Dylan
Eu corro antes que Madison possa vomitar mais do seu charme. O cara é um excelente exemplo de quem compra tudo com dinheiro mas nunca a beleza.
Mas a filha dele, ela sim, tirou a sorte grande no departamento de beleza.
Kristy Madison olha para uma escultura de gelo do outro lado da sala, parecendo preferir mergulhar de cabeça nela do que socializar. Não posso dizer que a culpo.
Ainda bem que a filhinha do papai puxou a mãe. Uma ex-anjel da Victoria's Secret. Lembro-me de babar nos seus pôsteres de biquíni quando era um adolescente louco por hormônios, pensando que um dia me casaria com ela.
Quando finalmente a conheci, aos vinte anos, voltei a ser um adolescente babão.
Ela é o epítome da beleza.
Ainda não consigo entender como ela acabou com Madison. Aposto que ela tem algum amante atraente as escondidas.
Mas aqui está sua filha, Kristy, parecendo exatamente o anjo que sua mãe era. Ela é tudo o que minha pequena ladra não é: delicada, elegante, grandes olhos de corça exalando inocência. Falando nisso... por que diabos aquela atrevida problemática simplesmente surgiu na minha mente? Aquela ladra não é meu exemplo para mulheres.
— Que show, hein? — comento, juntando-me a Kristy no bar. Um gesto rápido, e o barman aparece, dois bourbons vindo em nossa direção.
— Dylan Evans em carne e osso. Os rumores eram verdadeiros. Você está realmente aqui esta noite.
— É sempre um prazer — retruco, observando-a. Ela vestiu um modelo modesto para agradar o querido papai. Justo, um material me lembra a seda preta que minha pequena ladra estava usando na noite em que brincou comigo.
Mais um pensamento estranho involuntário. Afasto a intrusa da minha mente, concentrando-me na mulher à minha frente.
— Forçada a comparecer como acompanhante glamorosa do seu pai novamente?
Ela oferece um sorriso irônico, circulando a azeitona no copo.
— Minha mãe recusou o dever esta noite. E eu fui premiada.
— Então acho que deveria ser grato pelo seu 'infortúnio'. Você está deslumbrante, como sempre.
Ela olha para mim com uma pitada de malícia.
— Então os rumores sobre o fim do seu noivado com Marcely é verdade? Ela estava espalhando para todos.
Não era bem um noivado. Ela nem tinha uma aliança ainda, mas ela gostava de espalhar essa ideia i****a aos quatro ventos.
— Eu e Marcely seguimos caminhos separados. Você sabe, é a vida.
— Hum. — Ela se vira para me analisar. — Eu conheço o seu jogo, Dylan Evans — diz ela, com um toque de desafio em seu tom.
Minha sobrancelha arqueia.
— É mesmo? E o que é?
— Troque a filha do governador pela do senador e se mantenha dentro do círculo.
Deixo escapar uma risada baixa.
— Eu jamais brincaria com uma mulher assim. Ainda mais sendo filha de quem é.
Madison fala muito sobre valores familiares. Os Madisons não são apenas um clã político; eles são uma marca totalmente americana e totalmente limpa e com valores antiquados. Kristy ostenta orgulhosamente seu anel de pureza, “guardando-se” para algum bastardo muito sortudo no futuro.
O barman me oferece outro uísque que não preciso. Eu engulo rapidamente, devolvendo o copo para bandeja.
— Noite difícil? — Kristy me olha com ceticismo.
— Quase isso.
Ela sorri com simpatia.
— Acabei de passar uma hora ouvindo sobre casas de férias nos Hamptons e qual designer faz os melhores sapatos. Acredite em mim, eu entendo.
Ela não entende. Se ao menos conversas superficiais fossem meu maior problema.
Tenho um vislumbre de um rosto indesejado serpenteando pela multidão, vindo direto em nossa direção, e murmuro uma maldição. Eu transei com aquela garota um tempo atrás e ela gamou. E aquela nem foi minha melhor performance.
— Acha que eu poderia me esconder atrás daquele cisne de gelo ali?
Kristy segue meu olhar e ri.
— Isso eu gostaria de ver. — Eu sorrio para ela. — Ou talvez você pudesse me proteger por um tempo.
Estou bem ciente de que Kyle vai me preocupar com isso mais tarde, mas, caramba, estou em modo de autodestruição depois de toda a merda das últimas semanas.
Ela mordisca o lábio.
— Esconder-se atrás de mim pode não funcionar tão bem com você se destacando nesse Armani. É meio difícil não notar você. — Suas bochechas coram enquanto seus olhos passam por mim.
— Sim, merda. Não quero ser visto — brinco. — Mas ei, tenho uma ideia melhor. Que tal eu te dar um tour privado pela nossa nova galeria de arte no andar de cima? Podemos escapar por um tempo.
Kristy olha incerta para papai querido dela antes de encontrar meu olhar novamente.
— Eu não tenho certeza...
Dou de ombros, dando-lhe uma saída.
— Sem pressão. Outra hora, talvez.
Ela me olha pensativa.
Um lampejo de rebelião ilumina seus olhos.
— Quer saber? Vamos dar uma olhada nessa galeria.
Eu realmente não comecei com uma certa intenção aqui, mas meu lado Devasso faz o meu charme ir aos alturas e acabo conquistando o que quero com poucas palavras.
Não tenho culpa que as mulheres caem no meu charme e na minha fala mansa.