Nicolá
Dois dias haviam se passado.
Eu estava sentado no degrau da mini escada da minha casa enquanto via Connor beijando sua namorada. Desde que ela havia chegado os dois não se desgrudaram mais, chegava a ser repugnante vê-los juntos, me dava ânsia de vômito.
- O que tá fazendo? - Perguntou Ketlyn ao se aproximar de mim.
- Ah, nada, estava pensando na vida…
- Sei…
Minha irmã notou o amasso do Connor e da namorada dele, e logo disse:
- Que meu namorado não escute, mas esse teu amigo é o maior gatinho, né?
- E eu sei lá. E ele não é meu amigo. - Me levantei e entrei em casa.
Logo avistei Thomas e Lindsay brigando pelo controle do videogame. A pirralha queria jogar algum jogo da Barbie, enquanto aquele pentelho queria jogar um jogo de corrida. A minha vontade era de ignorá-los e deixar que eles se matassem, seria menos dois pra eu cuidar, mas daí depois meus pais me culpariam pela morte dos meus irmãos e eu não estava muito a fim disso.
- Já chega os dois. - Falei sem sucesso. - EU FALEI JÁ CHEGA! - Ambos pararam e se puseram a olhar para mim. - 10 minutos pra cada, começando pela Lindy, porque primeiro as damas.
- Ai, que injusto. - Reclamou o menino.
- Eu não achei. - Falou a garota com um sorriso vitorioso no rosto.
Deixei os dois jogando vídeo game e fui até o meu quarto. Eu estava entediado e sem nada para fazer, Daphne havia saído, ela até havia me convidado para ir junto, mas eu tive que ficar de babá dos meus irmãos, ah, que saco isso, será que meus pais dariam falta se eu colocasse eles para adoção?
De repente, Kim entrou vagarosamente em meu quarto.
- Oi baixinha. - Falei.
Kim tentou subir em minha cama e eu a ajudei, ela era tão pequenininha, com certeza dos meus irmãos caçulas, era a que menos dava trabalho, mesmo sendo a menorzinha.
- Como você tá, meu amor? - Perguntei ao pegá-la no colo.
- Bem. - Falou docemente.
- Ui, que cheirinho é esse? Acho que alguém fez c**ô, hein… Vem, vamos trocar essa fralda.
Peguei minha irmã e fui com ela até seu quarto para poder trocar sua fralda, e eu queria entender como um ser tão pequeno e fofinho conseguia fazer um c**ô tão fedido, porque putaquepariu, eu tinha que trancar a respiração cada vez que ia trocá-la.
Meus pais chegaram em seguida do serviço, o que era pra ser algo bom, tipo, eu me livraria de cuidar dos meus irmãos, mas não era bem assim, pois eles chegavam cansados do serviço, e não me davam um minuto sequer de sossego, às vezes Ketlyn até me ajudava nas funções da casa e das crianças, quer dizer, quando ela não está na casa do namorado.
Eu estava lavando louça, quando Ketlyn se aproximou de mim.
- Quer ajuda? - Perguntou.
- Ah, pode ser. - Sorri.
Minha irmã me deu as costas e eu fiquei vendo o que ela iria fazer, pois a doida me oferecia ajuda, eu aceitava e ela saia sem dizer nada. Mas aí ela pegou o celular, colocou uma música do Now United e se dirigiu até a pia novamente. Acho que eu havia entendido, esqueci que a minha irmã só fazia os serviços domésticos na base de música, pois do caso contrário, nada feito, ah, garotas…
(...)
- E a sua namorada? - Perguntou Daphne para Connor enquanto íamos para o colégio.
- Ah, ela teve que voltar para sua cidade.
- Que pena, pensei que ela fosse ficar morando aí. - Falei.
- Eu bem que queria. - Deu uma leve ajeitada no cabelo. E putaquepariu, por que ele tinha que fazer isso? - Mas ela não pode, os pais dela jamais deixariam.
- Oh, que pena! - Falei de forma irônica.
O garoto me deu uma olhada meio sem graça, o que fez meu coração errar uma batida e eu querer me enfiar em algum buraco, sei lá, o porquê de eu me sentir assim.
Eu olhava para Connor e só conseguia pensar no quão i****a ele era, sei lá, mas ele tinha o dom de me irritar, por que diabos a minha melhor amiga tinha que querer ser amiga de um garoto tão i****a e irritante como ele?
Vi Anabel conversando com Connor, e me neguei a crer que até a minha doce irmãzinha, que parece ser tão inteligente, já estava se deixando enganar pelo jeito amigável do garoto, mas a mim ele não engana, eu sabia que ele não era esse bom moço como parecia. Ai, como ele me dá nos nervos!
(...)
Assim que a aula acabou, eu fui me encontrar com Anabel para irmos juntos pra casa, porém, a garota pediu autorização para ir brincar na casa de uma coleguinha, e eu acabei deixando já que as duas eram melhores amigas desde o jardim de infância. Já a Daphne… Bom, ela ficaria na escola para terminar um trabalho em grupo, então, pelo jeito eu teria que ir embora sozinho.
Assim que dobrei na esquina do colégio, vi uma certa confusão, tinha uma rodinha de uns cinco garotos e havia outro no meio deles, fiquei de longe tentando entender o que estava havendo. E então percebi que o garoto que estava no meio da roda era o Connor, me aproximei vagarosamente, e pude notar quando um dos garotos falou para o meu vizinho:
- Aposto que os teus pais se mataram só para não ter que te aturar.
Nisso, Connor partiu com tudo para cima do garoto, e assim, os dois iniciaram uma briga, porém, outros dois caras tiraram o garoto de cima do outro e começaram a agredi-lo.
Corri até onde eles estavam e tentei separar a briga.
- Parem, parem, deixem ele em paz. - Falei.
Os garotos pararam de bater no Connor, que estava todo machucado e m*l se aguentava em pé. Aqueles garotos falaram algo para o meu vizinho, e apenas o ignoramos.
- Você tá legal? - Perguntei.
- Aham.
- Vem, eu te ajudo.
Coloquei o braço dele envolta do meu pescoço, fazendo ele se apoiar em mim e o ajudei a chegar até sua casa. Mas que p***a, eu estava fazendo, desde quando eu era legal com o Connor? Eu nem ia com a cara desse garoto, mas eu também não podia deixar aqueles idiotas baterem nele até a morte, ai, por que eu tenho que ser tão legal?