Beatrice O cheiro ácido e químico queima o interior do meu nariz e entope minha garganta. O ar frio e seco faz meus pulmões arderem enquanto as máquinas ao redor do corpo inconsciente de Tara apitam como uma ameaça contínua. Odeio hospitais. Ela parece em paz — quase. Se eu ignorar as bandagens nos braços e ombros, os hematomas e lacerações da surra brutal que sofreu, posso fingir que está apenas dormindo. Se eu ignorar a expressão grave da médica ao me dizer que Tara levou um tiro na barriga e está se agarrando à vida por um fio, posso fingir que é só um resfriado forte. Uma mentira fraca, daquelas que não se sustentam contra nada — mas eu me apego a ela como quem se afoga e agarra qualquer coisa. As horas passam e nada muda. Minhas pernas formigam, dormentes por conta da cadeira de pl

