Não tire as Mãos do Volante, Sakura!

3167 Palavras
Um mês e dezesseis dias de casados, e contando, não que ele estivesse ansioso para o dia do divórcio, mas porque ele não queria esquecer mais nenhuma data comemorativa, e falando em data comemorativa, aquele era mais um daqueles dias, mas dessa vez ele estava preparado, e bastante preparado por sinal. E para melhorar a sua sorte naquele dia, ela simplesmente dormiu a manhã inteira, parecia que tinha morrido, dormiu tanto que nem se mexia, igualzinha a uma pedra! E ele reclama? Claro que não! Sakura dormindo, é Sakura boa. Mas já estava na hora do almoço, e por mais que Sakura quisesse continuar dormindo, estava na hora de acordar, para passar esse dia tão “maravilhoso” com seu marido lindo, sexy e gostoso. Eu não gosto do dia dos namorados, eu sempre estou solteira, acho que vou comprar um perfume da Malbec e sair por aí procurando um cara gato pra dar de presente, quem sabe ele me beija e me pede em namoro que nem no comercial. Desculpe gente, eu só queria desabafar. – Sakura, acorda amor. – ele foi todo fofo acordar ela, ai gente, ele estava tão meigo vestido com um avental azul de babadinhos – Acorda. Ela virou pra um lado, virou pro outro, se remexeu, se revirou, viu que não tinha mais para onde ir, e lentamente foi abrindo os olhos, sempre com aquela classe de dondoca que de uma hora pra outra ela inventou de ter. – Bom dia, amor. – era boa tarde, mas ele ser educado com ela – Feliz dia dos namorados. Ela abriu um sorrisão que m*l cabia na boca, nem acreditava que ele tinha mesmo se lembrado do dia dos namorados, era a última coisa que ela estava imaginando que ele fosse se lembrar. No fundo ela sabia que ele só estava querendo se desculpar do fato de ter prendido o pé dela no elevador, aquilo doeu que nem dá pra descrever, mas já estava valendo. – Feliz dia dos namorados, amor. – que lindo, ela até deu um selinho nele. Gente rica não tem bafo, bafo é coisa de pobre. – Que tal se a gente tomasse um banhinho juntos? Nem comecem a pensar besteira, por favor, é só um banho, vocês estão ficando piores do que a Sakura. É só um banho. Ok, ela também já estava pensando besteira, só o que tem na cabeça dela é besteira mesmo. – Eu ia gostar, iria gostar mais ainda se o meu marido forte maravilhoso me levasse no colo até o banheiro. Ela estava ficando muito m*l acostumada, ou simplesmente folgada demais. Mas como hoje é um dia muito especial, e o Sasuke está com um humor maravilhoso... É, era um dia bom pras manhas dela. Sim, ele realmente colocou ela no colo. Sakura estava muito satisfeita enquanto era carregada para dentro do banheiro, estava se sentindo a rainha da Inglaterra em pessoa, se dessem uma coroa pra ela não haveria pessoa mais feliz no mundo. A banheira já estava pronta, e como Sakura estava dormindo sem calcinha – entendedores entenderão – foi simplesmente tirar a camisola e colocar ela dentro da banheira cheia de espuma e com uma água quentinha. – Agora eu quero que você fique aí tomando um banhinho que o seu maridinho aqui vai terminar de fazer o almoço. Ela balançou a cabeça muito satisfeita e ele saiu, deixando ela alegre satisfeita dentro da banheira, mais feliz que p***o no lixo.   (...)   Quase uma hora depois, Sakura estava terminando de arrumar o cabelo, ela tinha vestido um vestido rosa rodado, e quando ela veste rosa... Vocês já devem imaginar como é que fica, até porque o cabelo dela é rosa. E lá foi ela, alegre e satisfeita ver o que seu lindo maridinho estava cozinhando, até porque o cheiro estava uma delícia, e ela já estava sendo conduzida apenas por aquele aroma delicioso de sabe-se lá o que. – Hum... Que cheirinho gostoso! – foi a primeira coisa que ela disse enquanto se sentava em uma das cadeiras da mesa – E que mesa linda, amor. A mesa estava mesmo muito linda, toda decorada com flores vermelhas e com um vaso maravilhoso no meio, quando a matéria era decoração Sasuke estava de parabéns. Aliás, em que matéria ele não está de parabéns? Ta legal, muitas, mas vamos dar um desconto pra ele. – Tudo por você. – derrete, Sakura, derrete. Tinha de tudo ali, era tanta comida que ninguém sabia se ele realmente queria agradar ou saber o quanto ela conseguia comer. Mesmo assim, não deixava de ser um ato muito carinhoso dele, afinal, os melhores maridos são aqueles que dão boas comidas, seja no bom sentido ou no m*l. – O melhor marido do mundo. – era assim que ela costumava elogiar. – Eu sei. – ele nem era convencido – Aqui tem tudo que você mais gosta, desde o frango – ai gente, o frango voltou – Até macarronada com almondega. Almondega? Cada um gosta do que quer, mas os gostos dela são um pouco esquisitos. – Você me conhece tão bem. – foi a última coisa que ela disse antes de atacar. Não precisamos descrever o almoço, todo mundo sabe que a Sakura come como um retirante que acaba de chegar de um jejum de quarenta dias no deserto de Padã-Arã. E o Sasuke come feito gente, ele foi educado por uma mãe que tinha noção do que era etiqueta. O frango foi despedaçado como se fosse feito de papel, ele não teve nem chances contra ela, a loba rosa purpurinada. Ela comeu de tudo, experimentou o que deu para experimentar, sem falar que limpou muitos pratos, e enquanto Sasuke comia uma colherada ela comia cinco, nem mastigava direito. Como é que ela come nessa velocidade e não se suja? Tem coisas nessa vida que não têm explicação. E que nós pobres e simples seres humanos nunca vamos entender. – Pra onde é que vai toda essa comida? – essa era uma ótima pergunta – Você come tanto e continua magra. Tem gente que nasce com essa sorte, como feito um condenado e continua pesando a mesma coisa. – Metabolismo. – só deu tempo ela falar essa palavra, porque continuou comendo. Ela não para enquanto o comida não pede arrego, ela come mesmo minha gente, come mais que aqueles lutadores de sumô, se fosse engordar na medida que come... Não passava nem na porta do prédio. – Quando você terminar, eu vou te dar o seu presente. Sakura acaba de terminar de comer, essa era a frase mágica pra ela parar. – Já acabei! – ela falou ainda com a boca – Cadê meu presente? Talvez se ele tivesse dito aquilo bem antes, teria economizado muita comida, tipo o suficiente para alimentar uma família africana inteirinha. – Vem comigo. Ela saiu da cadeira ainda limpando as migalhas da boca. Muito curiosa e extremamente satisfeita, a barriguinha já estava um pouquinho saliente do tanto de frango que ela ingeriu, mas nem dava pra notar muito, mulher sabe disfarçar quando está de barriga cheia. Se ela já estava curiosa, ficou mais ainda quando saíram do apartamento e entraram no elevador. O que poderia ser que ela tinha que descer para ver? Será que era um unicórnio? Ela estava torcendo para ser um unicórnio. Tudo bem, essas coisas não existem no Japão, mas ele podia ter comprado um cavalo e colocado um chifre nele, com um cartão de crédito dentro, até porque todo mundo sabe que cartões de crédito realizam muitos desejos. Sasuke estava falando no telefone, e Sakura estava se esticando para tentar ouvir, mas não obteve muito sucesso. Quando chegaram ao andar da portaria, ela estava quase tendo um treco de tanta ansiedade. – Cadê? Onde é que está o meu presente? – Ele já está chegando. Eles foram para a porta do prédio, e Sakura ficou olhando para todos os lados o tempo todo, claro, ela não se arriscou a descer a escada. Olhava como se um ET fosse brotar do chão no meio do asfalto, com os olhos mais arregalados do que os de um Lêmure. E de repente, do nada um carro vermelho lindo parou ali em frente a eles, e o manobrista desceu e foi em direção a ela, entregando a chave novinha na mão dela. Sakura está D-E-S-M-A-I-A-D-A. – Vai me dar um carro? – ela teria gritado se não estivesse quase tendo um enfarto. – Feliz dia dos namorados, amor. Sakura já estava dando aqueles pulinhos histéricos que mulher costuma dar quando está feliz demais pra se conter parada. – Obrigada, amor! – ela deu um beijão na boca dele, tipo um daqueles selinhos um pouco demorados e com bastante força que é capaz de arrancar os dentes – Eu amei! – Quer dar uma voltinha? – ele perguntou, na maior inocência do mundo. Foi aí que o sorriso de Sakura se desfez e acabou se tornando um daqueles sorrisinhos bobos de quem tinha que contar uma coisa que não queria contar. – É que eu não sei dirigir. – Não tem problema, eu te ensino.  Ele nunca tinha se arrependido tanto em toda a sua vida, mais uma vez sua tentativa de ser um bom marido o havia levado pelo cano, ou melhor, estava prestes a leva-lo diretamente para sete palmos debaixo do chão. Sakura no volante, perigo constante. Ele estava segurando o cinto de segurança com toda força que estava prestes a rasga-lo, nunca na vida Sasuke Uchiha sentiu tanto medo de passar dessa pra melhor. – Relaxa, amor, não vai acontecer nada, eu prestei atenção em como você dirige, e esse carro é semiautomático, vai dar tudo certo! – pra ela era fácil falar, quero ver dizer o mesmo dos eletrocardiogramas que Sasuke faria se saísse dali vivo. – [...] Santificado seja o Vosso Nome... – sim, ele estava mesmo rezando, não que achasse que Sakura poderia bater o carro, ele não achava isso, ele tinha era certeza! Ela não gostou muito de saber que ele já estava encomendando a própria alma, se estava com tanto medo assim nem deveria ter entrado no carro. Mas convenhamos, ele estava mais preocupado com o carro que custou uma fortuna do que com ele mesmo, homem é tudo desse jeito, pergunta pro teu tio. – Sasuke, para de ser medroso, não vai acontecer nada! Eles estavam em uma rodovia bastante parada, era uma das estradas que dava acesso à cidade vizinha, mas não era muito usada já que as pessoas da outra cidade não se davam muito bem com as pessoas de Konoha, eu não sei dizer porque, a vida é assim mesmo. Mas como ele sabia que tinha azar por natureza, tinha quase certeza de que um carro poderia aparecer do nada, não tinha uma única nuvem no céu, mas um raio poderia cair e derrubar uma árvore no caminho, algum poste poderia cair na sua cabeça, qualquer coisa, ele sabia muito bem com quem tinha casado. – Tudo bem, já pode dar a partida. – falou ele por fim enquanto se benzia e beijava um amuleto que tinha colocado no pescoço. – Cuzão. Ela não se importava de xingar ele, e ele não estava mais nem aí, ia morrer mesmo, e aliás, ele estava mesmo com medo, nem tinha pra que ficar dizendo que não, porque estava. Todo homem fica com medo quando a mulher está no volante, pergunta pro namorado, pro pai, pro tio, pra um estranho que tenha carro que vocês vão confirmar o que eu to falando. Sakura deu a partida e Sasuke mais uma vez apertou o cinto de segurança com as duas mãos, tentou respirar, mas nem isso ele estava conseguindo, e quando sentiu o carro saindo do lugar que o coração quase saiu pelo nariz. E a Sakura lá se achando a piloto de fórmula 1, Lewis Hamilton em pessoa! Tudo bem, o carro estava andando devagarinho, tudo nos conformes, 10km/h pra ter certeza de que nada sairia do planejado, Sasuke já estava começando a se acalmar quando as ironias da vida – ai que vida – lhe pregaram mais uma dessas peças de matar o velho. Uma ladeira surgiu do além e o carro começou a descer e a ganhar velocidade. Sasuke quase teve um surto, e Sakura ficou toda atrapalhada. E o que era 10km/h foi pra 40km/h e o que era 40km/h foi para 60km/h. E o que era uma pessoa completamente segura de si foi para uma pessoa que já estava concordando com o marido de que os dois iriam morrer! – Sakura, não tira as mãos do volante! – ele gritou ao mesmo tempo que o coração trocava de lugar com o fígado, quando viu que Sakura já tinha largado o volante e desistido da vida. – A gente vai morrer! – ela gritou que nem uma louca, que basicamente é o que ela já é. – Pisa no freio! Claro animal, a inteligência do mundo todo aqui nem tinha pensado em pisar no freio ainda. E como vocês sabem que ela é a pessoa mais atrapalhada e azarada do planeta Terra – ou Júpiter, ainda não situamos em que planeta ela realmente vive – no lugar de pisar no freio, o pé dela foi diretamente no acelerador. E o que era 60km/h foi na velocidade da luz para 120km/h. Agora sim o estomago tinha virado do avesso. E o “A gente vai morrer” tinha virado uma certeza absoluta entre eles. Mas como nós aqui pessoinhas saltitantes amantes de unicórnios sabemos, protagonista não morre, protagonista tem que ficar vivo até o final da novela. Ta, eu sei, isso não é uma novela, mas por favor, me deixem ser feliz e fingir que é – cara de sonho frustrado – eu sei que no futuro eu terei minha própria novela. Desculpa, eu fico só chateando a vida de vocês com meus desabafos, parei. Sasuke conseguiu meter o pé no freio antes que o carro começasse a capotar. Foi uma parada tão brusca que os dois ficaram estáticos só olhando para o além e pensando em como escaparam fedendo dessa. Dois segundos depois o Air Bag abriu. Se fosse um acidente de verdade eles teriam morrido, eu estou achando que uma certa concessionária vai receber um processinho gostosinho essa semana. A rosada estava lutando para enfiar o Air Bag de volta, mas a missão estava fracassando, Sasuke com raiva meteu a unha do dedo mindinho nele e estourou, queria mais nem saber de nada. Todo homem tem a unha do mindinho grande, pode reparar, é ótima pra coçar o ouvido. – Vamos pra casa, eu vou matricular em uma autoescola, dessas que as pessoas não têm amor pela própria vida.   (...)   Sakura estava frustrada, a primeira tentativa de aprender a dirigir nem tinha sido tão r**m assim, ta tudo bem, foi r**m, mas teria saído tudo bem se aquela ladeira não tivesse aparecido ali no meio da estrada. Quem coloca uma ladeira no meio da estrada? Esquece. E como toda mulher faz quando está triste ou com raiva, ou os dois. Ela estava comendo, agarrada com um pote de sorvete querendo matar um guaxinim de tanta raiva que estava pelas coisas nunca darem certo com ela, e pra completar estava assistindo um capítulo bem meloso da novela das sete. Foi aí que Sasuke passou por ela como quem nem queria nada, não devia ter passado. – Sasuke! – ela chamou, eu falei que ele não devia ter passado pela sala. Por três segundos Sasuke pensou se ia ou se continuava andando em direção à cozinha, ele olhou pro calendário e descobriu o problema, dia 13, três dias antes “das regras de mulher”, porque eu amo falar que nem a minha vó. E isso significava o quê? TPM. Tempo Para Matar. E ela já estava com raiva depois do que aconteceu com o carro, ele não podia arriscar que acontecesse mais nada. Não queria dormir no sofá de novo. Então ele foi até ela, sentou no sofá ao lado dela com o coração na mão. – O que foi, meu amor? Gente, ela olhou com uma cara de cachorro com fome. – Você acha que eu sou um desastre? – ela perguntou já começando a chorar, se agarrou na cintura dele e escorregou pro colo que nem manteiga derretida. Sasuke estava no meio daquele impasse masculino, ou fala a verdade e apanha, ou mente e tenta manter a mentira até enquanto der, até porque o mundo inteiro sabe que Sakura é mais desastre do que o furacão Katrina. – Claro que você não é um desastre. – ele escolheu mentir, não é nem louco de fala a verdade e perder o pescoço e ela estava perto de um pedaço dele que era muito precioso. – Então por que as coisas vivem dando errado comigo? Ah minha filha, você está pergunta isso pro Sasuke, ele ainda não se tornou um pai de santo de ultimo nível pra conseguir responder isso. – É só impressão sua. – ele não sabia o que falar. A rosada continuava triste e chorando como se o mundo fosse acabar. E Sasuke não estava conseguindo pensar em nada que pudesse alegrar ela, ele não queria dormir do lado de uma mulher que chorava e fungava a noite toda. – O que eu posso fazer pra te alegrar? Ele estava tão sem ideia que achou melhor perguntar, não tinha como ser muito caro, mais caro que o carro não tinha. – É que eu queria ter um filho.                   Sasuke está D-E-S-M-A-I-A-D-O.                 – Um filho? – ele perguntou completamente incrédulo, e ele nem sabia como é que eles tinham chegado naquele assunto. Sakura levantou de uma vez e ficou olhando pra ele com aquela cara de quem quer muito uma coisa e não tem pessoa no mundo que vá fazer ela mudar de ideia. – É, Sasuke, um filho. – ela confirmou como quem falava o óbvio – Eu tenho 29 anos, e você tem 32, se eu não tiver um filho agora, vai ficar cada vez mais difícil! É, ela tinha razão, não podia ficar esperando o resto da vida pra ter um filho, uma hora o relógio biológico vai marcar a ultima hora e as coisas não vão ser mais tão fáceis assim. E o Sasuke? Ele estava quase enfartando, e o coração dele já não estava muito bom desde o quase acidente com o carro. Sasuke tinha congelado, falou em filho as coisas começam a pegar, e ele já estava começando a tremer e a olhar pros lados como se estivesse esperando o caminhão do sorvete passar. Mordeu o lábio inferior, pois é, tinha um pequeno detalhe da vida dele que ele ainda não tinha contado pra ela, e pelo visto havia chegado a hora. – É que eu... – se enrolhou todo, tomou coragem, respirou fundo, talvez essa fosse a ultima vez que respirasse – É que eu já tenho um filho.
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