bc

A Duquesa

book_age18+
366
SEGUIR
1.4K
LER
arrogante
menina boa
vitoriano
stepmother
seductive
shy
like
intro-logo
Sinopse

Anos atrás, quando não passava de um garoto pobre e assustado, Gareth Duncan foi salvo por um anjo, que o levou para longe de sua mãe maligna e lhe deu um lar amoroso junto a seus tios, mantendo-o seguro do pai que ele nunca conheceu: o terrível Duque de Whiteshire. Agora um homem feito, com a morte do antigo Duque, Gareth está de volta à Inglaterra, pronto para reivindicar aquilo o que mais desejou em sua vida... Algo que está longe de ser o título que acaba de herdar.

Quando descobriu que seu marido tivera um filho bastardo, Araminta Duncan não hesitara em tirar o doce menino da pobreza e dar-lhe uma família longe da Inglaterra. Quase 15 anos depois, agora viúva, ela tem esperanças de que Gareth possa ser o Duque bondoso, responsável e dedicado que seu terrível marido nunca foi para a propriedade que ela tanto ama. E, por mais que a ascensão do novo Duque signifique que ela terá que deixar seu próprio título para trás, Minty está mais do que feliz em ter de volta o garoto que conheceu no passado.

Porém, logo ela descobre que Gareth já não é mais um menino. E que ele acredita que ela deve manter seu título de Duquesa intocado: tornando-se esposa dele.

chap-preview
Pré-visualização gratuita
Prólogo – O Anjo
- Quem você pensa que é para exigir uma coisa dessas?!                Ao som daquele grito, que poderia muito bem rivalizar com o estampido de um trovão, Gareth instantaneamente se encolheu na cama em que estava sentando, precisando conter um gemido quando o movimento acentuou a dor em seu estômago, onde o Duque o havia acertado com sua bengala, momento atrás. Mesmo assim, ele finalmente venceu as dores que cobriam seu corpo, desde a causada pelo Duque até os cortes em suas costas vindos da correia de montaria de sua mãe, e mancou silenciosamente até a porta entreaberta do enorme quarto luxuoso em que estava. Tudo ao redor parecia enorme, limpo e brilhante, mas, incompreensivelmente, ele não conseguia encontrar dentro de si qualquer sentimento de admiração. Talvez porque cada centímetro daquelas paredes pertencesse ao homem furioso cujos gritos podiam ser ouvidos mesmo com tantos quartos os separando dentro daquela mansão.                É claro que ir até a porta não faria nenhuma diferença na distância, é claro, mas, por alguma razão, Gareth simplesmente não conseguiu se manter impassível na cama, sabendo com quem o Duque estava gritando tão enfurecidamente. Ele podia não estar vendo-os, mas sabia quem estar enfrentando a ira daquele homem tão corajosamente.                E, supreendentemente, enfrentando aquela ira para defende-lo.                - Eu sou sua esposa! E a Duquesa! É quem sou, meu caro Duque. – a voz altiva e feminina, erguendo-se pelas paredes com total valentia e nem sequer um sinal de hesitação, se fez ouvir – E, se exigir que assuma a responsabilidade pelo seu próprio filho o ofende tanto, milorde, então acho que isso já diz muito sobre a tal nobreza que você tanto gosta de dizer que você e seu sobrenome têm!                - Você quer que eu sustente um bastardo? – o Duque rugiu novamente, engasgando e sendo tomado por um forte acesso de tosse logo em seguida – Ficou louca, mulher?!                - Eu quero que dê àquele pobre menino o que é de direito dele! Sabia que a mãe o torturava simplesmente porque você não se casou com ela ao saber da gravidez? – aquele lamento verdadeiramente entristecido fez Gareth engolir em seco, desacostumado com aquela sensação estranha que era ter alguém genuinamente preocupado com seu bem estar – Ela veio até mim quando eu estava saindo da modista, me contar sobre como você jogou os dois na sarjeta quando descobriu sobre o bebê. E ela nem mesmo parecia ligar para o fato de que as costas dele estavam completamente ensanguentadas!                - Aí está você, sendo mais fria que o inverno novamente! – o Duque, o homem que ele se recusava por completo a chamar de pai, grunhiu, aparentemente ofendido – Eu dormi com outra mulher, uma vagabunda qualquer, e ela foi capaz de me dar um filho, ao contrário de você. – o jeito como a voz rançosa dele estava coberta de veneno ofendeu Gareth profundamente – Isso verdadeiramente não a deixa nem um pouco envergonhada do quanto você é inútil, Araminta?                - Não adianta tentar me atingir, James. – a Duquesa o cortou, não parecendo nem um pouco afetada – Acha que eu deveria me sentir inútil quando sei que dormiu com aquela mulher muito antes do nosso casamento, quando era saudável? E, se eu fosse você, me preocuparia com o bem-estar do menino que você chama de “bastardo”. Afinal, é plenamente possível que ele seja o único filho que você vai ter.                - Está me ameaçando, sua v***a?! – Gareth sentiu seu sangue gelar quando o som de algo pesado se estilhaçando contra a parede perfurou seus ouvidos, fazendo-o engasgar de pavor ao pensar que ele poderia tê-la machucado, quando o burburinho de alguns dos empregados se fez ouvir, enquanto ele continuava a gritar – E não se esquive de mim quando eu estiver lhe dando o que merece! A única razão de eu ainda não ter um herdeiro é porque você não serve nem sequer para engravidar, sua vagabunda maldita!                - É claro... – ele ficou aliviado ao ouvir Araminta desdenhar, aparentemente à salvo – Meu marido doente, acamado e impotente não tem nada a ver com isso...                O Duque aparentemente tentou retrucar, enraivecido, mas foi novamente acometido por uma forte crise de tosses e engasgos, que distorceram por completo suas palavras. Um longo momento caótico se passou com as vozes e passos apressados dos serviçais se misturando enquanto aparentemente o acudiam, até que finalmente a voz de Araminta se fez ouvir novamente, com um suspiro pesado.                - Muito bem, aparentemente você não vai ouvir a voz da razão. E muito menos fazer o que é certo. Vou enviar o menino de volta para o lado da mãe, então... – ao mesmo tempo em que a tosse do Duque começava gradualmente a diminuir, Gareth teve que conter a onda de lágrimas que repentinamente ameaçou dominá-lo – Para os cortiços sujos nos limites da cidade, onde é muito possível que ele morra de frio, de fome ou de cólera... Ou talvez até mesmo antes, depois que a mãe descobrir que, mesmo depois de todo aquele escândalo no meio da rua, ela ainda não vai conseguir nem mesmo um tostão para criar uma pobre criança que é responsabilidade de vocês dois, quer você queria ou não, James.                - Cale o d***o da boca, mulher! – mesmo ainda enfurecida, a voz do Duque soou fraca e sem fôlego – Coloque-se no seu lugar e jogue aquele moleque no lugar dele: na sarjeta!                - Pois bem! – a Duquesa retrucou friamente, com a voz cheia de desprezo – É o que farei!                Enxugando rapidamente as lágrimas que haviam começado a escorrer por suas bochechas descontroladamente, Gareth esforçou-se para conter alguns soluços pesarosos, enquanto tropeçava em direção à cama novamente. Não havia razão para ele se sentir traído, ou até mesmo desolado, pela Duquesa estar tomando a decisão de manda-lo embora. Afinal, sua mãe, Elisabeth, sempre odiou a esposa de seu pai e, quando finalmente teve a oportunidade de encontra-la frente a frente, não perdeu a oportunidade de demonstrar isso ou de esfregar na cara dela que havia tido um filho do Duque, mesmo Araminta sendo a única com o título de nobreza, a fortuna e o status. Sua mãe podia viver cantando aos quatro ventos que era mais bonita do que a Duquesa, mas, agora que finalmente a conhecera, Gareth finalmente percebera que o Duque tivera mais razões para escolhê-la, ao invés de sua mãe, para além do fato de sua mãe ser a filha “perdida” do segundo filho de um Barão falido. Araminta podia não ter os cabelos cor de mel e os olhos azuis de sua mãe, mas ela tinha uma beleza suave que Gareth considerava muito mais admirável. Uma beleza que estava não apenas em seus os cabelos negros e olhos castanho-escuros, mas também em suas maneiras altivas e ainda assim delicadas, sua postura educada, sua voz doce... E em seu sorriso gentil, o mesmo que ela lhe dera no dia que eles haviam se conhecido, mesmo enquanto sua mãe fazendo uma cena em frente a ela e tudo o que ele podia fazer era encontrar seu olhar, mortificado e envergonhado.                E, quando sua mãe começara a sacudi-lo pelo braço em frente a ela quase ao ponto de quebra-lo, gritando sobre como ela que deveria ser a Duquesa, já que Gareth era o único filho conhecido do Duque e todos sabiam que Araminta não estava sendo bem-sucedida em gerar um herdeiro, tudo o que ela fez, para a surpresa de todos, inclusive a de Gareth, foi pedir que seu cocheiro o libertasse do aperto de sua mãe e o levasse para dentro da carruagem.                - Sabe, por um momento eu até mesmo considerei ajuda-la, madame. – Araminta retrucara tranquilamente para sua mãe, não parecendo nem um pouco enciumada pelo fato de seu marido ser o pai do filho de outra mulher – Não posso desculpar o comportamento do meu marido por tê-la desonrado, mesmo que isso tenha acontecido antes do nosso casamento. Mas, está errada se acha que a escolha dele em me desposar teve qualquer interferência da minha parte. E, agora que já deixou bastante claro que toda essa sua gritaria foi apenas uma tentativa ridícula de tentar me envergonhar publicamente e curar um pouco do seu orgulho ferido, então eu peço que não me dirija a palavra novamente ou volte a se aproximar da única pessoa realmente inocente em toda essa situação. – ela tinha olhado por cima do ombro na direção de onde ele estava sentado na carruagem, bastante consciente de que estava sujando o banco com o sangue de suas costas e a terra de suas mãos – Veio até aqui para reivindicar os direitos do seu filho por ele carregar o sangue do Duque? Pois muito bem. A partir de agora, eu vou me encarregar da tutela do menino, o que significa que a moradia, a educação e o bem-estar dele agora estão sob minha responsabilidade. – mesmo de onde estava, Gareth foi capaz de vê-la estreitar os olhos para sua mãe – Por isso, eu vou lhe advertir apenas uma vez, madame: se eu a vir perto daquela pobre criança novamente, ou pior, tocando em um único fio de cabelo dele novamente, garanto que passará o resto de seus dias vendo o sol nascer pelas barras da prisão. Fui clara?                Pasmo, pela primeira vez em seus 12 anos de vida, Gareth viu sua mãe ficar completamente sem palavras. Se por conta da extrema autoridade na voz da Duquesa, ou apenas por ter ficado engasgada com seu próprio ódio, ele não sabia. Independente disso, ela só pareceu recuperar sua voz quando Araminta já estava sentada na carruagem ao lado dele, sem parecer se preocupar com o quanto ele estava sujo, como todas as crianças que viviam nos cortiços nas margens da cidade sempre estavam. E, enquanto eles começavam a se afastar dali e Gareth olhou pela janela para ver sua mãe gritando a plenos pulmões na rua, exigindo que ele fizesse a Duquesa deixa-la entrar e “tomar seu lugar de direito”, tudo o que ele foi capaz de sentir foi alívio. Quando era mais novo, ele chegara a alimentar a fantasia tola de que ela algum dia se importaria com ele, da maneira que fosse. Mas, depois de tantos anos de surras e ofensas vindas do fato de que o nascimento dele não fora o suficiente para torna-la Duquesa como ela tanto desejava, até mesmo o futuro incerto e desconhecido para o qual Araminta o estava levando parecia mais atraente do que continuar dormindo no chão frio do quarto em que ele vivia desde bebê, sempre com fome e com hematomas em todos os lugares, depois de mais uma crise de fúria de sua mãe. - Vai ficar tudo bem, eu prometo. – o toque carinhoso de Araminta em seus cabelos o despertara de repente, e, conforme ele olhou para ela e os gritos coléricos de sua mãe foram ficando cada vez mais distantes, a sorriso gentil que ela lhe deu o fez corar – Não tenha medo. Ninguém nunca mais vai machucar você. E, estupidamente, ele acreditara nela. Ele havia depositado toda a sua confiança nela conforme eles chegaram na imensa e opulenta propriedade do Duque, Westbright, e ela havia lhe providenciado um banho, roupas novas e a melhor refeição que já comera em toda a sua vida... Até que o Duque aparecera na sala de repente, com passos pesados e vacilantes mesmo com a ajuda de uma bengala, tossindo sangue por todo lado e com um olhar colérico nos olhos ao vê-lo ali. Aparentemente, a fofoca de que o filho bastardo do Duque estava na propriedade havia corrido rápido demais, e nem todos os empregados eram leais o suficiente à Araminta para impedir que aquilo que chegasse até os ouvidos de James Duncan III. Ou para impedir que ele o tivesse acertado no estômago com a bengala de cobre maciça logo em seguida, por mais que Araminta tivesse tentando se colocar no caminho, sem sucesso. Por isso, enquanto se encolhia entre as cobertas na cama e aguardava pelo momento em que ela viria até ali para expulsá-lo, Gareth percebeu que não conseguia sentir raiva da Duquesa. Afinal, o que mais ela poderia fazer por ele, se o Duque jamais o aceitaria? E, sendo sincero consigo mesmo, ele teria se sentido muito pior se o Duque tivesse acertado aquele golpe em Araminta, ao invés dele. No final, ela havia feito tudo o que era possível por ele, trazendo-o até ali e fazendo, mesmo que por pouco tempo, algo que nenhuma outra pessoa já feito: cuidado dele. Ela lhe prometera que agora a vida dele seria diferente, que ele nunca mais sentiria fome ou frio e que, em breve, ela mesma o ensinaria a ler e a escrever. Ela havia pessoalmente cuidado das feridas em suas costas e escutado enquanto ele contava sobre como a mãe o tratava, mesmo ainda com medo. E, em seus olhos, ele havia visto algo com que não estava acostumado e, que sendo fraco, m*l sabia exatamente o que era: preocupação. Para com ele. Por isso, por mais que tudo tivesse dado errado, ele sempre seria grato à Araminta Duncan por ter sido a primeira e única pessoa a se preocupar com ele em sua vida. Talvez o único a estar errado ali fosse ele, que ousara criar esperanças e sonhos que jamais seriam alcançáveis. Agora, graças a isso, mais do que nunca, ele estava sozinho no mundo. Restava-lhe apenas implorar para que Araminta o largasse em uma viela qualquer das ruas, ao invés de leva-lo de volta para sua mãe, como tinha dito que faria. A Duquesa era gentil e, mesmo não devendo, Gareth tinha esperanças de que ela compreenderia qual o destino que ele teria se voltasse para sua mãe após tê-la deixado para trás naquela rua, com a notícia de que, nem sequer com o intermédio da Duquesa, Elisabeth receberia algo do Duque... - Gareth? Você está bem? Seus ferimentos ainda estão doendo muito? Pulando um pouco de surpresa, e novamente tendo que conter um gemido por conta da dor que aquilo lhe causou, Gareth observou, pesaroso, enquanto Araminta entrava no quarto, com as feições pálidas agora um pouco mais coradas, aparentemente por conta da discussão com o marido. Encolhendo-se tristemente, ele apenas balançou a cabeça enquanto se afastava até a beira da cama, desejando que ela acabasse logo com aquilo. Doía saber que eles nunca poderiam fazer tudo o que ela lhe prometera. Doía saber que ele nunca mais a veria: a única mulher que já se importara com ele. Doía saber que, a partir dali, sua vida se tornaria ainda pior do que já era. - Tem certeza de que você está bem? – claramente preocupada, algo que apenas fez o coração dele doer mais, Araminta foi se sentar na cama ao lado dele, acariciando delicadamente seus cabelos, agora mais limpos do que já estiveram em toda a sua vida – Você parece tão abatido... O que acha de eu pedir para Mary preparar mais um bule de chá com leite? Você pareceu ter gostado tanto durante o lanche... - Eu sei que você vai me mandar embora. – ele a interrompeu, com uma voz quase quebradiça, de tão cabisbaixa – Eu escutei, então... Não precisa ser tão gentil – Gareth suspirou, tentando conter as lágrimas – Não culpo a senhora, Duquesa. Sei que ele não vai me deixar ficar... Então... Eu compreendo, de verdade. - Oh, querido... – Araminta lamentou, surpreendendo-o ao puxá-lo para um abraço quente e extremamente confortável, que o deixou mais corado do que já estivera em toda a sua vida – Sinto muito que tenha ouvido tudo aquilo que aquele homem odioso disse. – a Duquesa rosnou, baixinho – E sinto muito que tenha que ter me ouvido mentir, também. Mas saiba que o que eu disse não é verdade. - Como assim? – Gareth questionou, tentando conter a onda de esperança que ameaçava tomá-lo. - Infelizmente, de fato não terei como manter você aqui, como eu gostaria. Não com aquele grande ogro detestável por perto. – a Duquesa resmungou, totalmente desgostosa – Mas se ele pensa que isso vai me impedir de cuidar de você, está muito enganado! – ela o avisou, parecendo triunfante – Ouça, agora mesmo, antes de vir até aqui, mandei minha grande amiga e camareira enviar uma carta para seu tio Louis. Ele é irmão do Duque, mas prometo que eles são homens extremamente diferentes. Seu tio é um diplomata e está atualmente vivendo na França. Ele é um homem culto e muito gentil, assim como sua esposa, Penelope. Além disso, sei que eles também sempre quiseram ter mais um filho, além do seu primo Henry, que é um rapazinho um pouco mais novo que você... - Por que... – Gareth a interrompeu, temeroso e confuso – Por que você está me dizendo tudo isso? - Porque eu não tenho dúvidas de que eles vão acolher você, querido. – Araminta abriu um sorriso luminoso, que novamente o fez corar profundamente – Seus tios vão poder lhe dar o lar cheio de amor, alegria e tranquilidade que você merece! E eu lhe prometo que nunca, nunca mais, você vai sentir fome... Ou a dor de um tapa novamente. – Gareth pode enxergar em seus olhos a mesma culpa que observara quando Araminta não havia sido capaz de impedir que o Duque o acertasse com sua bengala – Além disso, com Louis e Penelope, você terá acesso a uma educação fenomenal. E tenho certeza de que, em alguns poucos anos, já terá se tornado um futuro Duque exemplar. Quer dizer... – Araminta se interrompeu, de repente encabulada – Se você quiser, é claro... - Duque? – Gareth engasgou, extremamente pasmo – Como assim? - Você é o único filho do seu pai, querido. – a Duquesa lhe explicou, gentilmente – Esse título pertence a você, por direito. Mas prometo que não vou forçar você a nada. Se, quando seu pa... Digo, o Duque falecer e você tiver idade o suficiente para assumir o título... Juro que vou apoiar você, caso decida que não é isso o que quer. Mas, se você decidir que quer ser o próximo Duque, Gareth... – ela colocou a mão sobre seu ombro, amorosamente – Então eu ficarei mais do que feliz em acolher você, nessa mesma propriedade, quando for um adulto. - Por que você quer que eu me torne o Duque? – ele perguntou-lhe, tentando não soar acusador – Não... Não quer que o seu próprio filho se torne o Duque, algum dia? – inexplicavelmente, Gareth sentiu um repentino embrulho no estômago ao imaginar uma criança filha do odioso Duque com alguém tão incrível quanto Araminta. - Bem... Essa é uma pergunta repleta de questões de adulto, querido... – Araminta gaguejou, encabulada – Mas... Vamos apenas dizer que eu não acho que eu e o Duque vamos ter um filho algum dia. Por isso, eu ficaria muito feliz e orgulhosa em saber que poderei ajudar você a se tornar um Duque culto e valoroso, digno de assumir o título e o controle desta propriedade. Essa terra já passou por muita coisa... – ela suspirou, pesarosa – Eles precisam muito que o próximo Duque seja um bom homem. E eu tenho certeza de que você será. – ela sorriu, ruborizando-o novamente. - Você... – Gareth engoliu em seco, inseguro de qual seria a resposta dela para sua pergunta – Você não se importa que eu seja um bastardo?                - Oh, querido... – Araminta sorriu amavelmente, puxando-o para ainda mais perto – Isso não poderia importar menos para mim... – ela fez uma pausa momentânea, antes que seu tom se tornasse baixo e confidencioso, embora também caloroso - Sabe, minha mãe também não era uma filha legítima. Quando se apaixonaram, ela e meu pai tiveram que abrir mão de muitos privilégios da alta sociedade para poder enfrentar os boatos e o escárnio dos outros nobres. Na verdade, essa foi a razão pela qual acabei me casando com o Duque. – Gareth se surpreendeu com aquela confissão, dita em um tom triste. – O casamento do meu pai acabou comprometendo alguns dos negócios dele enquanto um duque e isso acabou se estendendo para o meu irmão mais velho. – ela continuou, cabisbaixa - Eles até mesmo tentaram me impedir, há 3 anos, quando o Duque me pediu em casamento. Mas eu sabia que meu casamento seria a melhor oportunidade que teríamos para recuperar parte das conexões que nossa família perdeu com o casamento deles, especialmente na questão do comércio, o que impediria a propriedade de falir. Meu casamento pode não ter sido o conto de fadas romântico com o qual sonhei desde criança... – Gareth a observou lutar para manter o sorriso no rosto – Mas pelo menos eu pude fazer um pouco de diferença nessa propriedade. Conseguir com que as finanças deixassem de ser uma completa bagunça, consegui montar uma pequena sala de aula perto do jardim para as crianças dos empregados... E, agora, tenho a chance de dar a essas pessoas um futuro Duque que seja um bom homem! – Araminta comemorou, extremamente feliz – Não vou mentir para você, querido. A questão de quem seria o futuro herdeiro de Whiteshire sempre me preocupou, especialmente com a condição de saúde daquele homem se deteriorando mais a cada minuto. Mas, agora que você está aqui, podemos finalmente ter esperança de que o futuro será melhor! – aquele sorriso contente permaneceu em seu lindo rosto por mais algum tempo, até se dissipar de repente, quando ela pareceu se lembrar de algo – Mas eu sei que tudo isso é um peso muito grande para colocar sobre os ombros de um garoto tão jovem quanto você. Por isso, Gareth, a única coisa que eu peço a você é: por favor, vá viver com seus tios. Prometo que eles são pessoas maravilhosas e, com eles, você estará seguro da sua mãe e... Do Duque. – Araminta implorou. - Eu vou. – Gareth concordou automaticamente, corando de vergonha logo em seguida. Estava se tornando bastante claro que ele tinha bastante dificuldade em negar os pedidos da Duquesa. - Oh, graças a Deus. – a Duquesa murmurou, aliviada – Também pedi que minha camareira preparasse uma das carruagens para você, para leva-lo até uma pousada discreta, mas confortável, no centro. Algum dos meus empregados irá lá todo dia garantir que você seguro, até que seus tios possam vir busca-lo aqui em Londres. – ela desceu a mão para a bochecha dele, acariciando-a gentilmente – Oh, Gareth. Eu adoraria que pudesse ficar aqui. Eu daria aulas de leitura, escrita, história e matemática para você junto com as outras crianças e poderíamos ser uma família... – Araminta pareceu perdida em um sonho por um momento, antes de balançar a cabeça, determinada – Mas, quer saber? Já somos uma família. Não importa onde você esteja. E, assim que você crescer e chegar a hora de se tornar o novo Duque, eu vou estar aqui para recebe-lo e lhe contar tudo o que o precisa saber da sua propriedade. – ela jurou, com um sorriso carinhoso. - Senhora? – uma voz chamou a atenção dos dois e Gareth viu uma velhinha de aparência simpática, claramente uma das empregadas do Duque, com roupas simples e cinzentas, abrir a porta – Desculpe interromper, mas carruagem já está pronta.   - Obrigada por avisar, Mary. – Araminta suspirou, levantando-se lentamente da cama e estendendo a mão na direção de Gareth, para que ele fizesse o mesmo – Vamos, querido, chegou a hora. Mas nos veremos novamente, prometo, ainda que demore. Ao ver Mary se aproximar, Gareth sentiu seu estômago afundar e a tristeza toma-lo quando a compreensão de algo o tomou: a compreensão de que, até que o Duque morresse e o título ficasse vago, ele não veria a Duquesa novamente. O anjo que o estava prestes a lhe dar uma vida melhor ficaria em Londres, enquanto ele ficaria longe, provavelmente até que se tornasse um adulto. E apenas pensar nisso foi suficiente para fazer seu coração doer. - E-eu vou me tornar o homem e o Duque que você espera que eu seja, Araminta! – Gareth apressou-se em prometer – Você nunca vai ter motivos para se arrepender de ter me ajudado, eu juro! - Oh, Gareth... – ela se abaixou um pouco para que seus rosto ficassem mais próximos, parecendo emocionada – Mesmo que você decidisse se tornar exatamente o oposto de tudo isso, eu mesmo assim jamais me arrependeria de ter dado a você uma vida melhor. Agora, vá com a Mary. – ela o incentivou, com um sorriso triste – E lembre-se: quando chegar o momento de você se tornar o Duque, eu estarei aqui esperando por você, está bem? - Promete? – Gareth perguntou ansiosamente, enquanto a empregada, parecendo apressada, alcançava seus ombros com as mãos. Para aquela pergunta, Araminta apenas sorriu, não hesitando sequer um segundo antes de responder. - Mas é claro que eu prometo. 

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

Amor Proibido

read
5.4K
bc

De natal um vizinho

read
13.9K
bc

O Lobo Quebrado

read
121.7K
bc

Sanguinem

read
4.3K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

Meu jogador

read
3.3K
bc

Kiera - Em Contraste com o Destino

read
5.8K

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook