Levei Connor até sua casa, seus tios e seu irmão não estavam, o que talvez tenha sido algo bom, pois eles ficariam muito preocupados. O garoto foi até o banheiro, e eu fui com ele. Connor me mostrou onde havia uma caixa de primeiros socorros, e eu peguei alguns esparadrapos, algodões, água oxigenada e limpei seus machucados, que não estavam nada bonitos de se ver.
- Valeu, cara. - Falou. - Mas por que tá me ajudando?
- Ah, meus pais me ensinaram que as vezes devemos fazer boas ações, Deus gosta de quem ajuda o próximo.
- Então, obrigado. Eu acho. - Ficou uns segundos em silêncio enquanto eu limpava cada um dos seus machucados. - Hã… Acho que vou tomar banho.
- Quer ajuda? - Perguntei ao me arrepender no minuto seguinte.
- Quê?
- Não… É que… Acha que consegue tomar banho sozinho?
- Claro, estou machucado, não inválido.
O garoto começou a tirar sua roupa, ficando apenas de cueca, sério que ele ia ficar nu na minha frente? Quer dizer, não que eu nunca tivesse visto um homem pelado, até porque eu sou um, e ainda tenho irmãos e tal, mas… Eu não costumava ficar nu na frente dos meus amigos (não que eu tivesse amigos homens), e a gente m*l se conhecia, nem tínhamos i********e assim.
- Hã… Vou te esperar lá na sala. - Falei antes que ele pudesse tirar a cueca.
Sai correndo do banheiro e fui até a sala. Me sentei por alguns segundos no sofá, mas logo vi uma estante, que tinha alguns porta-retratos, me aproximei e olhei cada foto, porém uma me chamou muito atenção, era uma foto do Connor, e ele estava com o irmão dele e mais um casal, mas não eram seus tios, talvez fossem seus pais, eles pareciam tão felizes, fiquei imaginando o quanto o Connor e seu irmão deviam ter sofrido com a morte dos pais, pois por mais que os meus me façam de babá e de empregado da casa, mesmo assim, eu morreria se algo acontecesse com eles.
E então, escutei um barulho de porta, corri e me sentei no sofá. Era a tia e o irmão do Connor.
- Quem é você? - O menino perguntou. - Se isso for um assalto, nós não temos nada de valor.
- Quê? Eu não sou ladrão.
- Claro que não. Logan, ele é o Nicolá, amigo do teu irmão.
- E desde quando o Connor tem amigos? - Perguntou fazendo eu rir discretamente.
- Agora tem. - Se dirigiu para mim. - Cadê o Connor?
- Hã… Está tomando banho, espero que não tenha problema eu ficar aqui esperando ele.
- Claro que não, querido, os amigos dos meus sobrinhos são sempre bem vindos aqui. Vou fazer algo pra gente comer.
A mulher se retirou em direção à cozinha, e o menino se sentou ao meu lado, e ficou me analisando por alguns segundos, me deixando bastante desconfortável. Em seguida, vi quando o mais velho passou por nós, indo em direção ao seu quarto, e ele fez sinal para mim, que fui atrás dele, e acabei sendo seguido por aquele aprendiz de gente.
Nós fomos até o quarto de Connor, que estava com uma toalha enrolada em sua cintura, o que deixava seu peito à mostra.
- O que houve com você? - Logan perguntou. - Você está h******l.
- Obrigado. - O mais velho disse de forma irônica.
- A tia Susie vai ficar louca quando ela te ver.
- Ah, talvez ela nem perceba.
- Só se você colocar uma máscara pra cobrir esse rosto machucado, se quiser te empresto a minha do Homem Aranha.
- Não, valeu.
Connor tirou a toalha que cobria seu órgão genitor, e eu virei o rosto, para não olhar, até porque não seria legal eu ficar olhando para um rapaz totalmente nu.
Assim que o garoto terminou de se vestir, eu disse que iria embora, porém, sua tia não deixou e praticamente me obrigou a ficar para um lanche, e sem escolha, tive que ficar mais um pouco, mas até que a tia e o irmãozinho do Connor eram legais, e ela havia me tratado muito bem, acho que gostou de mim.
- Nicolá, um dia você vem aqui pra jogar videogame comigo? - Logan perguntou.
- Claro, podemos combinar. Que jogos você gosta de jogar?
- Hum… De luta, futebol, corrida… Você joga esses?
- Jogo todos esses, adoro!
- Legal! - Sorriu.
Eu fiquei um pouco conversando com a família do Connor, e sei lá, gostei deles, já o garoto… Sei lá, eu não sabia se gostava ou não dele, as vezes ele era legal, mas as vezes ele era tão metido, que chegava a me dar nos nervos, e ele tinha um jeito de falar… de me irritar… E eu detestava isso, acho que desse jeito nunca seríamos amigos, não que eu me importasse ou ligasse pra isso.
O tio dos garotos, chegou em seguida, ele me cumprimentou educadamente e conversou um pouco conosco, ele também era bem legal, e sabem, por um lado, eu sentia pena deles por terem perdido os pais tão cedo, mas por outro lado, acho que eles tinham um pouco de sorte, pois os tios pareciam ser pessoas incríveis e dava pra ver o quanto eles amavam os sobrinhos e estava na cara que isso era recíproco, pois os dois garotos também pareciam ser loucos pelos tios, que eram como seus segundos pais, e eu achava bacana os tios terem ficado com a guarda dos garotos, pois talvez se fossem outros não ia querer saber e os mandaria para um abrigo qualquer.
(...)
Assim que cheguei em casa, tive uma tremenda surpresa ao vê-lo sentado no sofá com os pés em cima da mesinha de centro como costumava fazer.
- O que você está fazendo aqui? - Perguntei.