O cheiro de perfume barato no ar era tão forte que Gareth quase se sentiu nauseado.
Ele não tinha nada contra Paris, obviamente, mas ter que buscar seu irmão Henry em um milhão de bordéis sempre que iam até a cidade para visitar seus pais podia ser, por vezes, entediante. Andando ao longo do longo corredor do velho prédio, que em outros tempos muito provavelmente havia sido um hotel até mesmo respeitável, Gareth seguiu até a porta do quarto em que o homem barrigudo na entrada lhe dissera que seu irmão estaria. Ao seu redor, os grunhidos e gemidos falsos eram tão altos que ele teve que praticamente martelar a porta por alguns minutos, até que finalmente parecesse chamar a atenção de quem estava dentro.
Finalmente, depois do que parecia uma eternidade de resmungos e do farfalhar de roupas sendo colocadas, uma mulher loira abriu a porta, precariamente coberta por um vestido quase transparente de tão velho e cujo decote deixava muito pouco para a imaginação. De início, ela parecia claramente m*l-humorada por ter tido seu trabalho interrompido, porém, assim que seus olhos fixaram-se nele, esquadrinhando-o de cima a baixo, rapidamente um sorriso aprovativo e lascivo se espalhou por seu rosto pálido, quase cinzento.
- Olá, milorde. – ela recostou-se sobre a porta, com o francês arrastado tornando sua voz ainda mais convidativa – Gostaria de se juntar a nós?
- É um convite tentador, milady. – ele a respondeu em sua língua, com um sorriso fácil; afinal, desde seus 15 anos, havia descoberto que não tinha qualquer dificuldade em ser agradável e sedutor para com as mulheres, fossem elas quem fossem – Mas, infelizmente, tenho negócios inadiáveis a tratar com o seu cliente.
- Gareth? – a cabeça de Henry apareceu por detrás da mulher, parecendo cambalear enquanto se enfiava de volta nas calças e na camisa – O que está fazendo aqui? E posso saber o que aconteceu de tão importante para obrigar você a vir até aqui me interromper...?
- Eu vim buscar você. – ele respondeu o irmão, silenciosamente agradecido por ele não estar bêbado o suficiente para não ser capaz de vestir-se com agilidade – Vamos para a Inglaterra.
- O quê? – seu irmão congelou, com as mãos ainda na metade dos botões da camisa, enquanto a mulher agora lhes lançava olhares irritados, sem entender a conversa em inglês.
- O Duque morreu. – Gareth revelou, sendo capaz de dizer aquilo com mais frieza do que realmente sentia por dentro.
Durante mais de 14 anos, desde que havia deixado Londres quando era apenas um garoto, Gareth fora aprendendo a desprezar o Duque com cada fibra de seu ser, cada dia mais. Não apenas pela lembrança de como ele o havia tratado na única vez em que se viram, mas também porque, ao se tornar filho de Louis, ele finalmente havia aprendido o que significa o amor de um pai e a moral de um homem bom. Por isso, Gareth até mesmo sentira certo alívio ao ler a carta que chegara à casa de seus pais naquela manhã. O mundo seria um lugar imensamente melhor sem o Duque James Duncan, sem dúvida.
E, assim que retornasse à Inglaterra, Gareth se certificaria que Whiteshire se tornasse um lugar ainda melhor. Não que aquilo fosse lhe custar muito. Afinal, ele sabia que já havia alguém lá, cuidando para que a propriedade prosperasse e as pessoas fossem felizes.
Tentando limpar aqueles pensamentos antes que sua mente o levasse, como sempre levava, por caminhos indevidos, ele deu um último sorriso para a mulher carrancuda ali perto, saindo do quarto para esperar seu irmão no corredor. Felizmente, não demorou mais que alguns segundos para que Henry finalmente saísse também, ainda parecendo pasmo.
- Então... Você é o Duque agora? – ele lhe perguntou lentamente, parecendo estar tentando colocar os pensamentos em ordem.
- Vou me tornar em algumas semanas, quando chegarmos à Inglaterra. – Gareth deu de ombros – Quer dizer, quando eu, papai e mamãe chegarmos. Pode continuar em Paris, se quiser...
- E perder a oportunidade de desfrutar das vantagens de ser irmão de um Duque? – Henry gargalhou, jogando os braços sobre os ombros de Gareth enquanto os dois gargalhavam para fora do bordel – Mas é claro que não. Confesso que achava que o velho maldito ainda demoraria mais um pouco para ir para o inferno, mas, bem, que bom que finalmente foi. E então? Como você se sente?
- Aliviado... Mas ao mesmo tempo um pouco tenso. – Gareth confessou com um suspiro – Tenho esperado e me preparada para esse dia desde que tinha 12 anos, mas... Ainda assim... – ele hesitou, temeroso – Saber que finalmente estou prestes a me tornar Duque verdadeiramente dá a toda essa situação um peso muito maior do que eu poderia ter imaginado. Apenas espero estar pronto para arcar com todas as responsabilidades que o título pede...
- Não seja tão dramático. – Henry riu novamente, enquanto ambos subiam na carruagem em que Gareth havia chegado – Sabe, a maioria dos herdeiros pensa apenas no dinheiro e no poder que um título traz. Você é único deles que eu me lembro de já ter visto se preocupando dessa maneira.
- Bem, também sou o único deles que já passou fome. – ele respondeu o irmão, sarcástico – Por isso, não é como se eu fosse realmente uma boa comparação. Além disso, há mais nessa situação do que apenas o título... – Gareth refletiu, novamente se perdendo em pensamentos – Vai haver dúzias de pessoas sob minha responsabilidade. Eu terei que lidar desde com as finanças até os mínimos problemas internos do lugar. Por isso, não quero ser o tipo de nobre inconsequente e pedante que desperdiça dinheiro em drogas e em festas. Eu dediquei mais da metade da minha vida para me tornar um homem digno dessa posição e agora preciso me esforçar para fazer isso se tornar realidade! Não posso ficar perdendo tempo com frivolidades como festas, bebida...
- Ou a morena misteriosa? – a pergunta bem-humorada de Henry o fez literalmente congelar, fitando seu irmão com os olhos petrificados – Ah, vamos lá, não faça essa cara. Você realmente imaginava que eu nunca fosse notar?
- Do que você está falando? – Gareth perguntou lentamente, apreensivo com o quê exatamente Henry havia notado.
- Do fato de que você parece ter um estranho fetiche com um tipo específico de mulher. – seu irmão deu de ombros, ainda completamente despreocupado, começando a levantar um dedo a cada nova fala – Mulheres de pele clara, com cabelo escuro, olhos castanhos e p****s grandes... – a cada palavra de seu irmão, os ombros de Gareth foram ficando cada vez mais rígidos – Oh, e, é claro, o principal: mais velhas. – Henry piscou, zombeteiro – Eu posso ser distraído, meu caro irmão, mas sei identificar quando um homem está procurando uma mesma mulher em várias outras. Agora, vamos ao que interessa: quem é ela?
- Você realmente não sabe? – Gareth ergueu uma das sobrancelhas, surpreso.
- Oh, eu deveria saber? – Henry surpreendeu-se também, antes de colocar o dedo sob o queixo, reflexivo – Bem, vamos ver... Uma mulher mais velha com essas características físicas... Droga, não é uma das amigas da mamãe, é? Ela vai matar você...
- Você está chegando perto. – Gareth não pode evitar de sorrir um pouco, embora soubesse que sua mãe realmente ficaria chocada se soubesse quem era a morena que protagonizava todos os seus sonhos, desde o mais puritanos até os mais imundos.
- Mas que d***o, homem. – Henry gargalhou – Quer dizer que ela está na casa dos 50, como a mamãe?
- Não. Mas, mesmo que estivesse, isso não me incomodaria. – um sorriso lascivo se espalhou pelos lábios dele, o que pareceu aguçar ainda mais a curiosidade de seu irmão.
- O quão velha ela é, exatamente?
- 10 anos. – Gareth admitiu, perguntando-se se Henry adivinharia de quem ele estava falando, com aquela próxima dica – Seu aniversário de 36 anos foi há apenas dois meses atrás e eu lhe enviei para sua casa um buquê de flores e uma coleção de livros raros.
- Espere, livros? – agora seu irmão parecia mais surpreso do que nunca, franzindo profundamente as sobrancelhas grossas sobre os olhos azuis – Confesso que não era nesse tipo de mulher que eu estava pensando. Muito bem, isso faz dela uma dama culta e adequada, pelo menos na fachada. Um momento! – os olhos dele se arregalaram de repente – Uma dama mais velha... Ela não é casada é? É por isso que você mesmo não foi levar o presente? Por que vocês são amantes?
- Eu teria ido pessoalmente, mas estávamos muito distantes... – eles sempre estiveram, o que em momento nenhum o impedira de se apaixonar, mas Gareth não acrescentou aquela última parte – E, não. Não tive a sorte de ser amante dela, nem nada remotamente perto disso. Quanto a ser casada... Ela não é mais. Mas é muito recente.
- Aqui estava eu, esperando uma história indecente, e você me vem com um romance impossível entre um jovem herdeiro ilegítimo e uma senhora comprometida. – Henry balançou a cabeça, até que algo pareceu lhe ocorrer – Mas, espere, se você disse que ela já não tem mais marido... O que impede você de ter um caso com essa viúva, se parece querê-la tanto? De que importa que ela tem 36 anos e você 26? Nem sequer é tanto assim...
- Essa é a questão. Eu não quero apenas um caso com ela, Henry. – Gareth confessou, com um suspiro entristecido – Diabos, tenho estado apaixonado por ela talvez desde antes de saber o que isso verdadeiramente significava. Meus pensamentos estão com ela noite e dia. E, se um dia eu puder desfrutar do prazer de tê-la em meus braços, sei que não descansarei até que possa tê-la também no altar, aceitando tornar-se minha esposa... Minha por completo. – ele murmurou, tão encantado com aquela ideia que precisou trocar de posição no banco da carruagem, ao sentir seu m****o enrijecer.
- Nossa... – Henry divagou, impressionado – Eu desconfiava que havia uma mulher nos seus pensamentos já algum tempo... Mas nunca imaginei que estivesse apaixonado. E, principalmente, não tão apaixonado. Por um momento, pensei que estava recitando alguma daquelas peças shakespearianas extremamente entediantes da mamãe. – seu irmão gargalhou, antes de olhá-lo com curiosidade – Mas, isso ainda não responde minha pergunta: você é solteiro, rico, bem relacionado, culto... E agora vai se tornar um Duque! Vamos lá, Gareth, eu conheço você! Você já causou escândalos maiores que esse, falando m*l da nobreza e da burguesia na frente deles, nos bailes que já fomos. Mesmo que a idade dela cause um escândalo, não é como se você não fosse capaz de aguentar algumas fofocas durante uns dez ou vinte anos...
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria retornado a Londres assim que completei 18 anos e movido céus e terra para fazê-la minha... – ele revelou, com um suspiro triste – Mas... Ela não aceitaria.
- Como você pode ter tanta certeza? A maioria das mulheres abriria mão de qualquer coisa pela oportunidade de se tornar uma duquesa. Você pode se surpreender.
- Isso não significa muita coisa para ela. – Gareth deu de ombros, cabisbaixo – Ela já é uma Duquesa.
- Droga, homem! – Henry lamentou, movendo o corpo para frente, cheio de expectativa no olhar – Me conte de uma vez quem ela é, afinal!
Por um momento, Gareth permaneceu em silêncio, ponderando sobre quais seriam as consequências de finalmente confessar seu maior segredo para seu irmão. Porém, não foi necessário muito para que ele percebesse que nada de m*l sairia daquilo. Henry podia ser um libertino festeiro e inconveniente, mas não era um linguarudo.
- Araminta. – o nome dela finalmente deixou os lábios de Gareth, sentindo-se como um afago em seu coração e em sua libido.
- Ara... Espere... Araminta Duncan?! Como... A sua madrasta?! – Henry engasgou, incrédulo – Você está apaixonado por Minty Duncan!?
- Que bom que não estamos em Londres, ou a Inglaterra inteira também saberia agora, graças a toda essa gritaria. – Gareth resmungou, com os olhos estreitos – E desde quando você dois são próximos o suficiente para você chama-la de Minty?
- Tenha calma, Romeu. É apenas a maneira como papai e mamãe sempre se referem a ela, e você sabe disso... Mas, droga. Você poderia ter dito que ela era não apenas amiga da mamãe, mas também concunhada dela, hã? – Henry perguntou, ainda parecendo chocado – Diabos, Gareth... Isso sim seria um escândalo e tanto... Você se casar com a esposa do seu pai...
- Eu não ligo para isso. – ele revirou os olhos, desdenhoso – Para o inferno com aquele velho desgraçado e todo aquele conjunto de nobres pedantes que nos julgaria por isso. Eu me casaria com ela assim que colocasse os pés em Londres... Se ela me dissesse sim. – Gareth recostou a cabeça na porta da carruagem, derrotado – Mas você pode imaginar como isso é quase impossível. Araminta é uma das damas mais corretas e respeitáveis que já conheci. Ela ficaria horrorizada se soubesse a maneira como me sinto sobre ela.
- Bem, talvez não horrorizada... – Henry pareceu tentar animá-lo, embora ainda com os olhos arregalados – Mas, tão surpresa quanto eu? Com certeza. Quer dizer... Vocês não veem desde... Quando você era criança?
- Sim, eu sei. – Gareth suspirou – Acho que todo sentimento é difícil de explicar, mas o meu... O meu é especialmente impossível de se definir. Quando a conheci, eu era apenas um garoto sem qualquer esperança de futuro, com as unhas de Elizabeth cravadas no meu braço enquanto ela me mostrava para Araminta, querendo humilha-la ao dizer que a amante do marido fora capaz de lhe dar um filho e ela não... Mas Araminta não fez nada além de cuidar de mim e me dar uma família. E, desde aquele único dia, eu soube que ela seria especial para mim. Pode parecer loucura, mas, mesmo longe, a imagem dela nunca me abandonou. Todos os dias, quando eu era garoto, eu me sentia grato a ela e guardava cada carta que ela me mandava como se fosse um tesouro. Era puro e intenso, como se verdadeiramente eu estivesse tendo a oportunidade única de ser emocionalmente próximo a um anjo, que se importava e cuidava de mim, mesmo à distância. Porém, conforme fui crescendo e descobrindo as formas como um homem pode se sentir sobre uma mulher... Bem, acho que você pode entender sozinho o que isso significa para um garoto de 15 anos. De repente, a lembrança dela começou a não apenas me fascinar, mas também me atrair de um jeito quase enlouquecedor. Foi então, quando parei para refletir sobre tudo o que eu sentia... Me dei conta de que eu a amava. E sei que a amarei para sempre. – Gareth finalmente admitiu com um suspiro pesaroso, fazendo seu irmão surpreender-se mais do que nunca – Mesmo sabendo que meu coração está destinado a apenas ansiar por ela, para sempre.
- Tenha calma, Romeu. – Henry o interrompeu – Então você quer apenas ficar desejando ela para sempre? Sem nunca fazer nada? Por quê?
- Porque eu quero...? – Gareth repetiu, quase revoltado – Você não ouviu nada do que eu disse? Eu a quero mais do que tudo! Se fosse por mim, eu a teria não apenas na minha cama, mas também como minha esposa! Mas eu sei que Araminta jamais aceitaria se aproximar de mim com lascívia, muito menos aceitar participar do enorme escândalo que seria nos casarmos!
- E como você sabe disso? – seu irmão perguntou, desafiador – Vocês não se veem a mais de 15 anos, não é? Como pode ter tanta certeza de tudo isso?
- Ora... Me correspondi com ela esse tempo todo. – Gareth deu de ombros, embora um pouco abalado – Tenho relido praticamente cada uma das cartas dela todos os dias e sei, através daquelas palavras, que ela ainda me vê apenas como aquele garotinho indefeso, que ela precisa proteger. Em quem ela confia para assumir a propriedade e o título de Duque. Mas não como um homem. – ele lamentou, sentindo seu peito apertar.
- Então, você vai simplesmente se contentar com esse fato? – Henry perguntou, quase contrariado, o que o surpreendeu – Vai apenas se encolher em um canto e perder a oportunidade que tem de se aproximar dela, quando voltar a ela. Francamente, Gareth, eu esperava mais de você.
- O que quer dizer?
- Oh, homem, por Deus! – Henry exclamou, frustrado – Quer que eu desenhe para você? Você está voltando para a Inglaterra, onde vai se instalar na sua propriedade, o mesmo lugar em que Araminta está, uma mulher viúva, carente, que provavelmente não sente o toque de um homem a anos...
- Quer que eu a seduza? – Gareth piscou, não sabendo se de incredulidade ou de encantamento com o simples pensamento.
- Existem muitas formas de sedução, meu caro irmão. Confesso que geralmente vejo as mocinhas mais ousadas se utilizarem de técnicas de sedução para conseguir um casamento, mas acredito que um homem inteligente como você vai ser perfeitamente capaz de fazer o mesmo com eficiência. – Henry deu de ombros – Se Minty não vê você como um homem, então faça ela ver. Mostre coisas a ela que apenas um homem poderia mostrar a uma mulher. Convença-a de que um escândalo não é nada, perto de tudo o que você pode oferecer a ela em um casamento. – seu irmão balançou as sobrancelhas sugestivamente – Além do mais, papai e mamãe vivem repetindo que Araminta ama ser a duquesa e cuidar das pessoas da propriedade. Tenho certeza de que manter o título de Duquesa será um grande incentivo para que ela se case com você.
- É um plano arriscado. E não posso dizer que já não pensei nisso antes. – Gareth admitiu, com um suspiro – Ela pode simplesmente ficar terrivelmente ofendida com meus avanços e decidir nunca mais me olhar nos olhos novamente. E... Eu não sei se aguentaria me tornar mais distante dela do que eu já sou.
- Sinceramente, Gareth, acho que não há maneira de vocês dois ficarem mais distante do que já são. Ela enxerga você como o mesmo garoto que ela enviou para a França e você está parado aqui, choramingando, ao invés de agir. Você a ama tanto assim? Então porque não toma uma atitude sobre isso e ao menos tenta conquista-la? É bobagem lamentar a derrota quando ela ainda nem aconteceu. Não estou dizendo que Araminta com certeza vai aceitar você. – Henry coçou a nuca, como se estivesse se sentindo obrigado a dizer aquilo – Só estou dizendo que já vi você enfrentar situações piores que essa. Se realmente seu destino é nunca estar com ela, então que você possa dormir à noite sabendo que tentou lutar contra esse destino, ao menos.
Por um momento, Gareth se viu completamente sem palavras. Seu primeiro impulso, é claro, foi negar tudo aquilo e explicar ao irmão porque todos aqueles argumentos estavam errados. Como Duque, ele agora passaria o resto de sua vida em Whiteshire, mais perto fisicamente de Araminta que já estivera em toda a sua vida. O que significava, também, que estragar sua convivência seria o mesmo que sentencia-lo a passar mais incontáveis anos longe dela, agora emocionalmente. Porém, assim que abriu a boca para rebater Henry com aquele argumento, ele se viu obrigado a fechá-la novamente, ao se dar conta de que, na verdade, ele já estava emocionalmente afastado da mulher que amava, também. Afinal, ele era o único que estava apaixonado ali. As cartas que ele e Araminta haviam trocado ao longo dos anos, em segredo do Duque, deixavam claro como ela o via como alguém a ser cuidado e por quem nutria sentimentos muito puros. Na verdade, suas palavras sempre pareciam quase maternais, para o desespero de Gareth. Era muito provável que, assim que ele chegasse a Inglaterra, ela o recebesse com chá e bolo, como quando ele era garoto.
Não havia i********e emocional naquilo. Era puramente o relacionamento entre uma mulher e uma criança, para ela. Era aquilo que ele estava arriscando perder, ao deixar claro para ela quais eram seus sentimentos? Diabos, aquele relacionamento era algo que ele queria perder quando se tratava dela. De que adiantava se manter calado sobre seus sentimentos, apenas para tê-la ao seu lado, quando ela o trataria do mesmo jeito que às pequenas crianças que alfabetizava na propriedade? Afinal, ela seria realmente capaz de odiá-lo, apenas porque ele a via como uma mulher e queria que ela o enxergasse como um homem?
Bom, ele estava prestes a descobrir.
- Nós vamos para a Inglaterra... – ele disse, mais determinado do que já estivera em toda a sua vida, o que fez Henry sorrir – E eu não vou descansar até que Araminta Duncan me ame tanto quanto eu a amo!