O Insuportável

1594 Palavras
No dia seguinte eu havia saído de casa com Anabel para irmos à escola. Avistei Connor sair de sua residência e fingi não vê-lo, estava morrendo de vergonha por causa do dia anterior. - d***a, esqueci meu livro de Matemática, vou buscar rapidinho. - Disse minha irmã. - Não demora, por favor. Anabel saiu correndo e adentrou a nossa casa, e nisso Connor veio até mim. Não ia comentar nada, talvez ele não tivesse me visto. - Gostou? - Perguntou. - Quê? - Não entendi do que ele estava falando. - Do que você viu ontem. Mas me avisa na próxima, posso fazer uma dancinha sensual, sou bom nisso. - Quê? Não, nada a ver. Eu não estava te espiando. Talvez fosse meus irmãos, sei lá… - Você estava com essa mesma camisa. - Falou. Porra, ele tinha me pegado mesmo, e eu não tinha nem argumentos pra isso. m***a, o que eu poderia dizer se nem eu sabia por que estava vendo-o? Ele pensaria que eu sou gay, e odeio que pensem coisa errada ao meu respeito. - Hã… Eu… Hã… Não… - Hey relaxa, eu estava zoando, tá de boa. Você pode me espiar sempre que quiser, eu não ligo. - Quê? Mas eu não… E nesse momento, Anabel apareceu, por um momento quis agradecê-la, senti que eu estava a salvo. Minha irmã cumprimentou Connor, que lhe cumprimentou de volta. - Você é o nosso novo vizinho, né? - Sou sim. - Legal… Você vai com a gente pra escola? - Vou. Quer dizer, se o teu irmão não se importar. - Dei de ombros. - Tenho certeza que ele não se incomoda, né Nico? - É… - Eu já disse que eu odeio essa pirralha? No caminho passamos na casa da Daphne, que se juntou a nós, e ela já foi logo puxando assunto com o tal Connor, ela ignorou completamente a minha existência, era como se eu fosse invisível ou algo do tipo, enquanto ele estava lá parecendo todo amiguinho da minha melhor amiga, era como se os dois se conhecessem há anos, do jeito que Daph e eu nos conhecíamos. E… Ah p***a, a minha amiga estava rindo com ele, ela parecia ter gostado bastante desse i****a. Sério, o que as pessoas veem nesse cara? Ai, ele já estava me tirando do sério. E o pior é que às vezes ele me olhava rapidamente, aposto que estava pensando ‘’olha, a tua amiga gostou de mim, perdeu playboy’’. - Daph, quer fazer algo mais tarde? - Perguntei. - Podíamos sair para tomar um sorvete ou irmos ao cinema, sei lá... - Claro. - Se dirigiu para Connor. - Quer ir com a gente? Hey, mas que p***a é essa? Desde quando ela chamava um desconhecido para sair conosco? O que raios estava acontecendo com a minha amiga? Eu não estava a reconhecendo, ela não era assim. E… Eu não queria ter que sair com aquele i****a, ai já estava até imaginando, os dois ficariam lá conversando como se fossem melhores amigos e eu ficaria de fora, me sentindo excluído, e eu odiava me sentir assim, pois me lembrava quando eu era pequeno e passava o recreio sozinho porque eu não tinha amigos, quer dizer, até ficar amigo da Daphne. E agora ela estava lá me ignorando por causa de alguém que ela m*l conhecia. - Ah, eu não sei… - Falou fingindo estar sem graça. - Vamos, vai ser legal. - Insistiu aquela traidora. - Tá bem, então. - Deu um leve sorriso enquanto ajeitava a sua mochila no ombro. - Posso ir também? - Perguntou Anabel. - Não! - Falei. - Ai, chato! - Retrucou. Eu precisava dar um jeito de inventar uma desculpa para Daphne, pois eu me negava em sair com aquele garoto, sei lá, eu não ia com a cara dele, detesto esses caras que se acham. E o pior é que eu acho que ele estava dando em cima da minha amiga. DA MINHA MELHOR AMIGA. Ai, que raiva! Mas Daph é uma garota inteligente, com certeza não ia cair no papinho daquele garoto, aposto que ele é o tipo de cara que fica num dia com as garotas e no outro finge que nada aconteceu, é o pior tipo. E eu… Bom, eu não era o cara mais mulherengo da escola e nem o que costumava ficar com várias garotas e tal, na verdade, em toda a minha vida eu fiquei apenas com três garotas. Na primeira vez eu tinha uns 14 anos, a garota se chamava Fabíola e era um ano mais velha que eu, ela era amiga da Ketlyn. Certo dia, a garota foi dormir em nossa casa, eu fiquei até tarde vendo filmes com elas, e quando minha irmã saiu para ir ao banheiro, a garota pegou em minha mão e me beijou, eu nem sabia beijar naquela época e fui pego de surpresa, foi h******l. Nunca mais tocamos no assunto. Já na segunda vez eu tinha uns 15 anos e foi com uma garota que eu namorei por alguns meses, éramos da mesma escola, ela era legal e tal, mas sei lá, era muito ciumenta, ela morria de ciúmes da minha amizade com a Daphne, e um dia ela me pediu para escolher entre as duas, e bom, acho que minha escolha é meio obvia. Pouco depois, ela trocou de colégio. E a última foi a minha ex namorada, a que morava na casa, onde agora mora o Connor. (...) - Legal o seu novo amigo. - Falou Daphne enquanto caminhávamos pelo pátio da escola. - Ele não é meu amigo e está longe de ser. - Falei. - Por quê? Ele parece legal. - Ele pode ser tudo, menos legal. Aquele garoto se acha. - Eu não achei isso. - Deu uma mordida em seu sanduíche. - Qual, é? Ficou caidinha por ele? - Quê? Não! Nada a ver, Nicolá. Só achei ele bacana. Só isso. - Sei… Nisso notei a turma da minha irmã passar para ir à biblioteca, estavam com sua professora, que levava a fila. Notei quando um garoto (provavelmente o tal Christopher, segundo o que Anabel falou) começou a xingar um outro menino, ele dizia que o garoto era f**o, que nunca teria uma namorada e que ele era um bosta. Queria ir até aquele pirralho e dizer que não devemos tratar ninguém assim, mas eu que não ia brigar com um fedelho que m*l saiu das fraldas. A turma entrou em uma sala que ficava perto de onde estávamos, e eu não conseguia tirar da cabeça a carinha do menino ao ouvir tais xingamentos. Pouco depois, os mesmos dois garotos sairam correndo da sala e foram até o bebedouro, a vítima chegou primeira e começou a beber água, e aquele pirralho nojento empurrou o pobre menino, fazendo ele cair no chão, e passou a beber água, quando acabou, passou a xingar mais o garotinho, dizendo que ele era um i****a, que seus pais nunca teriam orgulho dele e mais um monte de porcaria. Após falar coisas nada a ver, ele saiu correndo e foi até a biblioteca. O pobre menino bebeu um pouco d´água e então foi caminhando em direção da sala em que estava sua turma, porém, ao passar pela gente, eu o chamei. Ele me olhou meio surpreso e se aproximou de nós. - Como é o seu nome? - Perguntei. - Hã… Joshua. - Eu sou o Nicolá, sou irmão da Anabel. - Legal… - Falou timidamente. - E como é o nome daquele colega que estava com você? - Hã… Christopher. Bingo! Como eu imaginava. E Anabel tinha razão, esse moleque é um pentelho, que garoto insuportável, acho que ele consegue ganhar do Connor. - Olha, não liga para nada do que o Christopher falou. Você é lindo, e com certeza deve encher teus pais de orgulho e não fica triste, ele não sabe o que diz, não liga, não. - O-obrigado. - Deu um leve sorriso. Nisso o sinal da escola tocou, informando que era hora de irmos para a próxima aula daquela manhã. (...) Era por volta de 14h. Eu estava sozinho em casa. De novo. Os menores estavam na escola, Ket havia saído com o namorado e Anabel estava brincando na vizinha. Ah, eu já estava começando a preferir os chatos dos meus irmãos me dando trabalho do que ficar sozinho. De repente a campainha tocou, corri para atendê-la. Era Daphne. - Vamos? - Onde? - Perguntei. - Ué, sair… Não combinamos de sair? - Só nós dois? - E o Connor. - Não, obrigado. Pode sair com teu novo amigo. - Sério que você vai ficar com ciuminho bobo? - Não é ciúmes. - Não? - Cruzou os braços e me encarou. - É o quê, então? - Ah, eu só não gosto dele e nem gosto de você sendo amiguinha dele. - Nico… Vamos, por favor? Vai ser legal… Por mim. - Ok. - Revirei os olhos. - Por você. Mas nada de dar atenção só pra ele. - Prometo. - Me abraçou e me deu um beijo no rosto. Ah, meu Deus! O que eu fui fazer? Será que dava tempo de mudar de ideia? Eu não queria ter que sair com aquele garoto chato. Tomara que ele diga que não pode ir. Talvez esteja ocupado demais pra sair conosco, ou quem sabe ele vá ver uma garota, isso seria tão legal, eu seria até capaz de agradecê-lo por isso, pois tudo o que eu não queria era ter que aguentá-lo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR