Capítulo 12

1509 Palavras
Bella Acabei de chegar em casa. Já era noite e eu estava exausta, pois foi uma longa caminhada até chegar aqui. Enquanto subia as escadas para ir para o meu quarto, ouvi a voz da minha avó ecoando pela casa, gritando meu nome e perguntando onde eu estava. — Bella! Bella, é você? Onde você estava, querida? — Sua voz era cheia de preocupação e, ao mesmo tempo, de alívio por me ver. A exaustão parecia desaparecer momentaneamente quando ouvi sua voz. Minha avó sempre se preocupava muito comigo, especialmente desde que perdi meus pais. Ela era minha única família agora, e eu sabia que sua superproteção vinha de um lugar de amor. — Estou aqui, vó! — Respondi enquanto continuava subindo as escadas em direção ao seu quarto. — Desculpe, perdi a noção do tempo. Ao entrar em seu quarto, encontrei minha avó sentada em sua poltrona favorita, com uma expressão que misturava alívio e preocupação em seu rosto enrugado. Seus olhos brilharam quando me viu, e ela estendeu os braços para me abraçar. — Ah, querida, você me assustou. Onde estava? Estava preocupada. — Ela segurou meu rosto suavemente entre suas mãos, como se quisesse ter certeza de que eu estava bem. — Eu sei, vó. Desculpe por isso. Só fui dar uma volta na praia, precisava de um tempo sozinha. — Expliquei, tentando acalmá-la. Minha avó sorriu, embora seus olhos ainda estivessem cheios de preocupação. — Você é como sua mãe, meu bem. Sempre teve esse espírito livre. Mas você sabe como é perigoso lá fora, especialmente à noite. Concordei com a cabeça, ciente dos perigos que rondavam nossa cidade. Nos últimos anos, a violência e a criminalidade haviam aumentado, e minha avó tinha razão em estar preocupada. — Eu sei, vó. Fiquei perto da praia, não me afastei muito. Ela assentiu, satisfeita com minha resposta, mas ainda preocupada. — Você é tudo o que me resta, Bella. Não quero perdê-la também. Prometa que será mais cuidadosa da próxima vez. — Eu prometo, vó. — Fiz a promessa sinceramente, sabendo o quanto significava para ela. Ela me abraçou novamente, e senti todo o amor e a preocupação que ela guardava por mim. Minha avó era minha âncora, minha única família, e faria de tudo para protegê-la tanto quanto ela fazia por mim. Depois de sair do abraço protetor da minha avó, expliquei que precisava tomar um banho e descansar, pois tinha aula no dia seguinte. Era meu último ano do segundo grau, e a pressão de escolher qual faculdade frequentar estava pesando sobre mim. Minha avó assentiu compreensivamente e me desejou boa noite antes de eu subir as escadas em direção ao meu quarto. Ao chegar ao meu quarto, me joguei na cama por um momento, sentindo o cansaço acumulado da caminhada pela praia. A brisa do mar tinha sido revigorante, mas agora eu só queria relaxar e descansar. Após um banho rápido que me ajudou a relaxar, vesti meu pijama e me deitei na cama. As preocupações sobre o futuro da faculdade e as incertezas sobre minha vida começaram a surgir em minha mente. Era um momento crucial para tomar decisões, e a responsabilidade pesava sobre meus ombros. No entanto, algo mais pesava em meu coração. As dúvidas que me atormentavam desde que eu era adolescente, desde a tragédia que tirou meus pais de mim. Por que tínhamos saído às pressas de Palermo como se fôssemos fugitivos? O que aconteceu com meus pais naquele dia fatídico? Não conseguia mais adiar essas perguntas. Eu precisava de respostas. Levantei-me da cama e, com determinação, fiz o caminho de volta para o quarto da minha avó. Ela estava sentada em sua poltrona, lendo sua bíblia. — Vó, posso fazer algumas perguntas? — Minha voz tremia um pouco, refletindo a ansiedade que sentia. Ela fechou o livro e sorriu gentilmente para mim. — Claro, querida. Você sabe que pode perguntar o que quiser. Respirei fundo, buscando coragem para enfrentar o passado que sempre pairava sobre nós. — Por que saímos de Palermo tão repentinamente, vó? Por que parecia que estávamos fugindo de alguma coisa? Sua expressão ficou séria, como se soubesse que esse momento chegaria eventualmente. Eu podia sentir a gravidade da situação pairando sobre nós enquanto ela ponderava o quanto deveria revelar. No entanto, eu não podia recuar agora, não depois de saber que meus pais foram mortos por causa de alguma coisa e não foi por acidente de carro. — Vó, eu preciso saber mais. Por favor, me conte tudo. — Insisti, minha determinação superando qualquer tentativa de mudar de assunto. Ela suspirou profundamente e fechou o livro da Bíblia que estava lendo, colocando-o cuidadosamente de lado. Seus olhos encontraram os meus, carregados de preocupação. — Bella, você é jovem e tem um futuro pela frente. Não quero que você se envolva com esse passado sombrio. — Ela tentou me dissuadir mais uma vez. ― Passado sombrio, como assim? ― Indago, olhando para ela confusa. Em seguida, ela se levantou vindo na minha direção, que me levou até a cama e sentamos na beira da cama. Minha avó olhou para mim com uma expressão preocupada, seus olhos carregando o peso de décadas de memórias sombrias. Ela tinha acabado de me dar uma explicação sobre por que tínhamos deixado Palermo às pressas, mas havia algo em seu olhar que indicava que havia mais a ser dito. — Esquece esse assunto… — Ela começou, sua voz repleta de tristeza. — Saímos de Palermo porque achei que seria mais seguro. E também não queria que você ficasse mais naquele lugar, senão você ia se envolver com aquela gente... — Sua voz tremia enquanto ela falava. — E não quero que aconteça com você o que aconteceu com a minha filha, sua mãe. O silêncio pairou entre nós, carregado de uma tristeza profunda. Eu sabia que minha avó estava se referindo à morte dos meus pais, um acontecimento que havia deixado cicatrizes profundas em nossa família. Eu tinha apenas quinze anos quando perdi meus pais, e minha avó havia assumido a responsabilidade de cuidar de mim desde então. — Vó, eu sei que é difícil falar sobre isso, mas eu preciso saber a verdade. O que aconteceu com meus pais? Por que eles foram mortos? — Minha voz saiu firme, mas também carregada de tristeza. Minha avó abaixou a cabeça por um momento, como se estivesse reunindo coragem para responder. Minha avó olhou para mim com um misto de tristeza e resignação, como se soubesse que esse momento chegaria eventualmente. Sua expressão ficou séria, como se estivesse prestes a revelar um segredo há muito guardado. — Está bem, vou falar a verdade. Acho que está na hora de você saber o que aconteceu com seus pais. — Ela começou, sua voz carregada de emoção. Meu coração começou a bater mais rápido enquanto eu me preparava para ouvir a história que minha avó estava prestes a compartilhar. Ela nunca havia falado abertamente sobre a morte dos meus pais, e a curiosidade e a tristeza estavam lutando dentro de mim. — Sua mãe era boa pessoa, Bella. Ela era uma bela voz, principalmente quando cantava na igreja, mas depois que conheceu o seu pai, mudou completamente, saindo da igreja por causa desse homem. — Minha avó começou a contar a história, e eu a ouvia atentamente. — Seu pai, Marco, era um homem de negócios em Palermo. Ele tinha uma empresa, mas o que a maioria das pessoas não sabia era que ele era dono de outra "empresa" secreta, uma que operava nas sombras. Eu arregalei os olhos de surpresa. Meu pai, dono de uma empresa secreta? Aquilo era uma revelação chocante. — Ele era o chefe da máfia em Palermo, Bella. — Minha avó disse, e suas palavras caíram sobre mim como um peso esmagador. Eu estava em choque. Meu pai, o homem que eu idolatrava, era o chefe da máfia em Palermo? Isso não podia ser verdade. Era como se o chão tivesse sido arrancado sob meus pés. — E sua mãe, sabia de tudo. Ela estava ao lado dele, apoiando-o em suas decisões. Eles eram um time, Bella, e faziam o que precisava ser feito para manter o poder e a influência da máfia. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto enquanto eu tentava processar a magnitude do que minha avó estava me dizendo. Minha família, aquela que eu achava que conhecia, estava envolvida em um mundo sombrio e perigoso. — Mas por que eles foram mortos, vó? — Minha voz saiu trêmula enquanto eu lutava contra as emoções que me consumiam. Minha avó suspirou, como se a resposta fosse tão dolorosa quanto a própria pergunta. — Eles foram mortos pelos Matarazzo, Bella. — Ela revelou o nome que eu temia ouvir. — Os Matarazzo eram uma família rival na máfia, e eles queriam o poder que seu pai tinha. As palavras dela caíram sobre mim como uma sentença de morte. Os Matarazzo, a família que havia tirado meus pais de mim, agora tinha um nome e um motivo.
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