Natália A madrugada estava silenciosa no quarto de hospital. O único som que preenchia o espaço era o bip ritmado dos aparelhos ligados a Ruan. Ele dormia profundamente, sedado, e eu observava seu rosto pálido, sua respiração ainda fraca. Toquei de leve sua mão fria, trazendo-a até meus lábios, e deixei um beijo ali, como se, de alguma forma, isso pudesse protegê-lo de toda dor que o consumia. — Por que você foi se meter com isso, meu filho? — sussurrei, sentindo uma lágrima quente deslizar pelo meu rosto. Ao lado da cama, na mesinha branca, repousavam panfletos de clínicas de reabilitação. Apenas olhar para eles fazia meu peito apertar em agonia. Eu queria acreditar que Ruan não precisava daquilo, que essa overdose tinha sido um erro, um momento de fraqueza. Mas no fundo eu sabia que

