Sakura já tinha vestido umas quinhentas roupas, no mínimo, enquanto Sasuke continuava deitado na cama ainda sem roupa, depois de terem tomado um banho pós-sexo de reconciliação. Ainda faltavam duas horas para o show e ela já estava preocupada com a arrumação. Mulher é tudo desse jeito!
– O que você acha desse vestido? – ela perguntou enquanto se olhava no espelho e pra ele, vestida com um vestido preto justo no b***o e solta da cintura pra baixo.
– Sakura, você já vestiu uns quinhentos vestidos, e no primeiro já estava bom.
Essa era a lógica feminina, temos que testar todas as possibilidades, e ele ia ter que aprender isso de um jeito ou de outro.
– Amor, é um show da Lady Gaga, eu não posso ir de qualquer jeito! – começou a tagarelar, pronto agora ela fala mesmo – E dá pra vestir uma roupa? Sasuke você está pelado!
Ele fez uma cara de indignado que chegava a ser uma obra de arte, de longe esse foi o momento de maior indignação dele até agora.
– Eu estou na minha casa! – o moreno contrapôs – Fico pelado onde eu quiser!
Ela fingiu que ele não estava falando com ela e continuou experimentando mais roupas. E mais uma hora se perdeu enquanto ela entrava e saia do closet, vestia e tirava roupas e mais roupas, como se o mundo fosse se desmanchar em roupas.
Faltava menos de uma hora pro show, e Sasuke ainda estava pelado deitado na cama como quem não estava nem aí para a vida. Mas ele estava tão fofo roncando tão despreocupado que dava pena de acordar. Quer dizer, para algumas dava pena, porque a Sakura não é uma pessoa muito normal.
– Oh Sasuke! – ela gritou quando percebeu que ele tinha dormido – Vai vestir uma roupa!
Ele acordou bem chateado, estava gostando tanto de dormir, estava sonhando com a Lady Gaga enforcando a Sakura durante o show, foi um sonho tão lindo, ele não queria parar agora, ela estava quase arrancando as tripas.
O moreno levantou com a maior carranca do mundo, vestiu a primeira roupa que viu pela frente, que como costumeiro era uma calça preta um pouco rasgada e uma camiseta cinza, tudo muito simples, é, pode até ser um look um pouco jovem pra idade dele, mas com essa carinha de Playmobil que ele tem ninguém vai notar que ele já tem 32 anos.
E sakura tinha vestido um short jeans azul e uma camiseta branca escrito “A Diva Que Você Quer Copiar”, um All Star azul com uma meia invisível, era com essa roupa que ela pretendia ir, isso mesmo, pretendia, porque Sasuke não deixou ela sair de casa com aquele short de jeiti nenhum. Onde já se viu mulher casada com um shortinho daquele tamanho?
Ela acabou vestindo uma calça jeans azul, saiu de casa um pouco emburrada, mas isso faz parte dos ciúmes costumeiros de um marido que só te come e te faz raiva. Entraram no elevador com a rosada ainda reclamando da calça, vocês sabem como ela é, não assumia de jeito nenhum que já tinha 29 anos, quem perguntasse ela diria ter 21.
Já estavam na portaria, depois de minutos ouvindo aquela musiquinha chata de elevador, e é claro, um pouco amassados depois de uns pegas enquanto tentavam se entender, e só pra constar, tinha uma velhinha no elevador com eles, e se ela não estivesse ali eles teriam feito mais do que dar uns amassos.
– Esses jovens de hoje em dia! – a velha já saiu do elevador reclamando, tadinha, presa com esses dois loucos em um elevador apertado.
Eles m*l esperaram a velhinha sair que já estavam se acabando de tanto rirem, eu estou dizendo a vocês, temos que internar esses dois, porque juízo certo com certeza eles não têm.
– Eu disse que a velhinha estava olhando! – ela até bateu nele pra ficar mais convincente de que quem estava tentando evitar era ela.
Mas ele nem ligou, a velha tinha cara de ser uma daquelas que passa a vida espiando pra saber das fofocas alheias, que moral ela tinha pra falar deles? A vida é curta para se estar brigado, e eles só sabiam fazer as pazes transando, se bem que dessa vez não foi preciso consumar o ato, deu pra se reconciliar apenas com uns “beijinhos”.
Eles já estavam deixando o prédio, Sakura muito animada foi na frente, alegre e saltitando, e como na vida ela não tinha tanta sorte assim... Alguém tinha derramado sorvete nos degraus da pequena escada da frente, e ela foi com tudo pro chão.
Só foi parar quando já estava jogada na calçada do prédio, toda esfalerada e com o joelho rasgado, sem falar na dor insuportável que estava sentindo no calcanhar. Sasuke teria rido se não tivesse percebido a cara de dor que ela estava. Como o bom marido que era – só que não – ele correu para socorre-la.
– Sakura, você está bem? – olha que pergunta ele vez, perfeita pra levar um murro bem no meio da cara.
A essa hora o manobrista já tinha ido buscar o carro do moreno, que ele pediu educadamente sem dar nenhuma palavra apenas jogando a chave do carro nele.
– Claro que eu não tô bem! – ela gritou, viu, eu falei que ele tinha feito uma pergunta muito i****a – Parece que eu tô parindo um golfinho pelo pé!
Ela era um pouco exagerada, só um pouquinho.
– Fica calma, eu vou te levar para um hospital!
Ficar calma? Ele sabe com quem ta falando? É obvio que ela não vai ficar calma, quando é que a Sakura fica calma? Nunca! E muito menos quando está sentindo dor e sem conseguir levantar do chão. Ninguém sabia se o que era pior era a dor ou a vergonha de ter caído da calçada do prédio.
– Aqui o seu carro, Sr. Uchiha. – o rapaz entregou a chave, com a pressa que estava ele tirou a primeira nota que achou no bolso para dar de gorjeta, e pela sorte infeliz que o manobrista tinha era uma nota de 100 dólares, tem gente que nasce com isso sabe, mas vamos esquecer esse detalhe, o manobrista é um personagem de uma outra história, de uma outra autora que ainda nem nasceu.
O moreno pegou ela no colo e colocou com o maior cuidado do mundo – mentira – no banco do passageiro, já imaginando o trabalho que iria dar para tirar o sangue do estofado. Homem só enxerga isso mesmo, pergunta pro seu boy que você vai entender, e se você for homem, seja mais sensível quando a gente sangra no carro, não é culpa nossa ficar se cortando com tudo até com o vento.
– Anda logo, Sasuke, ta doendo!
É claro que ela tinha que começar a chorar, estamos falando da rainha do drama aqui, ela sempre tem que tentar deixar as coisas mais desesperantes do que realmente estão.
Ele com certeza vai pagar umas multas bem caras depois de ter ultrapassado dois sinais vermelhos e quase ter atropelado um guarda de trânsito, tudo por culpa de quem? Sakura Haruno Uchiha, sua nobre e excelentíssima esposa – que a essa hora ele já estava planejando como matar.
Quando chegaram no hospital, com Sakura chorando e sangrando no colo do moreno – só pra constar era um hospital particular, porque público não dá minha gente – uma enfermeira apareceu com uma cadeira de rodas, ele colocou ela sentadinha lá, enquanto a rosada era levada para ser atendida.
Estamos falando do Sasuke, ele é rico, rico pode tudo! Obrigada, de nada.
– Sasuke, não saí de perto de mim. – olha a manha que ela pediu, nem ta tão r**m assim, se brincar nem quebrou nada.
Ele foi com ela até o consultório do médico – daqueles médicos que cuidam dos ossos, que eu não sei o nome – e deixaram ela sentada na maca.
(...)
E lá estava Sakura, com um curativo no joelho e com o pé enfaixado, com aquela mesma cara de decepção costumeira que ela tinha. Quase chorando, e ao seu lado estava o lindo, o belo, o sexy e o poderoso Sasuke Uchiha, refletindo em como as coisas nunca saiam como o planejado com ele.
– Ótimo, foi só uma pequena torção, ela já pode ir pra casa, em alguns dias já vai estar andando normalmente. – informou o médico, aparecendo do além como todo médico costuma fazer.
– Maravilha! – exclamou a rosada tentando se levantar da cadeira de rodas em ela que estava sentada – Agora já podemos ir para o show!
Pobre iludida.
– Nem pensar, madame, repouso absoluto, não quero receber notícias de que você andou colocando esse pé no chão por uma semana!
O mundo dela caiu! Esteve tão perto, mas tão pertinho mesmo! E suas expectativas foram destruídas por causa de um pouquinho de sorvete na escadaria, a vida era tão ingrata com ela. Tenha pena, minha gente, ela está destruída por dentro. Já sentia o cheirinho de Lady Gaga, e agora virou fumaça.
– Mas que droga, nada nunca dá certo pra mim!