Bella
Caminhando para casa depois da aula, eu não conseguia tirar da cabeça o que minha avó tinha revelado. Meu pai, um mafioso? A ideia parecia tão distante da imagem que eu tinha dele. Sempre o vi como um homem de negócios, um pai amoroso, alguém que trabalhava duro para proporcionar uma vida boa para nossa família. Nunca suspeitei que ele estava envolvido em um mundo tão sombrio.
As ruas da cidade pareciam mais cinzentas e sombrias do que o normal, refletindo meu estado de espírito. Cada passo que eu dava era acompanhado por uma enxurrada de perguntas que não tinham respostas. Por que meu pai estava envolvido na máfia? Como minha mãe se encaixa nessa história? E por que eles foram mortos pelos Matarazzo?
As palavras de minha avó ecoavam em minha mente, e eu me sentia perdida em um turbilhão de emoções. Raiva, tristeza, confusão. Eu queria justiça para meus pais, queria entender por que eles tiveram que morrer daquela maneira.
Enquanto eu caminhava, senti meu celular vibrar no bolso. Era uma mensagem de texto de Ítalo, um amigo da escola. Ele estava me convidando para sair mais tarde, talvez para ir ao cinema ou dar uma volta. Normalmente, eu adoraria passar tempo com ele, mas naquele momento, eu precisava de espaço para processar tudo o que tinha aprendido.
Respondi a mensagem de Enzo, dizendo que estava ocupada naquela noite e que a gente poderia marcar outro dia. Eu sabia que precisava de tempo para mim mesma, para refletir sobre o que minha avó havia revelado e para começar a planejar o que fazer em seguida.
À medida que eu me aproximava de casa, a realidade do que eu sabia começou a se estabelecer. Minha vida tinha mudado de uma forma que eu nunca poderia ter previsto, e eu estava determinada a descobrir a verdade sobre meus pais e fazer com que aqueles responsáveis por sua morte enfrentassem as consequências.
Minha mente estava repleta de pensamentos tumultuados enquanto eu entrava em casa. Eu sabia que precisava descobrir a verdade sobre a morte dos meus pais, e isso significava enfrentar o mundo sombrio da máfia. A família Matarazzo era agora o foco da minha investigação, e eu estava determinada a desvendar os segredos que eles guardavam.
Cumprimentei minha avó na cozinha, mas não conseguia esconder minha preocupação. Ela percebeu imediatamente, mas não disse nada, apenas me deu um sorriso tranquilizador. Sabia que ela estava tentando me proteger, mas eu precisava saber a verdade.
Subi as escadas e entrei em meu quarto, fechando a porta atrás de mim. Era hora de começar a investigar, de descobrir tudo o que podia sobre os Matarazzo e seu envolvimento na morte dos meus pais. Abri meu laptop e comecei a pesquisar, mergulhando no submundo da máfia em Palermo.
Horas se passaram enquanto eu lia artigos, assistia a documentários e estudava as rivalidades entre as famílias da máfia na cidade. Os Matarazzo eram conhecidos por sua influência e crueldade, mas eu precisava encontrar uma ligação direta entre eles e meus pais.
Enquanto eu investigava, percebi que minha avó tinha vindo até o meu quarto. Ela estava parada na porta, observando-me com um olhar preocupado.
― Querida, você está se sobrecarregando com tudo isso ― ela disse suavemente, sua voz cheia de preocupação. ― Mas você tem que esquecer isso.
Olhei para ela, sentindo-me grata por sua preocupação, mas também determinada a seguir em frente com minha busca por respostas.
― Vovó, eu preciso saber a verdade. Como a senhora está me pedindo pra esquecer se essa tal Matarazzo matou os meu pais. Não posso descansar até entender por que os Matarazzo queriam a morte do meu pai ― respondi, minha voz carregada de determinação.
Minha avó suspirou e se aproximou, sentando-se ao meu lado na cama.
― Eu sei que você está querendo saber o por que ou qual motivo levou essa família a fazer isso? Mas esquece isso, eu lhe peço. Por isso que sairmos de lá, de Palermo e não quero você envolvida com esse tipo de gente, principalmente aquele homem que prometeu ao seu pai… ― ela disse parou na mesma hora o que estava dizendo. Olho para ela confusa.
― Homem? Promessa do meu pai? ― me levanto da cama, me afastando.
A menção da palavra "homem" e a referência à promessa do meu pai me fizeram estremecer. Lembrei-me dele instantaneamente. Era um homem que eu conhecia desde que era criança, mas minha última memória dele estava enevoada por um véu de tristeza e perda. Meu pai sempre o chamava de amigo, mas havia algo mais nele, algo que eu não conseguia entender na época.
Levantei-me rapidamente da cama, afastando-me da minha avó. As lembranças começaram a se agitar em minha mente, como um filme antigo sendo projetado em minha cabeça.
Lembrei-me de quando eu tinha quinze anos, no funeral dos meus pais. Enquanto todos estavam reunidos em nossa casa, tentando encontrar consolo na presença um do outro, ele estava lá. Tinha saído dali, não estava aguentando ficar ali, só de lembrar meu coração começa a doer com essa lembrança. Tinha saído e fui para o jardim para respirar um pouco e esse homem se aproximou de mim.
***
― Bella, eu sei que você está passando por um momento extremamente difícil, e a última coisa que quero é causar mais dor a você. Mas há algo que você precisa saber, algo doloroso e complicado… ― Ele disse, que estava na minha frente. Era um homem de 1,80, cabelo loiro escuro, estava usando um terno preto.
― O que o senhor pensa que está fazendo? ― Ouço a minha avó falando para aquele homem que estava diante de mim. Olhei para ela porque ele não podia ficar perto de mim.
― Ela precisa saber a verdade, por isso que estou aqui. Ainda fiz uma promessa para Marco, que vou cuidar e proteger sua princesa. ― Ele avisa e depois olha para mim. Com um olhar sereno com aqueles olhos verdes.
***
Me lembrei do homem que minha avó estava se referindo e da promessa. Olho para ela e me aproximo dela, que sento do seu lado da cama.
― Eu me lembrei vovó. Lembrei do funeral dos meus pais e ele estava lá e falou da promessa que fez para o meu pai antes dele morrer. Então vou falar com ele sobre a família Matarazzo e… ― Ela me corta.
― VOCÊ NÃO OUSA FAZER ISSO, NÃO VOU DEIXAR SE APROXIMAR DESSE HOMEM E DESSA GENTE QUE DESGRAÇOU A MINHA FILHA! ― Ela gritou, se levantou da cama e me fitou.