Ana Quando chegamos em casa, arrumei apenas o essencial. Poucas roupas, alguns documentos, nada que chamasse atenção. Eu precisava fingir naturalidade diante da minha mãe. Precisava fazê-la acreditar que eu iria passar a noite na casa do pai do meu filho para termos uma conversa importante. Em nenhum momento eu poderia dizer a verdade. Jamais poderia contar que aquele homem era o Don da máfia russa. Minha mãe sempre teve medo da máfia. Medo real, antigo, construído por histórias que ouviu desde jovem. Ela sabia muito bem como aquele mundo funcionava: sem piedade, sem espaço para erros, sem finais felizes para pessoas comuns como nós. Eu a ajudei a se acomodar na cama, preparei o chá, deixei tudo organizado. Disse que uma amiga dela passaria para dar uma olhada durante a noite, apenas po

