Bella
O sol já começava a se pôr quando saí da escola, as últimas luzes do dia se espalhando pelo horizonte em tons de laranja e rosa. O vento soprava suavemente, carregando consigo o cheiro de folhas secas e a sensação de outono no ar. Era um dia bonito, mas a beleza do mundo ao meu redor parecia distante e embasada, ofuscada pela tempestade de emoções que me assolava.
Fazia exatamente uma semana desde o funeral dos meus pais, uma semana que parecia ter passado em câmera lenta, como um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. A dor da perda ainda estava cravada em meu peito, uma ferida aberta que parecia impossível de cicatrizar. Cada passo que eu dava me lembrava do vazio que agora ocupava meu coração.
Eu caminhava devagar, observando os rostos apressados das pessoas que passavam por mim, todas imersas em suas próprias vidas, alheias ao tumulto de sentimentos que eu estava enfrentando. Minhas mãos estavam enfiadas nos bolsos do casaco, meus dedos apertando o tecido enquanto eu tentava encontrar alguma sensação de conforto.
As palavras daquele homem no funeral ainda ecoavam em minha mente, como uma melodia sombria que eu não conseguia esquecer. Ele se aproximou de mim, um estranho com uma expressão séria e sombria, alegando ser amigo do meu pai. Suas palavras atingiram minha mente como um raio, as revelações que ele trouxe rasgando meu mundo em pedaços.
— Não morreram em um acidente de carro. Foram assassinados, Bella. E você está em perigo.
Cada palavra foi como um soco no estômago, um golpe devastador que me deixou sem fôlego. Minhas pernas tremeram, e eu senti como se o chão tivesse desaparecido sob mim. Aquilo não podia ser verdade, não podia. Meus pais eram pessoas boas, pessoas amorosas que nunca fariam m*l a ninguém. E agora eles estavam mortos, e as circunstâncias eram mais sombrias do que eu jamais poderia ter imaginado.
A confusão dentro de mim era avassaladora. Quem faria algo assim? Por quê? E por que eu estava em perigo? As perguntas giravam em minha mente, como um turbilhão de pensamentos que eu não conseguia controlar. A sensação sufocante de estar presa em um labirinto de confusão e tristeza era esmagadora.
À medida que eu caminhava pelas ruas familiares, cada canto parecia relembrar momentos compartilhados com meus pais. O parque onde costumávamos passear, o café onde íamos juntos, a loja que meu pai adorava explorar. Tudo estava agora repleto de memórias dolorosas, lembranças do que costumava ser.
Cheguei em casa e entrei, que costumava ser cheio de vida e alegria. Agora, era um espaço vazio, um eco silencioso das memórias que compartilhamos. Deixei minha mochila cair no chão e me afundei no sofá, olhando para o vazio à minha frente.
Depois de me jogar no sofá, afundando nas almofadas como se quisesse desaparecer, um silêncio pesado envolveu o apartamento. O vazio ao meu redor parecia ecoar a dor que eu estava sentindo, e a sensação de solidão era avassaladora. As lágrimas ameaçavam voltar, mas eu lutava para contê-las. A última coisa que eu queria era ceder ao desespero que parecia me puxar para baixo.
Mas então, acima do silêncio, comecei a ouvir um barulho. Era quase como um arranhão suave, um som que eu não conseguia identificar imediatamente. Meu coração deu um salto, meu olhar fixando-se no teto como se fosse capaz de decifrar a origem do barulho. Meus sentidos estavam alerta, a ansiedade se misturando com a confusão.
Eu estava prestes a descartar o som como algo imaginado, um resultado do meu estado emocional tumultuado, quando a voz da minha avó chamou minha atenção. Ela estava subindo as escadas, e a preocupação em suas palavras era palpável. — Bella? Querida, o que aconteceu?
Minha voz saiu trêmula enquanto eu tentava expressar a angústia que eu estava sentindo. — Avó, você ouviu esse barulho? Está vindo de lá de cima.
Ela parou no topo das escadas, seus olhos se estreitando enquanto ela tentava escutar o som. O momento de silêncio se esticou, e então ela balançou a cabeça com um sorriso gentil. — Oh, querida, deve ser o vento lá fora. Às vezes, ele faz esses ruídos estranhos.
O alívio momentâneo me inundou, mas a ansiedade ainda persistia. Minha avó sempre tinha uma explicação lógica para tudo, mas aquele som parecia mais real do que apenas o vento. Eu queria acreditar nela, mas algo me dizia que havia algo mais acontecendo.
Respirando fundo, eu me levantei do sofá e subi as escadas em direção ao meu quarto. A cada passo, o barulho ficava mais alto, mais nítido. Era como se algo estivesse roçando contra a madeira, uma sensação arrepiante que percorria minha espinha. Eu chamei novamente pela minha avó, minha voz misturando-se com o barulho.
Finalmente, alcancei o corredor que levava aos quartos, e foi então que vi minha avó. Ela estava parada perto da porta do meu quarto, suas mãos ocupadas com roupas e objetos que ela estava colocando em malas abertas. Meu coração deu um solavanco, uma mistura de choque e confusão enchendo minha mente.
— Avó, o que está acontecendo? — Minha voz saiu trêmula, carregada de incredulidade. Eu me aproximei dela, meus olhos indo das malas para o rosto dela, buscando qualquer pista de uma explicação.
Ela virou-se para mim, e havia tristeza em seus olhos, uma tristeza que eu nunca tinha visto antes.
― Querida, eu sei que isso é difícil de entender, mas eu não posso mais ficar aqui. Não depois do que aconteceu.
Meu coração batia forte, minha mente lutava para processar suas palavras.
―Aconteceu? O que você quer dizer? ― Minhas mãos estavam trêmulas, a sensação de que o chão estava se abrindo sob meus pés.
Ela soltou um suspiro pesado, seus olhos encontrando os meus com uma mistura de dor e determinação.
― Bella, eu... Eu estava tentando te proteger. Mas não posso falar isso agora. Você tem que confiar em mim.
Eu senti como se tivessem tirado o chão debaixo de mim. O choque e a confusão eram avassaladores, e eu estava lutando para entender o que estava acontecendo. As palavras dela eram como um quebra-cabeça que eu não conseguia montar.
― Proteger? Avó, você está falando do que aconteceu com os meus pais? Do que aquele homem disse? ― Minha voz estava trêmula, uma mistura de desespero e raiva crescendo dentro de mim. Eu queria respostas, eu precisava delas.
Ela assentiu lentamente, seus olhos marejados.
―Sim, querida. Eu estou tentando te manter longe disso, longe do perigo. Por isso que estou arrumando as malas.
As lágrimas ameaçavam cair dos meus olhos, uma enxurrada de emoções me inundando. ― A verdade? Avó, você não pode me dar respostas vagas agora. Eu preciso saber o que está acontecendo. Por favor. ― insistir.