Lucca
— FALA LOGO, p*****a! QUEM MANDOU VOCÊ PARA ME MATAR? — Esbravejo. Depois, solto para recuperar compostura. Mas estava perdendo a paciência com isso. Preciso descobrir quem mandou essa mulher para me matar, apesar de saber quem foi. Mas quero ouvir da boca dela. Seus olhos me encontraram, uma mistura de desafio e frustração neles. No entanto, ela permaneceu em silêncio por um momento, como se estivesse avaliando a situação.
— Não vou falar nada. — Ela respondeu finalmente, sua voz carregada de perseverança.
Me aproximei e peguei no seu rosto, segurando com firmeza, minha expressão endurecendo enquanto avaliava minhas opções. Eram poucas. Precisava de respostas, essa mulher tinha as respostas que eu queria.
— Você não tem muitas opções. — Retruquei, meu tom firme e determinado. — Se não falar, posso garantir que enfrentará consequências. — A olhei com um olhar desafiador, mas algo em seus olhos parecia revelar uma luta interna. Ela podia ser corajosa, mas eu estava determinado a descobrir a verdade. Por que essa mulher queria me matar?
A sala estava carregada daquela tensão que nos cercava. Minha mente estava acelerada, fico a observando, avaliando as possibilidades e riscos. Não sabia o que ela era capaz de fazer, mas não estava disposto a baixar a minha guarda.
— Foi a família Mattarazzo! — Finalmente, ela suspirou. Ela admitiu em voz baixa. — Eles me contrataram para te matar!
As palavras dela me atingiram como um soco. A família Mattarazzo, um nome que estava ligado ao meu passado e à tragédia que me abalou há cinco anos atrás. A revelação me deixou atordoado, precisava entender os motivos por trás disso. Espero que Romeo tenha descoberto algo.
— Por que? — Minha voz saiu ríspida, a indignação se misturando com determinação. — Porque eles querem me matar? — Perguntei. Ela hesitou por um momento, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras.
— Eles acreditam que você sabe demais, que você é um risco para eles. Querem eliminar qualquer ameaça.
Na minha mente, uma montanha-russa de emoções - raiva, tristeza e choque. A família Mattarazzo estava claramente envolvida em algo obscuro, mas o que seria? Eu os conhecia como inimigos do Marco, nunca gostaram de como meu amigo trabalhava e de como ele ficou rico tão rápido em menos de três meses. As vendas subiram muito, saímos das esquinas para casas de shows e festas de artistas. Nossa droga era melhor que qualquer outra, até mesmo da família Mattarazzo. Acho que foi isso que os deixou tão irritados. Mas não entendia essa obsessão de agora comigo.
— Onde eles estão agora? — A questionei, minha expressão era intensa para ela. Queria informações sobre o paradeiro daqueles que queriam a minha morte. E de repente me pergunto o porquê daquilo.
— Eles estão te observando, esperando para concluir o trabalho. — Ela suspirou. Me distancio da janela, indo até ela. Estava lidando com um inimigo invisível, alguém estava lá fora esperando ela concluir o serviço. Que merda! Me afasto dela, ando de um lado para o outro. Tenho que pensar em algo para essa situação. — Assim não vai te ajudar. De qualquer jeito, você está ferrado! — Ela deu um sorriso.
Dou um tapa no seu rosto.
— Cala a boca, v***a! Assim não consigo pensar! — Rosno. Depois, volto a olhar para ela.
— Pode me bater à vontade. Mas você não tem escolha: se me matar, o homem que está fora vai entrar e te matar ou eu faço o meu serviço, acabo com você de uma vez. — Ela conclui, rindo da minha cara. Que inferno! Tenho que pensar em algo rápido!
Volto a olhar para aquela mulher.
— Você vai contar a eles que conseguiu? — Pergunto, meu tom era frio e calculado.
— Sim... Eu vou... — Ela hesitou antes de assentir.
Eu sabia que tinha que agir rápido, que tinha que me proteger e descobrir o que a família Mattarazzo estava tramando. Olhei para ela por um momento, avaliando-a mais uma vez, antes de tomar uma decisão.
— Vou deixar você ir. — Disse com firmeza, soltando-a em seguida. — Mas quero que você saiba que, se cruzar no meu caminho ou se eles tentarem, não hesitarei em me defender.
— E acha que pode confiar em mim? — Ela me olhou com um olhar de alívio e também de desconfiança.
— Não confio em você. Mas vou te dar uma chance de recomeçar. Aproveite. — Minha expressão permaneceu inabalável.
Ela se levantou do chão, olhando-me por um momento antes de se afastar. Eu a observei sair da sala, minha mente ainda trabalhando nas informações que ela havia revelado. A família Mattarazzo estava de volta à minha vida de uma forma que eu não podia ignorar. Eu sabia que tinha que agir, que tinha que me proteger a mim mesmo e a qualquer outra pessoa que estivesse em perigo por causa deles. A batalha estava longe de terminar, e eu estava determinado a descobrir a verdade e garantir a minha sobrevivência.
Bella
Estava passeando pela praia, aqui em Taormina. Gosto de vir para cá quando quero tranquilidade. A brisa suave do mar acariciava meu rosto enquanto minhas pernas afundavam na areia fofa e dourada. O sol se punha lentamente, pintando o céu de tons quentes de laranja e rosa, refletindo nas águas calmas do Mediterrâneo. Era um espetáculo de tirar o fôlego.
Caminhar descalça pela praia, sentindo a textura da areia sob meus pés, sempre me conectava com uma sensação de paz interior. Era como se o mar sussurrasse segredos antigos, acalmando minha mente agitada e enchendo meu coração de serenidade.
À medida que avançava pela praia, observava as pequenas conchas e pedras que o mar havia depositado na areia. Cada uma delas parecia carregar sua própria história, um fragmento do vasto oceano que se estendia diante de mim. A natureza aqui era generosa, compartilhando suas maravilhas de formas sutis e delicadas.
Era um lugar que sempre me fazia sentir parte de algo maior, algo atemporal. Aqui, o tempo parecia desacelerar, permitindo-me apreciar os momentos simples e preciosos da vida.
Cada onda que se desfazia na praia era como uma canção suave, uma melodia que acalmava minha alma. Os pássaros marinhos dançavam no céu, aproveitando os últimos raios de sol do dia. Era um espetáculo natural que eu nunca me cansava de contemplar.
Encontrei uma rocha lisa e arredondada e me sentei, olhando para o horizonte. Era um lugar onde eu podia refletir, onde os pensamentos fluíam como as ondas do mar.
Enquanto o sol continuava a mergulhar no horizonte, a praia permanecia imutável em sua beleza intemporal. Sabia que voltaria aqui sempre que precisasse recarregar minhas energias e encontrar a serenidade que só esse lugar podia oferecer. Era o meu refúgio, depois desses cinco anos que passei. A morte dos meus pais e depois vim para cá, fugindo de não sei o quê?
Agora estou com vinte anos e quero explicações. Minha querida avó não pode mais me enrolar como fazia antes. Quero saber o por que saímos de Palermo. Depois faço isso, vou continuar aqui a assistir o pôr-do-sol. Está muito lindo.