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A Serva de Charlotte

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intro-logo
Sinopse

Jennifer é uma jovem do interior que é obrigada a sair de sua vila com sua família por causa dos incessantes conflitos territoriais nas fronteiras do reino de Torinn, e acaba por chegar em uma cidade próxima a capital. Lá, tentando ganhar a vida com trabalho honesto, é vítima de mais infortúnios e acaba sendo levada para o castelo para atuar como serva pessoal da Rainha Charlotte, governante do reino de Torinn, e é incumbida de atender a todos os desejos de sua nova mestra.

Por ser uma serva real, sempre ao lado da rainha, a jovem acaba por se envolver eventualmente em vários problemas do reino, dos conflitos territoriais e, ademais, se vendo ainda mais afundada nos problemas com a própria família, em especial seu irmão, o maior motivo de ter sido obrigada a sair de sua vila.

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Viagem em família - Parte 1
O sol m*l atravessava a copa das árvores da floresta àquela hora do dia. Era cedo, antes mesmo do cantar dos pássaros ou do som incessante dos animais da floresta. O pai de Jennifer ia à frente dos demais, levando consigo um facão na cintura para cortar qualquer que fosse a vegetação que obstruísse o caminho de Antônio, o burro de carga da família. Apesar das queixas constantes do velho homem sobre o facão, ele estava satisfeito por poder carregá-lo consigo, já que qualquer outra coisa – espada ou adaga – seria confiscada como uma arma. Os cavaleiros levaram boa parte dos mantimentos e dos bens materiais da família, incluindo Oscar, o cavalo quem tanto fazia falta, agora que tinham que levar todos os tecidos e malhas feitos por Maria, a mãe de Jennifer, e todos as peças de artesanato feitos por Leonard, o pai. Antônio sempre foi um burro preguiçoso, mas a viagem se mostrou tão longa que ninguém ousou repreendê-lo quando ele empacava. Lucinda, a filha mais nova, ainda não conseguia seguir tanto tempo a pé, e era levada nas costas de Jennifer como se fosse uma mochila. A garotinha de oito anos era a alegria do grupo de viajantes. Não importava qual fosse a situação, ela sempre conseguia divertir – ou pelo menos entreter – a todos. Lucas, o irmão do meio, estava com seu arco de prontidão para abater qualquer ave ou pequeno animal que passasse diante de seus olhos, destinado a terminar na panela para servir como uma boa refeição mais tarde. Quando os raios de sol se intensificaram, Lucas cobriu os olhos com a mão livre, segurando o arco com o outro. Ele estava cansado por viajar a noite toda, assim como o restante da família, mas sempre seguia pouco atrás do pai, energético como só ele mesmo era capaz de ser. A vegetação era rasteira e as árvores não eram frutíferas, o que tornou o dever do garoto ainda mais importante – e alarmante. Por fim, o garoto avistou um pequeno coelho saindo de sua toca, e fez sinal com a mão para que todos parassem para não assustar o animal. O pequeno passou à frente do pai, respirou fundo, colocou uma flecha no arco e puxou, prendendo o fôlego para não tremer o arco quando atirasse. A flecha voou pelo ar, tremendo levemente, mas sendo nivelada pela pena na parte de trás. Cortando o ar, ela viajou até penetrar o pelo do animal, mortalmente atingindo o pescoço, logo atrás da orelha. Haveria carne para o almoço. O garoto correu até sua caça e levantou o animal em comemoração, recebendo aplausos e os parabéns da família. Pouco mais à frente havia um rio, e a família parou à beira dele para descansar. - Vamos comer o coelho agora? – Perguntou a pequena Lucinda. - Não, querida – Respondeu a mãe. – Ele vai ficar para o almoço, talvez para a janta. Ainda temos frutas e legumes para comer no café-da-manhã. A menina fez cara de enjoo. - Temos mesmo que comer isso de novo? Eu estou cansada disso de comer folhas e amoras. - Se não comermos logo, vão estragar – Disse Leonard, o pai, esfolando a pele do coelho e lavando-o na água límpida e cristalina do rio. - Mas eu não quero – Birrou a menina. - Ora, ora, mocinha, temos que agradecer por termos mais um pouco de carne para o almoço – Disse Jennifer. – Se não fosse nosso bravo e valente irmão que caçou essa enorme fera selvagem, a gente comeria frutas e legumes até no jantar – Continuou ela, abraçando Lucas, que gargalhava. Lucinda suspirou chateada, mas sorriu logo em seguida. Maria olhou com aprovação para Jennifer, imaginando como ela fazia para que Lucinda aceitasse tudo o que ela dizia tão facilmente. O sol já começava a cortar o céu, mas ainda estava frio. A família montou um abrigo para descansar um pouco antes de retomar a longa viajem que ainda tinham pela frente. As três mulheres se deitaram juntas, adormecendo quase simultaneamente, mas Lucas e Leonard permaneceram sentados metros de distância, vigiando-as. O arco de Lucas repousava no chão, ao alcance de sua mão, mas ele estava sonolento e bocejou. - É melhor você ir dormir também, rapaz – Disse o pai. - Está brincando? Eu tenho que ficar de vigia. Se algum cavaleiro vier aqui e tentar levar as coisas que ainda não tiraram da gente, eu tenho que estar acordado para dar uma flechada no olho dele! Leonard sorriu e afagou o cabelo castanho do garoto. - Claro, claro, meu homenzinho – Sorriu Leonard. – Que tal assim: você deixa seu arco comigo e dorme um pouco, certo? Depois que estiver bem descansado e pronto para atirar em alguns olhos, você vem e monta vigia no meu lugar. - Mas, pai... - Você precisa de energia se quiser continuar a seguir o caminho todo pronto para uma bela briga. Durma um pouco, Lucas – Insistiu o pai. - Tudo bem – Disse ele, desanimadamente. - Mas se acontecer alguma coisa... - Se acontecer alguma coisa eu prometo que acordo você. O pai abraçou o filhou e beijou-lhe na testa. Lucas foi até as mulheres e se deitou em uma cama de folha ao lado delas. Leonard sorriu, satisfeito com o fato de a família poder dormir tão tranquilamente. Ele olhou para os próprios pés e suspirou, lamentando pelas bolhas e os calos que a longa caminhada deu a aqueles velhos e cansados pés. Mas a dor de seus pés não se comparava com a dor de ter que deixar seu amado lar em sua vila por causa de uma guerra que por um azar o atingiu. Ele se lembrou de como as flores cresciam no campo ao lado da vila, de como as árvores e os arbustos davam frutos suculentos e a terra era tão fértil que todos da vila poderiam cultivar grãos, verduras e vegetais para sobreviverem ao pior dos invernos. Não havia fome, não havia conflitos. Só havia paz. Mas tudo mudou. A guerra finalmente chegou àquele pequeno vilarejo. O c***l conflito entre Torinn e Larik. O som de passos arrancou Leonard de seus pensamentos. Era um grande cervo, caminhando tranquilamente até o rio. O vento estava a favor de Leonard, então o cervo não sentiria o cheiro dele. Foi muita sorte, uma oportunidade que Leonard não pretendia desperdiçar. Ele pegou o arco de Lucas e se esgueirou para mais perto do animal. O cervo abaixou a cabeça até a água para refrescar sua sede, era o momento perfeito. Leonard colocou uma flecha no arco e se preparou. O suave som da corda do arco esticando deixou Leonard tenso, trazendo à sua imaginação a imagem de sua família comendo carne de cervo por algumas semanas. Ele atirou a flecha após ter certeza que acertaria a pontaria - e acertou. A ponta de pedra perfurou o espaço entre as costelas do animal, derrubando-o antes mesmo que ele pudesse se debater. Leonard se vangloriou silenciosamente, como se para não espantar o animal, ainda concentrado demais para perceber que não precisava mais ficar quieto. Quando estava a um passo do cervo, percebeu que ele ainda respirava, que sua barriga subia e descia lentamente. Ele se lamentou por não o ter matado instantaneamente, e puxou uma faca da bainha presa em sua cintura. Ele abaixou frente ao animal e terminou com o sofrimento dele. Leonard ficou de olhos fechados o tempo todo. Ele odiava caçar. Viveria toda sua vida comendo frutas, legumes, vegetais e raízes, se pudesse, pois odiava ter de tirar a vida até mesmo do mais moribundo ser vivo. Ele arrastou o cervo até a água e começou a esfolar a pele. O inverno tinha sido rigoroso demais naquele ano, e a primavera estava demorando muito para florir, então a pele do cervo serviria para aquecer sua família enquanto o frio ainda predominava. O único problema seria deixar a pele do cervo secar no sol que ainda estava frio, mas a carne do cervo e uma pele quentinha seriam recompensas boas o bastante para fazer com que a família pudesse ficar algum tempo parado até a pele secar um pouco. Lucas foi o último a acordar e praguejou mentalmente quando percebeu tal coisa. Ele correu até o pai para reclamar sobre ele não o ter acordado, mas parou para olhar abismado a mãe e as irmãs assando carne de cervo. Também viu a pele pendurada em uma árvore para secar. - Uau, pai, você matou um cervo! – Disse o garoto. - Hohou, parece que você esqueceu quem lhe ensinou a caçar – Se gabou Leonard, apesar de não ter real orgulho de ser um bom caçador. Pouco tempo depois a carne do cervo estava pronta e um guisado de coelho estava preparado. A família inteira comeu como não comia há dias, e até Antônio foi recompensado por seu esforço com algumas cenouras que a família iria comer no almoço, mas que seriam agora para o burro. Todos estavam satisfeitos e descansaram um pouco mais antes de retomar a viagem. A pele do cervo foi estendida em alguns pedaços de madeira apoiados no lombo de Antônio, pegando sol o suficiente para secar durante o caminho.

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