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LAÇO DE SANGUE E POLVORA (Morro)

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Sinopse

SinopseNo coração do Complexo do Alemão, Barão construiu um império do crime para fugir da miséria que marcou sua infância. Criado entre o crack e as ruas, virou homem aos treze anos, quando se viu pai e sozinho. Hoje, é respeitado no morro, dono de uma vida que sustenta três filhos — sua única fraqueza.Do outro lado dessa história está Isabela, uma jovem que perdeu a mãe cedo e caiu nas mãos de Manoel, conhecido como Pitbull, um ex-lutador violento que transformou sua vida num cativeiro silencioso. O que a prende não são apenas as ameaças, mas o medo de que o sobrinho Matheus — filho de Barão — se torne alvo do mesmo monstro que a domina.Entre a ascensão de um chefe do tráfico e o desespero de uma mulher presa a um relacionamento abusivo, os destinos de Barão, Isabela e Pitbull se cruzam num enredo de sobrevivência, crime, amor e sangue, onde cada decisão pode custar a vida de quem eles mais amam.

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cap 01 Homens de verdade
Barão Bati a porta daquele quarto com força quando não encontrei meu filho ali. Encostei na parede, fechei os olhos e respirei fundo. Papo reto? Se me pedissem um conselho, eu dava um só: não coloca filho no mundo. Fui maluco. Ninguém nunca me deu conselho, e com trinta anos nas costas já tinha metido três cria nesse mundão doido. Minha vida sempre foi mó parada doida. Minha mãe era uma coroa bacana. Era eu e ela no mundo, pra todos os cantos. Mas, quando eu tinha uns cinco anos, ela se afundou no crack e a gente perdeu o pouco que tinha. Eu era cria do Morro da Fazendinha, um dos morros que formava o Complexo do Alemão. Quando minha mãe se perdeu nas drogas, a gente deixou tudo pra trás e caiu na rua. Me criei na rua. Com dez anos comecei a usar essas paradas também. Já tinha aceitado que tava fodido, que aquele era meu destino, que eu nunca ia conseguir tirar minha mãe dessa vida. Até porque eu já tava me afundando junto com ela, menorzinho ainda. Nós roubava pra comer ou vivia de alguma doação que aparecia. Vida dura, sofrimento puro. Todo dia era ver os menor indo pra escola naqueles pique. E se pá era meu sonho estar no lugar deles, com uma família, tênis maneiro no pé, banho tomado, uniforme e mochila de super-herói. Nunca tive super-herói. Minha mãe era a única, mesmo com todos os defeitos. Eu botava fé no quanto ela me amava e fazia de tudo pra me ver bem. Mas a vida na Cracolândia não é fácil. Não tem como ser feliz naquele lugar sujo. Quando eu tava quase completando treze anos, minha coroa morreu. Aí fiquei sozinho de vez no mundo. Teve briga entre usuários na região onde nós ficava, mataram ela porque acharam que tinha roubado crack de um deles. Até hoje eu não sei se era verdade, mas não duvidava. A gente tava na merda, o dinheiro que roubava era pra tentar comer, não sobrava nada pra droga. Fiquei perdido por uns meses até cair a notícia no meu colo: eu seria pai. Tinha dado um trato numa menina uns dois meses antes da minha mãe morrer. A garota era usuária também, vivia no mesmo barco que nós, mais velha que eu, papo de uns dezessete anos. Minha mãe sempre me mandava ficar longe dela, porque sacava que a bonita tinha outras intenções. E tinha mesmo. Numa dessas eu me deixei levar pra ver qual era do bagulho. Primeira vez e logo de cara fiz um herdeiro. Tem uma frase que diz que filho muda o homem. Verdade pura, no meu caso. Eu não tinha pai, minha única referência era minha mãe. Meu filho, na barriga da garota, não teria mãe, porque ela era mais afundada nas drogas do que a minha coroa. Então prometi pra mim mesmo: quando meu menor nascesse, eu ia levar ele pra longe daquele lugar e dar muito mais do que aqueles playboy que eu via indo pra escola tinham. Assumi postura de homem aos treze. Meu filho nasceu. Fiquei pianinho, só observando as atitudes da mulher que colocou ele no mundo. Na noite em que ele nasceu, ela colocou ele numa caixa de papelão e largou num ponto de ônibus. Eu não julgava. O crack deixava nós maluco mesmo, e pra ela nem tinha mais salvação. Peguei meu menor e voltei pro morro onde fui criado até os cinco anos, atrás de ajuda. Me meti no crime logo de cara. Era uma criança cuidando de outra criança. Comecei como vapor. Não demorou pra arrumarem uma casa pra eu cair com meu menor e, aos poucos, fui crescendo no movimento e conquistando espaço. Meu filho era minha força. O que me mantinha são. O que me segurava longe das drogas toda vez que eu queria usar uma parada era lembrar que eu não queria pra ele a mesma vida de merda que eu tive. Com quinze anos tive meu segundo filho. A parada foi diferente. Eu até curtia a mãe dele, uma parceira do Morro do Chapadão. Nunca tivemos nada sério, a parada que envolvia a gente era nosso menor. Matheusinho chegou no meu tempo de glória. Se com o Gabriel, meu primeiro, eu tava ralando pra c*****o pra dar condição, quando o Matheus nasceu eu já era traficante, podia render uma meta maneira e dar o melhor pros meus menor. A mãe do Matheus, a Thuany, começou a ficar doente quando ele era bebê, nem um ano de idade. Aí ele veio ficar comigo e com o irmão de vez. Ainda tinha a família da mãe dele, a avó e a tia, e ele vivia entre a casa delas e a nossa. Até uns três anos atrás, quando a avó dele faleceu e a tia se mudou pra SP, casou com um lutador e foi viver a vida dela. O Matheus era apaixonado pela tia e sempre que podia ia visitar ela. Se pá era isso que ele tinha ido fazer. Mas eu tava neurótico. Ninguém viu aquele moleque saindo do morro, não atendia ligação e o Gabriel também não me respondia. Assumi o comando do Complexo do Alemão aos vinte e cinco. Fui crescendo no movimento, hoje envolvido com peixe grande do Comando. Minha favela na melhor gestão, todo mundo na paz e tranquilidade. Tentar contra nós era maluquice. Maior orgulho bater no peito e falar que aquele era meu império. Solteiro, p***a louca no mundo. Não tinha tempo pra mulher nenhuma, mas tava on pra cachorrada. Só não rendia pra qualquer uma, porque eu era posturado. Meu último menor veio quando eu tinha vinte e oito anos. Várias rendendo, várias querendo o cargo de fiel, mas não tinha pra ninguém. Eu nem curtia essas paradas, não tinha tempo pra nada. O tempo que meu trabalho não ocupava, meus menor ocupavam. O Davi veio de um descuido. Fui comemorar com os cria numa casa de p**a aqui no morro, porque nós tinha batido a meta naquele mês, e encontrei a Camile. Nós fodeu, e depois eu fiquei sabendo pela boca dos outros que ela tava indo tirar meu filho. Fiquei doidão. Tranquei a mulher numa casa e obriguei ela a ter meu filho. Paguei o dobro do que ela ganharia vendendo o corpo e, depois que ela colocou meu filho no mundo, deixei ela voltar pra vida de merda dela sem me importar. Meu filho tava bem. Os três estavam bem. E cada gota de sangue e suor que eu derramava era pra dar a vida de rei que eles mereciam. A vida que eu não tive quando criança e que só fui conquistar depois da chegada deles. Eles me fizeram crescer, me tiraram das drogas e me tornaram um homem de verdade.

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