Bella
Estava chorando, as lágrimas estavam descendo do meu rosto enquanto lutava para entender o que estava acontecendo. As palavras da minha avó ecoavam em meus ouvidos, com aquela revelação inesperada que parecia impossível de acreditar.
— Nos mudar? Avó, a senhora está falando sério? Não posso sair daqui! Tenho amigos, escola, uma vida aqui! — Afirmo olhando para ela. Meu coração estava doendo com cada palavra que saía da sua boca. Estava confusa, assustada e acima de tudo, magoada. Eu esperava que ela me confortasse nesse momento difícil, não só pra mim, mas para ela também, porém em vez disso, ela estava me forçando a fazer algo que não queria e não entendia.
— Querida, nós não temos muito tempo, Agora preciso que você termine de colocar suas roupas na mala. Vamos pegar o ônibus... — Ela tirou o celular da cintura e olha, depois volta olhar para mim. — Falta poucas horas para o ônibus. Então se apresse, por favor. — A voz dela era calma, porém havia urgência nela que me fez tremer por dentro.
Minha mente estava uma bagunça, os sentimentos estavam conflitantes se chocando dentro de mim. Olhei para minha vozinha, meus olhos inchados de tanto chorar, buscando por uma explicação.
— Mas vó, por que? Por que estamos fazendo isso? O que está acontecendo? — Pergunto.
Ela não me respondeu, ficou um silêncio e isso só aumentou a minha angústia. Minhas mãos tremiam e me sentia perdida. Precisava entender, precisava de respostas.
— Vozinha, por favor. Me fale a verdade. O que está acontecendo? Por que estamos tendo que deixar tudo para trás? — Ela finalmente se aproximou de mim, sua fisionomia era séria e cheia de tristeza. Logo pegou na minha mão suavemente, o toque era reconfortante, mas podia sentir a serenidade por trás disso.
— Bella, eu sei que isso é difícil. Mas é a única maneira de nos protegermos. Vou explicar tudo quando estivermos seguras, prometo. — Suas palavras caíram como um peso sobre mim. Não queria deixar minha vida aqui... Minha casa, meus amigos. Eu tinha uma vida aqui, pessoas que gostam de mim. Mas a urgência na voz dela me fez perceber que havia coisas em jogo do que podia entender.
Olhei para a mala aberta e em seguida me aproximei. Vi minhas roupas espalhadas e a sensação de perda só crescia dentro de mim.
— Mas eu não posso simplesmente deixar tudo para trás. Não posso apenas desistir de tudo!
Ela foi ao meu encontro e apertou a minha mão com firmeza, seus olhos estavam com suavidade.
— Eu sei, querida. Entendo que isso está sendo difícil. Mas é a única maneira de nos mantermos seguras. Se tivesse outra maneira, juro que não faria isso, porém não tem, sinto muito. — Minha frustração e tristeza se misturavam, criando um nó na minha garganta que estava me impedindo de falar. Queria gritar, queria falar como me sentia perdida e magoada com aquilo. Mas, sabia que ela estava agindo por amor, por proteção. Só queria entender o que estava acontecendo.
Minhas mãos tremiam quando comecei a pegar minhas roupas e colocar na mala. Cada peça que colocava parecia um lembrete doloroso que estava deixando para trás. Me sentia que estava no pesadelo e que não terminava. Primeiro a morte dos meus pais, que ainda dói, agora estava fugindo do sei lá o que. Como se estivesse perdendo o controle da minha própria vida.
Enquanto continuava arrumando as minha coisas, as lágrimas não paravam de cair. Estava com raiva, triste, confusa. eu estava sendo forçada de abrir mão de tudo que conhecia... E estava ali a minha avó, ao meu lado como um lembrete constante que eu não estava sozinha.
Quando finalmente terminei de arrumar a mala, olhei para minha vozinha com olhos inchados de tanto chorar. Ela se aproximou de mim e me abraçou em seguida, me permitir me afundar no seu abraço. Minha avó estava fazendo o que achava ser melhor para nós duas, mesmo eu não entendendo completamente.
— Eu sei que está sendo difícil, querida. Mas vamos enfrentar juntas. Eu prometo. — Sua voz era gentil, mas podia ouvir tristeza nela também.
O ônibus começou a se mover lentamente, deixando para trás a cidade de Palermo e seguindo em direção a Taormina. Eu olhava pela janela, observando as ruas familiares e os lugares que eu costumava passar todos os dias. Era como se estivesse deixando para trás uma parte de mim mesma, uma parte que eu não sabia se conseguiria recuperar.
Minha avó estava ao meu lado, segurando minha mão com firmeza. Seu olhar estava distante, como se estivesse perdida em pensamentos. Eu sabia que essa mudança também era difícil para ela, mesmo que ela estivesse agindo com tanta determinação.
— Avó, como será lá em Taormina? — perguntei, minha voz carregada de curiosidade e ansiedade.
Ela olhou para mim, seus olhos encontrando os meus. Havia um misto de emoções em seu olhar - preocupação, tristeza, mas também uma determinação inabalável. — Taormina será um recomeço para nós, querida. Será um lugar onde poderemos começar de novo, longe dos perigos que nos cercam em Palermo.
Eu assenti, tentando absorver suas palavras. Era difícil imaginar um recomeço em um lugar completamente novo. Eu sabia que não seria fácil deixar para trás meus amigos, minha escola, tudo o que eu conhecia. Mas também entendia que minha avó estava fazendo isso para me proteger, para nos proteger.
— Eu só... Eu só sinto falta de casa, avó — admitir em voz baixa, sentindo as lágrimas ameaçando voltar.
Ela apertou minha mão com carinho. — Eu sei, querida. Eu também sinto falta. Mas lembre-se de que a casa é onde estivermos juntas. E vamos tornar Taormina nosso novo lar.
Concordei com um aceno, tentando sorrir apesar das lágrimas. Eu sabia que minha avó estava fazendo o que achava melhor para nós, e eu queria confiar nela. Mas era difícil deixar para trás tudo o que eu conhecia e amava.
Enquanto o ônibus continuava sua jornada, eu me permiti olhar para trás mais uma vez, observando as luzes de Palermo desaparecendo no horizonte. Uma nova jornada estava à nossa frente, e eu estava determinada a enfrentá-la, não importava o quão difícil fosse.