Volta às Aulas

1621 Palavras
Eu estava na casa da Daphne, suas mães haviam me convidado para almoçar em sua casa, e eu adorava estar com elas, eram tão divertidas e me tratavam como um filho. Daph era filha biológica de uma das suas mães, a Isabel, ela havia engravidado através de uma inseminação artificial que foi feita em uma clínica, onde utilizaram o esperma de um doador anônimo. Já sua outra mãe, a Vanessa, acompanhou tudo, o processo na clínica, a gestação de sua esposa e tudo o que envolvia a Daph. E acho que a minha amiga se parecia bem mais com a Vanessa do que com a Isabel. - Como é ter duas mães? - Perguntei enquanto observava seu peixe nadar no aquário. - Ah, é normal. - Deu de ombros e se sentou em sua cama. - Só que em vez de eu ter uma mãe e um pai, tenho duas mães. E… Ah, é legal. Eu nunca tive um pai, não sei como é, mas eu não as trocaria por ninguém desse mundo. - Elas são demais. - Sorri. - São sim. - Sorriu também. - Ai, eu nem acredito que as férias estão chegando ao fim. - Se deitou na cama. - Obrigado por me lembrar. - Me deitei ao lado dela. Faltava apenas alguns dias para começar mais um ano letivo. Ai, por que as férias tinham que acabar tão rápido? O que são 2 meses e meio de férias perto de quase 10 meses de aula, a vida é tão injusta. Mais um ano aguentando garotas chatas que se acham a última bolacha do pacote e garotos insuportáveis que adoram fazer bullying com os outros, e fora esses grupinhos, tinha os dos nerds, dos populares, dos jogadores de futebol e basquete e no meio de todos tinha eu, que não me encaixava em nenhum lugar. E para piorar tudo isso, Daph nem da minha turma era, ela era de outra sala, pelo menos era assim há dois anos, porque antes estudávamos juntos, mas os professores falavam que fazíamos muita bagunça, falávamos demais e tal, daí resolveram nos separar, ficamos tão m*l com isso, mas no recreio não tem quem nos separe. (...) Eu estava vendo TV na sala com minha mãe, papai estava no banho e meus irmãos já estavam dormindo, com exceção da Ketlyn que estava estudando em seu quarto. Deitei no sofá com a cabeça no colo da minha mãe, que começou a me fazer um leve cafuné. Confesso que por mais que eu ame os meus irmãos, eu sinto um pouco de saudade de quando eu era o caçula, sei lá, eu era tão paparicado e meus pais faziam todas as minhas vontades, bons tempos... - Sabia que temos vizinhos novos? - Me perguntou mamãe. - Ih, mãe, tá atrasada com as notícias, né? Isso faz tempo. - Falei, fazendo-a rir. - Verdade... Eu conheci... Acho que é a tia dos garotos. - Tia? -Perguntei meio confuso. - Pensei que fosse a mãe deles. - Não, parece que ela comentou que é tia. Sabe, ela parece ser uma mulher muito simpática e educada, a encontrei no mercado, e ela comentou que morava aqui na frente, seu pai acabou lhe dando uma carona. Por que não tenta fazer amizade com o mais velho? Eu o vi de longe, mas acho que é um bom garoto. - Nossa, primeiro a Ana e agora você... Estou tão sem amigos assim? - Filho, quais são seus amigos além da Daphne? - Ué, ela vale por mil. Eu estou bem, mãe. - Mas meu bem, você quase nunca sai, só fica trancado nessa casa cuidando dos seus irmãos... - Assim parece que a senhora está reclamando de eu querer te ajudar. - Não, de jeito nenhum, eu amo que você queira me ajudar, mas você só tem 17 anos, devia estar namorando com as garotas, indo pra festa e voltando bêbado, era pra você estar me dando trabalho, como o Spike me deu. - Falou ao se referir ao meu irmão mais velho. - Não era pra você ser tão bonzinho e comportado. - Meu Deus! Quem é que consegue entender as mães? Se o filho é rebelde, elas reclamam, e se é comportado também? Sério, não dá pra entender. Mas se você quiser, posso ir pra uma festa hoje, engravido uma mina qualquer e volto pra casa fedendo a cocaina, que tal? - É, acho que você está perfeito do que jeito que está. - Falou de forma irônica. - Foi o que eu pensei. - Fiz uma leve pausa. - Vou pro meu quarto, tá bem? - Vai, sim, meu amor. - Me levantei do sofá. - Te amo, filho. - Também te amo, mãe. Mamãe me deu um beijo no rosto e eu fui para meu quarto. Fiquei um pouco na internet, mas não tinha nada para fazer, se pelo menos a Daphne estivesse on line, mas nem isso... Me levantei de minha cama ao ouvir um barulho de carro, fui até a janela do meu quarto, e notei que o casal da frente estavam chegando de algum lugar com os garotos, os quatro desceram do carro e os dois meninos pareciam estar brigando, estavam se batendo, mas logo percebi que estavam apenas brincando. Eles entraram em sua casa e eu logo voltei pra minha cama. Em seguida, Daphne resolveu me dar sinal de vida e me ligou por chamada de vídeo, ficamos conversando por algumas horas até sentirmos sono. (...) Era o primeiro dia de aula, infelizmente, queria que esse dia não chegasse nunca. Eu estava bem de boa dormindo, quando a porcaria do despertador resolveu tocar, notei que marcava 6h10, e desliguei com a intenção de dormir mais cinco minutos, mas vocês sabem como isso é perigoso, né? - Nicolá... Nicolá... Já acordou? - Que foi? - Perguntei ainda sonolento. - Vamos nos atrasar, já é 6h40. - O quê? - Dei um pulo da cama. - Mas como? Eu recém desliguei essa coisa. - Olhei as horas no relógio e notei que Anabel estava falando a verdade. - Tá, vou me escovar e colocar uma roupa, já desço. - Não demora. Ouvi os passos dela se afastando. Coloquei a primeira peça de roupa que eu vi e corri para o banheiro para fazer minha higiene matinal. Em seguida, corri para a sala onde estavam meus irmãos. Papai e mamãe já haviam saído para trabalhar. Ketlyn estava ajudando Kim a comer, enquanto os gêmeos e Anabel terminavam seus cafés. - Nico... Nico... - Falou Kim ao me ver. - Oi, meu amor. Bom dia. - Dei um beijo na testa da minha irmãzinha, que sorriu. Me sentei rapidamente à mesa e comi algo rápido, pois não tinha muito tempo a perder. - Ansiosa para seu primeiro dia no turno da manhã? - Perguntei para Anabel. - Nossa, demais. - Falou de forma irônica ao terminar de comer sua torrada. - Só espero que meus amigos fiquem na mesma sala que eu. Deixei os gêmeos e a Kim com a Ketlyn e fui pra escola junto da Anabel. No meio do caminho ainda passamos na casa da Daphne, pois sempre íamos juntos para o colégio. Sabem aquela ansiedade que geralmente as pessoas têm com o primeiro dia de aula? Pois é, eu nunca tive, quando Daph e eu estudávamos na mesma sala, as coisas eram um pouco mais suportáveis, mas desde que nos separaram, eu ia pra aula só porque se eu faltasse mais de 2 dias seguidos, a direção entrava em contato com meus pais, e aí já viram a m***a, né? Olhamos nossos nomes nas listas das turmas, que sempre ficavam nos muros do pátio nas duas primeiras semanas de aula. É, Daph e eu não ficaríamos juntos. De novo. Acreditam que nos separaram porque disseram que conversamos demais? Que absurdo, não se pode mais nem comentar sobre as matérias chatas que nos passam. - d***a, eu vou ficar de novo na turma do Christopher. Ele é o garoto mais chato da escola inteira. - Falou Anabel. - Bom, vou lá enfrentar a fera. - Me encontra aqui na hora da saída. - Gritei para ela que já se afastava. - Tá bem. - Gritou de volta sem olhar para trás. - Sua irmã é uma fofa. - Disse Daphne. - Quer pra você? - Perguntei. - Ah, se desse... - Brincou. Nisso o sinal da escola tocou para nossa tristeza. Daphne e eu nos abraçamos enquanto fingíamos chorar, fazendo um leve drama. Minha amiga foi em direção à sua sala e eu fiz o mesmo. Logo notei que minha turma seria a mesma do ano passado, exceto por dois alunos que repetiram e por um que saiu da escola, mas de resto, nenhum rosto novo. Recém havia começado o primeiro período, que era de Português, a professora que era nova estava se apresentando pra gente, quando bateram à porta, e em seguida, ela abriu. Era a diretora. - Eu queria apresentar um novo colega para vocês, ele veio de Buenos Aires para morar na nossa cidade e estudará aqui com a gente, espero que vocês o tratem bem. Venha querido, não tenha vergonha. - Disse a chefona. Digo, a diretora. E então o garoto entrou, parecia meio tímido. Mas espera... Eu o conhecia. era o meu vizinho da casa da frente. - Esse é o Connor, a partir de hoje ele será colega de vocês, quero que todos o recebam muito bem. - Falou a diretora. Logo se dirigiu para o garoto. - Pode se sentar em qualquer lugar vazio. O garoto olhou bem para todos lugares que não tinham ninguém, e então se sentou atrás de mim, fazendo eu engolir em seco.
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