Ana Quando a médica disse que eu estava grávida, o mundo parou de girar. Não foi um susto comum. Foi como se tudo tivesse sido arrancado de mim ao mesmo tempo: o ar, o chão, a capacidade de pensar com clareza. Eu fiquei sentada na maca, encarando o vazio, enquanto a palavra grávida ecoava na minha cabeça como uma sentença. Grávida. Eu m*l conseguia respirar direito. Como eu explicaria aquilo para minha mãe, sabendo que o pai do meu filho era um homem preso, um criminoso poderoso, alguém com quem eu tinha me envolvido apenas para conseguir dinheiro e salvá-la? Como olhar nos olhos dela e dizer que o sacrifício que fiz agora tinha uma consequência irreversível? Eu não me arrependia de ter salvado a vida dela. Nunca me arrependeria. Mas o peso da realidade caiu sobre mim com força demai

