Os ´Pestinhas

1205 Palavras
Assim que a aula acabou, eu olhei para o garoto que estava terminando de guardar seu material. Ao me ver olhando-o, ele deu um leve sorriso, desviei o olhar, peguei minha mochila e sai da sala, mas logo escutei passos ligeiros atrás de mim. - Hey, espera. Me virei e vi o garoto, o tal Connor vindo até mim. - Olha, você fala… Pensei que fosse mudo, não falou nada durante a aula toda. - Ah… - Deu uma leve risada. - Eu não tinha o que falar e nem com quem falar. - Hum… - Você se chama Nicolá, né? - Aham. - Legal. Eu sou o Connor. - É, eu sei, vi a diretora falar… - Hã… Eu já te vi antes, somos vizinhos, né? - Perguntou. - É… Hey, se você veio de Buenos Aires, como fala tão bem a nossa língua? - Ah, eu sou bilingue, nasci aqui, mas morei 10 anos em Buenos Aires, e voltei há pouco tempo. - Legal… Bom, eu preciso ir agora, estão me esperando… - Falei. - Tá bem. Nos vemos por aí… - Beleza! Me retirei e fui em direção ao pátio principal, onde avistei Anabel e Daphne, que me aguardavam, logo me juntei às duas e fomos em direção à nossa casa. E em seguida, minha irmã começou a nos contar como havia sido o seu primeiro dia de aula. - E eu fiquei na sala do Christopher de novo. Ele é o garoto mais chato e irritante do mundo inteiro. Ele não estuda, não faz as atividades, não sei nem como ele chegou ao 5° ano, e o pior de tudo é que ele vive fazendo bullying com os garotos da nossa sala, ele ri e debocha deles, joga os cadernos dos garotos no chão, uma vez ele quebrou os óculos do João Gonçalves e uma vez ele puxou as tranças da Maria Isabel, e a coitada da minha amiga começou a chorar. Ai, eu queria ser a diretora da escola só pra expulsar esse i****a. - Nossa, isso não é nada legal. - Falei. - E os professores não fazem nada? - Ah, deixam ele de castigo, chamam os pais, ele leva advertência, às vezes fica alguns dias suspenso, e tem vezes que ele dá uma acalmada por um tempo, mas depois começa tudo de novo. - E ele também implica com você? - Não, comigo não. - Se ele fizer algo pra você, me avisa, porque com a minha irmãzinha ninguém mexe. - E pode me avisar também. - Falou Daphne. - Pode deixar, gente. - Deu um leve sorriso. Cheguei em casa e logo notei o caos que estava. Haviam algumas roupas jogada pelo chão e pelo sofá da sala. Logo avistei Lindsay e Thomas correndo pelados pela sala, e Ketlyn corria desesperada atrás dos dois. - Vou para meu quarto. Boa sorte aí. - Falou Anabel ao se retirar. Ketlyn começou a reclamar que precisava dar banho nos gêmeos para eles irem para o colégio, já que ambos estudavam na parte da tarde. As crianças subiram no sofá e começaram a pular, Ketlyn se aproximou para pegá-los, e os dois saltaram e começaram a correr em volta da mesa de jantar. - JÁ CHEGA! PAROU! - Os pequenos e Ketlyn pararam nos seus lugares e se puseram a me olhar. - EU QUERO QUE OS DOIS VÁ TOMAR BANHO IMEDIATAMENTE. E SIM, ISSO É UMA ORDEM. - Você não é nosso pai. - Falou Lindsay. - Graças a Deus. - Falei. - Mas eu sou o irmão mais velho de vocês, e estou mandando, ou do caso contrário vou ligar agora pros nossos pais, e aí, o que vocês preferem? - Chato! - Falou Thomas ao cruzar os braços. Os dois foram pianinhos em direção ao banheiro, e eu dei um sorriso vitorioso. - Como você consegue? - Perguntou Ketlyn. - Ah, é meu dom com crianças. - Brinquei. - Deixa eles comigo, eu dou banho nos dois. - Não quer almoçar? Você chegou agora, deve estar com fome. - Depois eu vou, não esquenta. - Obrigada. - Deu um beijo em meu rosto e saiu. Fui em direção ao banheiro, onde os dois pestinhas estavam, e ambos se encontravam já na banheira. Os dois brincaram um pouco com algumas espumas enquanto eu banhava-los, e eu tentei manter uma expressão séria para que eles percebessem que eu não havia gostado nada da ‘’brincadeirinha’’ deles. - Eu não quero que vocês desobedeçam mais a Ket, quando nossos pais e eu não estamos, é ela que manda em vocês. - Falei seriamente enquanto eu vestia a Lindsay. - Foi o Thomas que começou. - Falou em sua defesa. - Não importa, você foi na onda, os dois estão errados. Ambos ficaram em silêncio enquanto eu terminava de vesti-los. Assim que Thommy ficou pronto saiu correndo porta afora, em direção à sala. - Nico, faz duas tranças em mim? - Como se diz? - Por favor, chato. - Xi, acho que não, hein. - Por favorzinho. - Bem melhor. - Peguei a escova da mão da garota e comecei a pentear seu cabelo. É, se eu não tivesse apenas 17 anos, poderia até dizer que eu já estava pronto pra ser pai, porque pelo menos eu sei educá-los, o que não é uma tarefa nada fácil, tanto que mesmo com 8 filhos, meus pais não aprenderam isso até hoje. (...) Eu estava deitado em minha cama jogando uma bola de basquete para o ar e a pegando, estava entediado sem ter o que fazer, e a casa estava silenciosa, pois os gêmeos estavam na escola e Kim na creche, Ketlyn havia saído com o namorado e Anabel estava brincando na casa de uma amiga, eu estava sozinho em casa, o que raramente acontecia e era estranho, às vezes tudo o que eu queria era poder ter um minuto de paz, mas quando eu conseguia isso acabava estranhando, já que eu não era acostumado a ficar sozinho. Me levantei e fui até a janela do meu quarto, o carro não estava estacionado, o que significava que provavelmente eles haviam saído. E de repente… Peraí… Eu havia notado algo que eu não tinha reparado antes. Da janela do meu quarto eu conseguia avistar o quarto do tal Connor, que assim como o meu, também ficava no 2° andar da casa, pelo jeito ele não havia saído com os tios. Ele estava lá no seu dormitório, estava sem camisa, um peito completamente liso, e p***a… Por que eu falei isso? E então ele colocou uma camisa, e em seguida, tirou sua calça a jogando em um canto qualquer, ele estava usando uma cueca box, pelo visto, tínhamos isso em comum. O garoto pegou uma calça em seu roupeiro e quando ele foi colocar virou em minha direção. Me escondi rapidamente e rezei para que ele não tivesse me visto. Merda! m***a! m***a! Mil vezes m***a. O que me deu na cabeça para espiá-lo? E se ele me viu? Provavelmente vai achar que eu sou viadinho, e eu não sou. E p***a… Eu não devia ter espiado ele, não devia. Agora com que cara eu ia olhar pra ele na escola? m***a!
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