– Você tem que me incluir na sua rotina, amor. – disse Sakura, enquanto se ajeitava nos ombros dele, pronta para dormir de conchinha, eles tinham combinado para um chamar o outro de amor por alguns dias – Não quero acordar todos os dias e ver que você não está mais do meu lado, quando acordar, quero que você me acorde, estamos entendidos?
Ela iria se arrepender amargamente pelo que tinha dito, de longe essa estava sendo a pior ideia que ela já tinha tido até hoje.
– Tudo bem, boa noite, querida.
(...)
– Acorda pra vida! – um abrupto grito fez Sakura pular da cama, ela já se levantou fazendo poses de ninja e fingindo que sabia lutar Kong Fu.
Mas depois que parou para analisar os fatos, era apenas Sasuke parado na frente dela, com uma toalha pequena no pescoço e vestido com uma regata branca e uma calça moletom cinza. Mesmo sem entender a razão, ela sentiu um frio percorrer sua espinha.
– Que horas são? – ela perguntou, só pra ganhar tempo mesmo.
– 5 da manhã.
– 5 da manhã? Sasuke ainda está escuro! – ela começou a reclamar enquanto sorrateiramente voltava para a cama – O que você ta fazendo?
– Você pediu para eu te incluir na minha rotina, o meu dia começa às 5 da manhã! – ela estava torcendo pra ele não dizer isso.
Sakura se agarrou nos travesseiros, dali ela não saia, dali ninguém tirava ela e ponto final, certo? Errado.
– Vamos, Sakura! – chamou ele, mas ela estava se agarrando ainda mais na cama, a vontade de seguir o marido era grande, mas o sono era muito maior – Anda logo, mulher. – ele chamou de novo, mas ela continuou lá abraçada no travesseiro, e segurava com uma força que quase rasgava.
Sasuke agarrou ela pelos pés, saiu puxando até que ela caísse da cama, com travesseiro e tudo. A rosada não gostou nada da forma com que seu precioso sono lhe foi tirado. Levantou do chão com uma cara de quem mataria alguém.
– Depois você grita o quanto quiser. – ele cortou ela assim que ela abriu a boca – Troca de roupa logo, já estamos perdendo tempo demais.
A rosada fez aquelas poses que mulher faz quando está com vontade de dizer algo, mas está com tanta raiva que não falar nenhuma palavra. Mesmo com uma tremenda vontade de ficar viúva de vez, ela foi até o closet – onde já tinha acomodado boa parte de suas roupas – e como sendo a mulher organizada que ela era (só que não) foi jogando tudo pelo chão de qualquer jeito até encontrar uma calça legging preta e uma regata branca, prendeu os cabelos e foi correndo escovar os dentes pra disfarçar o bafo do leão.
Sasuke ficou esperando ela terminar de se aprontar. Ele estava treinando sua paciência nível 394. Sakura demorou um tempão para ficar pronta, e quando ela saiu do banheiro ele percebeu que ela estava lavando o rosto e penteando o cabelo, mulher tem sempre algum motivo para demorar mais. Estar casado era tipo... Estar casado.
– Pronta? – ele perguntou, já estava quase arrastando ela até a porta.
– Não vamos tomar café? – ela perguntou com uma carinha que chegava a dar pena.
– Não.
Vocês tinham que ver como ela ficou triste, coitada, ela queria tanto comer antes de sair. Alguém já falou pra ele que saco vazio não para em pé?
Mesmo com uma enorme vontade de reclamar, ela se deu por vencida, pegou sua toalhinha – porque viu que ele também estava com uma – e o seguiu até a porta da frente, morrendo de medo só de imaginar o que eles iriam fazer a essa hora da madrugada.
Com o cu na mão, Sakura pegou o elevador junto com Sasuke, com uma raiva estampada na cara, ela estava toda emburrada e nem queria falar com ele, só falou pra dizer que ele tinha ficado um gato com aquela camisa apertadinha.
Desceram até o estacionamento, ela se animou achando que eles iriam pegar o carro, mas ele passou direto e continuou indo até um parque que tinha na rua ali de trás. E todas as previsões de Sakura se cumpriram. Parque + roupinha apertada + toalhinha branca = Correr.
– Vamos começar com uma corridinha, só pra se aquecer. – disse ele enquanto começava a se alongar com os braços.
– Quantos metros? – ela perguntou.
– 8.
Ela abriu um sorriso de orelha a orelha.
– 8 metros?
– 8 Quilômetros.
O sorriso sumiu completamente.
– Ta de brincadeira não é? – ela perguntou com aquele tom de quem estava rindo para não chorar – Por favor, diz que você está só brincando.
– Converse menos e corra mais.
Sakura estava completamente arrependida de ter pedido para acompanha-lo em sua rotina, poderia estar muito bem dormindo na sua bela caminha nessa hora, mas não! Ela tinha que dizer que queria ir com ele. Sakura e sua boca grande.
Sasuke começou a correr – estava correndo devagar na verdade – e a rosada ficava tentando acompanhar, ela não era nenhuma atleta profissional ganhadora de medalhas, mas até que estava conseguindo ir ao lado dele.
Depois de alguns metros ele começou a correr um pouco mais rápido, mais rápido até chegar na velocidade que eles costumava correr todas as manhãs, a essa hora ela já estava começando a suar.
Dois quilômetros depois e ela já estava com a língua pra fora. Três quilômetros e ela estava suando como uma porca, quatro quilômetros e ela se deitou no chão se recusando a correr mais nem que fosse uns poucos metros, estava muito mais do que sedentária.
Saúde mandou lembranças pra Sakura, fazia tempo que não via ela.
– Tudo bem, vamos dar uma pausa. – disse ele, catando os restos da esposa que tinham ficado jogados pelo chão.
Depois que recolheu Sakura do meio do caminho e a colocou em um banco, deu água à ela, esperou alguns minutos para que ela se recuperasse. Sakura estava com aquela cara de quem tinha morrido e ressuscitado no mesmo dia. Sasuke estava começando a se arrepender de ter trazido ela.
A rosada m*l aguentava respirar, estava quase tão cansada como quando transou com ele (nada no mundo iria deixa-la mais cansada do que aquilo).
– Por favor, me diga que vamos pra casa. – ela estava praticamente implorando.
– Você já cansou?
– O que você acha? – tinha que ver a cara de indignação que ela fez.
– Ta bom, vamos.
Ele se levantou e já ia dando os seus primeiros passos, quando olhou para trás e viu que Sakura ainda estava sentada no banco com os braços esticados para frente.
– Me leva. – pediu ela, estava fazendo aquela carinha de cachorro quando cai da mudança, tinha como dizer não?
– Nem vem que não tem.
Pois é, tinha.
– Por favor, Sasuke, você disse que queria ser um bom marido, bons maridos carregam suas esposas quando elas estão cansadas. – ela foi direto na ferida de novo, ele já estava começando a ficar cansado daquilo. Mas mesmo assim...
– Ta bom, mas é melhor não pedir mais nada hoje. – respondeu ele, vencido, já colocando Sakura no colo.
Ela estava muito satisfeita enquanto se ajeitava nos braços do moreno, estava se sentindo uma princesa em apuros que acabara de ser resgatada de sua torre no castelo. Ele tomou seu rumo de volta ao prédio, poderia ter sido bem pior, em seus dias normais ele corria 10 quilômetros, e ela não aguentou nem 5.
Sakura continuava agarradinha no pescoço do boy magia que ela tinha casado. Casada com um homem daqueles ela não precisava de mais nada, estava feita na vida, depois que transaram ela viu que além de bonito e rico, ele era muito gostoso.
– Você está indo muito bem, aliás, está ótimo, não é sempre que o marido trata a esposa assim, claro que às vezes você age feito um grosso, mas seus momentos de ternura compensam isso. – ela comentava enquanto era carregada para dentro do prédio.
Ele só sorriu de canto, não quis dizer nada, aquelas palavras já eram o suficiente e ele não queria que falando as esquecesse. Sakura o elogiava, mas dessa vez tinha sido diferente, de uma forma que ele não queria apagar, era sincera, um elogio sincero e na medida certa. Um grosso, mas sensível.
Entraram no elevador, mas Sakura ainda se recusava a descer dos braços do mesmo, estava adorando estar ali, e por sorte não tinha mais ninguém ali com eles, ou seja, ela podia dizer o que quisesse.
– Sasuke. – ela o chamou, e ele baixou os olhos para olhar para ela – Você é lindo.
Era interessante que mesmo já tendo escutado aquilo muitas vezes, vindo dela parecia ter sido a primeira vez.
– Você também é linda.
O elevador abriu no andar que eles moravam – na cobertura – e eles saíram dele. Foram para casa, abriu a porta, usando o bumbum de Sakura e depois fechou a porta usando ela de novo. E finalmente estavam em casa, lar doce lar.
Sasuke continuou com Sakura nos braços e foram diretamente para o banheiro, os dois estavam precisando de um bom banho.
Entraram no box, e vocês já devem estar imaginando a carinha que a Sakura fez. Essa mulher só pode ser ninfomaníaca!
– Vamos tomar banho juntos? – ela perguntou toda animada enquanto ele colocava ela no chão. Quase morreu dois dias atrás e já estava doidinha pra uma segunda rodada? Louca.
– Vamos.
Não deu tempo nem ele terminar a palavra e ela já estava tirando a roupa, tem gente que não nasceu pra ser freira. Por que estamos falando de freiras? Deixa pra lá.
A camisa, a calça, o sutiã, a calcinha, a cueca, e tudo foi ficando pelo caminho e sendo jogado para fora do box, e por fim, fecharam a porta de vidro. Hora do banho, queridinha.
Três segundos depois e ele já havia tomado os lábios dela da maneira mais bruta e dominante possível, Sakura adorava aquela pegada mais selvagem do marido. A forma com que ele apertava seu corpo e a conduzia para debaixo do chuveiro, como beijava seu pescoço e como se saboreava com o sabor de seu corpo. Havia se casado com aquele homem, no dia mais sortudo de sua vida.
– Aqui e agora? – ele perguntou.
– Já estamos sem roupa mesmo.