7. Anjo?

1664 Palavras
Alyssa Por um segundo, apenas nos olhamos no espelho, ele pairando sobre a pia, eu, como um animal recuado, m*l conseguindo respirar. — Talvez seja melhor fechar essa boca antes que alguém apareça — ele resmunga. Meu coração dispara enquanto eu luto para pegar meu telefone quebrado, minhas mãos trêmulas. Quanto ele ouviu? — Desculpe por aquela pequena explosão — eu digo, tentando parecer casual enquanto vou até a pia ao lado dele. Abro a torneira apenas para ouvir o ruído de fundo. — Quanto você ouviu? Por favor, não diga nada disso. POR FAVOR NÃO DIGA NADA DISSO... — Eu não estava ouvindo o drama do seu namorado — ele murmura, todo rude e desdenhoso. Uau, ok, i****a. Mas graças a Deus. — Mesmo assim, desculpe se perturbei sua paz — murmuro. — Para uma boca tão pequena, você xinga como um marinheiro — ele repreende com uma carranca de desaprovação. Seus lábios se curvam em desgosto. — Pare com essas vulgaridades. Este é um estabelecimento elegante, não um maldito estaleiro. Eu me irrito com seu tom condescendente. — Acho que você ouviu mais do que deixou transparecer — respondo alegremente. — Mas ei, xingar está na descrição do meu trabalho. Como você sabia que sou marinheiro? Idiota. Pior resposta da história. Mas como ele ainda não me arrastou para fora para atirar em mim, estou apostando no fato de que ele não ouviu nada muito incriminatório. Ele me lança um breve olhar desdenhoso e depois volta a olhar para a pia. Chega a ser lendário o carisma desse cara. — Desculpe, nós, marinheiros, não vivemos de acordo com os padrões da classe alta por aqui — comento, com a voz tingida de sarcasmo. — Era um daqueles dias ruins. Arrisco olhar mais para ele. Droga. De perto, sua beleza intensa, quase severa, era mais forte. O tipo de beleza que pode destruir você se você chegar muito perto. O tipo de homem bonito e injusto que provavelmente abre qualquer porta que quiser, quando quiser. Pernas também. Aposto que ele nunca ouviu a palavra não. A energia masculina que emana dele é sufocante. E ele cheira a bebidas de primeira qualidade. Ele olha furioso para a pia como se isso tivesse insultado sua mãe. A qualquer momento espero que ele chame os seguranças para me expulsar dali. Desligo a torneira, a pulsação acelerada. Eu não esperava chegar tão perto. Do nada, ele emite um ruído profundo e doloroso, sua mão escorregando bancada enquanto ele luta para manter sua postura. — Você está bem? — Eu pergunto, com preocupação real em minha voz agora. — Esqueça isso — ele rosna. — Uau, encantador — respondo. Sem sua aparência e riqueza, duvido que ele fosse tão charmoso. — Sou todo encantador, pequena marinheira. Você me pegou em uma hora r**m. Mesmo aqui. Sou o charme personificado, apenas tendo um dia r**m. Minha resposta é uma risada baixa e divertida que provoca um arrepio inesperado na minha espinha. Engulo em seco, minhas bochechas esquentam. Ele abre a torneira, girando-a com força desnecessária. Antes que eu possa reagir, ele está jogando água no rosto, sem se importar que respingue. Eu grito, pulando para trás enquanto as gotas atacam meu vestido. — Ei, cuidado! Eu não vim aqui para um concurso de camisetas molhadas. — Desculpe — ele resmunga. Não parece nada arrependido. Justamente quando penso que ele vai realizar um batismo completo na pia, ele se vira para mim. Aqueles profundos olhos azuis, um pouco desfocados, me prendem no lugar. Uma eternidade estranha passa enquanto nos encaramos. Qual é o problema dele? Ele vai me expulsar? Eu deveria preencher o silêncio com algo espirituoso, até mesmo sedutor. Mas minha língua fica inutilmente na minha boca. Além disso, a volatilidade que vem dele em ondas significa que uma palavra errada provavelmente me fará ser expulsa do hotel dele. Penso em enfiar as mãos embaixo da secadora, qualquer coisa para quebrar essa tensão antes de entrar em combustão. — Você é um anjo? — ele pergunta suavemente, parecendo confuso. Pisco, me perguntando se ouvi m*l por causa da água corrente. — Desculpe, o quê? — Você é um anjo — ele insiste, com os olhos fixos em mim. Ele parece completamente sério. Eu rio nervosamente. Ele está claramente meio bêbado e falando merda. — Os anjos não têm bocas de marinheiro como a minha. Você está chapado? Ele apenas continua olhando, perdido em pensamentos. — Não, estou muito deprimido — ele murmura, mais para si mesmo do que para mim. Ele me olha, com aquela expressão sombria. Parte de mim instintivamente quer ajudar de alguma forma. Mas o cara está emitindo vibrações muito intensas e imprevisíveis que deixam meus nervos à flor da pele. Faço um gesto em direção à pia, onde a água ainda corre sem pensar. — Que tal desligar isso antes de nos afogarmos aqui? Isso parece trazê-lo de volta à realidade. Ele fecha a torneira, ainda parecendo carregar o peso do mundo. Cambaleante, ele abre a porta e sai do banheiro. Eu o sigo, mas para lhe dar uma certa proteção. O hoje parece estar realmente caindo aqui. Mas então ele se vira, nossos rostos quase batendo. Ele dá um passo em minha direção. Lento e cuidadoso, como se eu fosse um cervo arisco que ele tenta não assustar. Sua mão desliza ao longo da parede, firmando-se enquanto fecha o espaço entre nós. Minha respiração fica entrecortada e superficial quando seus sapatos caros batem nos meus sapatos de salto alto baratos da Target. Ele está tão perto. Muito perto. Eu poderia contar cada cabelo eriçado ao longo de sua mandíbula, se quisesse. Ver cada fio castanho em sua cabeça. A pequena cicatriz cortando sua sobrancelha esquerda de alguma forma o faz parecer ainda mais robusto. As linhas de riso ao redor de seus olhos, evidência de que ele às vezes sorri. Ele cheira bem. Quente e assumidamente masculino. — São as luzes? — ele pergunta, a voz baixa e rouca. — O que? — Eu respiro. — Seus olhos. — Ele me encara como se estivesse testemunhando algo incrível, aqui mesmo na porta deste banheiro. Sinto minhas bochechas corarem. Estou acostumada com a atenção que a diferença das cores dos meus olhos trazem. Um é azul, o outro acastanhado – eu achava que parecia uma boneca que teve os olhos trocados na fábrica. Mas o jeito que ele está olhando para mim agora... faz meu coração acelerar. Pisco com força. O cara deve estar perdido. — Pensei que fossem as luzes, mas na verdade são tons diferentes — ele murmura, levantando suavemente meu queixo com a mão para que eu não consiga desviar o olhar. — É cativante. Nunca vi algo assim. Explicar que é uma coisa médica não parece uma brincadeira sexy, então deixo esse fato de lado por enquanto. O momento parece muito carregado para uma aula de biologia. Seu hálito, tingido de uísque, acaricia minha pele e causa arrepios por toda parte. — Você acertou — eu brinco. — Eu sou um anjo. Do tipo com olhos únicos e... asas e tudo. Seu anjo. Evans me estuda com uma intensidade nebulosa, aparentemente concordando. Antes que eu possa reagir, ele cai de joelhos diante de mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura e pressionando seu rosto contra minha barriga. Mas que p***a é essa? Eu congelo, atordoado. Hum.. o que está acontecendo? Minha mão paira sobre sua cabeça, insegura e desajeitada, como se eu estivesse prestes a abençoá-lo ou algo assim. Sim, ele está definitivamente chapado. Deve ter misturado entorpecentes com álcool. Eu não acredito em destino, mas é como se o universo tivesse deixado ele cair no meu colo. — Estou realmente cansado — ele balbucia em minha cintura. Minha pulsação dispara. Este é um novo território. De repente, estou de volta ao jogo – o desafio doentio de Ethan – mas com uma nova vantagem. Agora tenho olhos de anjo e um homem aos meus pés. A adrenalina bombeia através de mim. Talvez eu tenha uma chance de lutar aqui, afinal. Devo continuar com isso? Posso mesmo? Parte de mim se sente m*l pelo cara, esteja ele bêbado ou maluco. Meus pensamentos disparam enquanto tento formar algum tipo de plano. O que exatamente devo fazer: fingir que sou um anjo de verdade e começar a cantar “Ave Maria”? Porra, você realmente enlouqueceu Aly? Decidindo fazer um estilo livre, passo os dedos pelos seus cabelos. — Está tudo bem — eu ronrono, tentando parecer tranquilizadora. Ele geme, apertando minha b***a com mais força, aparentemente contente em balançar nesta posição para sempre. Depois do que parece uma eternidade, consigo levantar seu peso morto de maneira instável. Ele pisca turvamente para mim. Minha língua se projeta para fora, molhando os lábios secos por mentiras e, de forma bastante chocante, dada a minha situação atual, pela luxúria. Tique-taque, p***a. As chaves dele devem estar nos bolsos da calça jeans. E nós estamos na porta do banheiro. Será que tem câmeras? Com certeza deve ter. Uma onda de auto-aversão se apodera de mim. Perdoe-me por isso, mamãe e Mila... Papai lá em cima. Eu desejaria a Deus que não tivéssemos passado por uma situação tão desesperadora que me envolvesse em negócios duvidosos. Não importa, ele tem mais trinta carros iguais a este! Ele nem vai notar que sumiu! Minha voz interior é uma i****a. Reunindo toda a minha força, pego um punhado da camiseta de Dylan Evans e o puxo contra mim. Na pressa, meu nariz bate dolorosamente em seu queixo. Merda. Isso não foi tão sedutor quanto eu planejei. Superando a dor e os sinais de alerta piscando, eu reúno minha determinação. É agora ou nunca. Sem permitir que minha consciência intervenha nem mais um milissegundo, arrasto sua cabeça para baixo e pressiono avidamente minha boca em seus lábios ásperos e encharcados de uísque. Sua barba arranha meu rosto antes de recuar. — Que p***a você pensa que está fazendo?
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