Dylan
Faz uma hora que sou oficialmente solteiro, e agora eu preciso competir pela atenção do pai de Marcely, o governador. Essa relação era importante para mim, porque ele teria orgulho de me lançar como seu sucessor em dois anos, mas agora meu casamento por conveniência foi pelo ralo e eu teria que arrumar um jeito de lidar com a fúria do meu pai.
Esse cargo político não me interessa, mas meu pai daria a vida por isso. Eu estou filiado ao partido desde que saí do colegial. Estou usando o meu charme no piloto automático agora - rindo de piadas terríveis, acariciando egos a torto e a direito. O álcool está fazendo a sua parte, relaxando todo mundo.
Esta noite, porém, a máscara parece sufocante. Esses eventos costumavam ser fáceis. Agora a conversa fiada banal irrita, minhas habilidades sociais me corroendo a cada dia.
Se os médicos estiverem certos, pode chegar um momento em que eu não consiga mais jogar esse jogo.
Pego outro uísque, tendo perdido a conta em algum lugar entre o discurso do prefeito e a uma socialite me convidando para jantar – já que agora sou solteiro. Marcely me ignora como se ela nunca tivesse ajoelhado para chupar o meu p*u na vida. E eu juro que a vi flertando com Martha Clark, uma modelo socialite. Eu sei que Marcely é bissexual, nós até aproveitamos seus gostos peculiares juntos algumas vezes. Mas ela sempre teve uma imagem a zelar e ter gostos peculiares nesse meio é motivo de especulações. Nós tínhamos o acordo perfeito, mas agora não tenho nada. Graças a aquela ladra.
Bebo o resto do meu uísque, sinalizando para um garçom trazer mais. Eu claramente perdi a mão para a bebida essa noite.
Realmente não posso culpar a bebida, não com quem está à frente.
Senador Madison, em toda a sua glória artificialmente bronzeada e com dentes branqueados. O cara pensa que é a melhor coisa que já aconteceu neste estado, um fanfarrão hipócrita com a cabeça firmemente enfiada no próprio cu. É só por isso que quero me candidatar, para tomar a vaga desses filhos da p**a e dizer a eles o que fazer.
Kyle me dá um aceno discreto, nós dois emocionados por ter que bajular esse cara. Então coloco meu sorriso falso mais convincente.
— Senador, é uma honra tê-lo aqui — digo, invadindo seu pequeno círculo. — Espero que estejamos dando a você o tratamento cinco estrelas que merece. Qualquer coisa que você precise, venha direto para mim, certo?
Nossa equipe de relações públicas, os bons operadores que são, gentilmente afasta sua comitiva. Não é uma tarefa difícil — o homem é um sedativo.
— Bem, a comida está fraca — Madison estronda, alto o suficiente para que todos possam ouvir por cima da música. — O que é toda essa culinária francesa sofisticada? Onde está a verdadeira comida americana que te sacia? Já vi porções maiores em festas infantis!
Solto uma risada, embora por dentro esteja fantasiando em sufocá-lo sob uma montanha de foie gras e pedaços de canapés de trufas. Mas ei, negócios são negócios.
Regra número um ao lidar com fanfarrões políticos: continue sorrindo, balançando a cabeça e faça-os acreditar que são o centro do universo.
— Vou garantir que nosso chef com uma estrela Michelin faça coisas melhores da próxima vez, senhor — respondo, meu sorriso não vacilando nem por um segundo. — Enquanto isso, deixe-me enviar uma bela costela cozida m*l passada o suficiente para lembrá-lo de que você ainda está vivo e forte. Está bem?
Os olhos de Madison se estreitam em busca de sarcasmo, antes de soltar uma gargalhada. — É disso que estou falando. Esqueça essas coisas sofisticadas; dê-me uma carne americana saborosa.
Aceno sutilmente para um dos membros da nossa equipe que ouviu a conversa, mas domina a arte de se misturar ao cenário.
— Temos acompanhado de perto suas políticas ousadas, senador — Kyle interrompe suavemente. — O que vocês estão fazendo por este estado é nada menos que extraordinário. Sua liderança está inaugurando uma nova era. Nós nós espelhamos em você.
Ah, a segunda regra ao lidar com esses tipos: use e abuse de bajulação.
Resisto à vontade de revirar os olhos.
Madison infla seu terno, envaidecendo-se.
— Sim, bem, agitar as coisas nunca é fácil. Seu pai sabe disso. E aliás, onde ele está?
— Papai teve uma viagem de trabalho.
— Sim, fiquei sabendo que ele está com um projeto internacional. Fiquei curioso.
— Sim, logo todos saberão. Mas hoje o centro das atenções é você. Nada do que está fazendo está passando despercebido — asseguro, derramando mel verbal apesar da minha irritação. — Sua visão para o desenvolvimento da cidade é inovadora. É o que esta cidade tem clamado. Os Evans estão prontos para apoiar suas iniciativas, senador.
Seus olhos brilham quando ele pega outro copo de um garçom que passa.
— E talvez haja outros assuntos que os senhores desejam discutir.
Tradução: mostrem-me o dinheiro, rapazes.
— É claro que adoraríamos roubar um pouco do seu valioso tempo — diz Kyle suavemente.
Tradução: minha carteira está aberta, basta entregar um suborno suculento.
Madison nos dá uma longa olhada e depois solta um suspiro dramático.
— Estou extraordinariamente ocupado. Minhas secretárias estão cansadas tentando acompanhar minha agenda.
Ocupado com consultas de suborno, camas de bronzeamento, recargas de Viagra e, se os rumores forem verdadeiros, uma amante que tem idade para ser sua filha.
A terceira regra ao acariciar egos maiores que o meu: apelar à moeda universal do suborno.
— Nós entendemos. Ninguém trabalha mais para este estado do que você. — Kyle reforça. — Basta dizer como podemos ajudar. E, por favor, tenha acesso ilimitado a todos os nossos clubes e hotéis – um pequeno sinal da nossa imensa gratidão.
Os olhos de Madison brilham enquanto ele mostra os dentes.
— Isso é muito gentil — ele diz sorridente. — Suponho que poderia incluir vocês brevemente na próxima semana. Vamos comer um bom bife em um bom restaurante.
Seu tom deixa claro que vamos nos humilhar e agradecer pela “honra” da sua presença.