciente, mas aqui os dias parecem ainda mais insuportáveis. Sei que esta prisão é uma punição do Conselho. Uma punição política, ridícula, mas ainda assim uma punição que não consegui evitar.
Eu havia acabado de assumir a máfia quando um dos conselheiros decidiu que eu deveria me casar. Segundo ele, um Don sem esposa não merecia ocupar o posto. Quem aquele velho pensava que era para dizer o que Viktor Smirnov deveria ou não fazer?
Nunca gostei de obedecer. Nem mesmo ao meu pai. Muito menos a um m****o do Conselho.
Ele começou a gritar comigo, dizendo que eu precisava aceitar o casamento que haviam arranjado. Disse que sem isso eu não teria legitimidade. Eu respondi que só me casaria quando encontrasse a mulher certa. Foi quando ele perdeu completamente o controle, avançou contra mim e me segurou pela camisa. A reação foi automática. Um disparo. Um tiro direto na cabeça dele.
Um crime político.
Meu pai decidiu manter meu posto como Don da máfia russa, mas determinou que eu deveria cumprir alguns meses de prisão para “aprender uma lição”. Segundo ele, seria uma demonstração de respeito ao Conselho.
Não aprendi nada.
Tenho vinte e seis anos. Não obedeço cegamente nem ao meu pai, embora ele seja o Don supremo. E muito menos aceito que escolham uma esposa para mim. A mulher que tentaram me impor não despertava absolutamente nada. Não servia aos meus olhos, nem ao que eu esperava para minha vida.
Dentro do presídio, acontecem festas ocasionais. Mulheres entram, bebidas circulam. Confesso que, às vezes, desço apenas para beber. Evito me envolver com mulheres aqui dentro. Um erro poderia significar um golpe do qual eu não sairia vivo. Vladimir jamais aceitaria um herdeiro fora dos padrões que ele exige. Se algum dia eu tiver um filho, terá de ser com uma mulher que sirva à linhagem mafiosa. Todo esse discurso de sangue, tradição e nome… uma grande hipocrisia, na minha opinião.
Quando os homens começaram a descer para a pequena boate improvisada, decidi acompanhá-los. Assim que cheguei, ouvi comentários. Falavam de uma mulher nova.
Bastou eu olhar na direção do bar para entender.
Ela era diferente de todas as outras. Muito bonita. A mais bonita que já havia pisado ali até hoje.
Aproximei-me antes que qualquer outro homem tivesse a chance. Não pedi permissão, não negociei. Apenas disse o que queria.
— Eu quero você.
Saí andando em seguida, certo de que aquilo bastaria.
Ela demorou alguns segundos, mas começou a me seguir. Subimos até uma das celas adaptadas. Quando chegamos, ela parou na porta, completamente paralisada.
— Entre — ordenei. — Ou prefere que eu a carregue no colo como um cavaleiro? Embora eu acredite que você não esteja aqui por cavalheirismo. Está aqui por dinheiro.
— Desculpa… — respondeu, quase em um sussurro.
— Tire a roupa.
Ela começou a tremer enquanto obedecia. Foi retirando o vestido devagar. Quando ficou apenas de lingerie, a visão foi perturbadora. O corpo dela era bonito demais. Meu corpo reagiu imediatamente, como não reagia havia meses.
Aproximei-me devagar, encostei-a na parede e passei a mão pelo rosto dela. Beijei seu pescoço com calma, sentindo-a rígida, desconfortável. Ela não correspondia. Havia algo errado.
Continuei, tirei o sutiã. Os s***s eram perfeitos, mas ela levou a mão à frente do corpo, tentando se esconder. Observei aquele gesto com a sobrancelha arqueada, mas não interrompi. Retirei a calcinha, e o tremor dela ficou ainda mais evidente.
Tirei minhas próprias roupas rapidamente. Quando fiquei nu diante dela, ela se assustou.
— O que está esperando? — perguntei, impaciente. — Faça o seu trabalho.
Ela me encarava como se não tivesse entendido. Passei a mão pelo rosto, já irritado. A excitação começava a se misturar com desconforto.
— De joelhos — ordenei. — Coloque na boca.
Ela obedeceu, mas estava completamente perdida. Tentou fazer algo, mas era evidente que não sabia como agir. Aquilo foi… r**m. Muito diferente do que deveria ser.
Segurei o rosto dela e a obriguei a me encarar.
— Você não sabe o que está fazendo — afirmei. — Não deveria estar aqui.
— Calma… desculpa — respondeu, com a voz trêmula. — Eu nunca fiz isso antes.
— Nunca fez um programa? — questionei.
— Nunca fiz sexo.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, observando-a. Ela parecia uma boneca russa de porcelana. Frágil demais para aquele ambiente. Qualquer movimento errado poderia quebrá-la.
— Vista-se — disse, afastando-me. — Saia da minha cela. Eu não forço ninguém a nada.
Ela arregalou os olhos e entrou em desespero.
— Por favor, não — disse rapidamente. — Eu preciso do dinheiro. Preciso salvar a vida da minha mãe. É a única chance que eu tenho. Ela está entre a vida e a morte. Eu não tenho tempo. Eu nunca me colocaria nessa situação se não fosse absolutamente necessário.
As palavras saíam atropeladas, carregadas de medo.
— Estou disposta a perder minha virgindade. Estou disposta a perder qualquer coisa para salvar minha mãe. Por favor, não me mande embora. Se eu sair agora, Tatiana não vai me pagar. Eu preciso desse dinheiro.
Cruzei os braços, avaliando-a com frieza.
— Mãe doente — murmurei. — As mulheres sempre dizem isso para arrancar dinheiro de homens presos.
— Eu não estou mentindo — respondeu, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto.
Ver uma mulher daquela chorar era algo que me incomodava mais do que deveria.
— Quanto? — perguntei.
— Cento e oitenta mil rublos.
Soltei um riso curto.
— Você não vale tudo isso — disse. — Mas posso pagar um bom valor. Não o total. Se quiser continuar, conversamos.
Ela respirou fundo, claramente engolindo o medo.
— Eu tenho que continuar.