Anos depois

1056 Palavras
Chris 4 anos depois — Será um grupo de pessoas, homens e mulheres, que poderão ter encontros a cegas e acabarem namorando ou não. — explicou Hoper, uma das mulheres mais incríveis que eu conhecia. A mulher era linda, com a pele cor de oliva, cabelos cacheados acima dos ombros e uma boca maravilhosa. O problema que eu estava enfrentando era que ela não me queria. Simplesmente, achava-me um safado aproveitador. O que não era totalmente mentira. Só de estar ao seu lado, ouvindo-a falar essas coisas inteligentes, ficava maluco e bobo. Só uma pessoa conseguiu fazer isso comigo e eu estava tentando esquece-la. — E você acha mesmo que as pessoas vão aceitar participar dessa loucura? — perguntei após beber um gole da cerveja que não era uma das melhores que já tinha bebido, porém a única que servia naquele bar universitário. — Está me descredibilizando? — Estreitou os olhos. Eu gostava quando a morena ficava chateada. O que a tornava ainda mais bonita. — Não falei isso, só que é algo maluco. — Dei de ombros. — Veja bem: eu chego em você, neste mesmo bar, e te faço uma proposta para participar de uma experiência social em que você vai conversar com supostos pretendentes sem vê-los ou tocar neles. Terão que conversar como se estivessem aqui, exatamente nesse bar, se conhecendo melhor para, em um certo futuro, se tornarem namorados. O que você me diria? — Genial! — Pareceu ainda mais ofendida. Sua reação e resposta me deixaram com um sorriso no rosto. — Não é algo maluco. Meu estudo é baseado nisso. — Pegou o seu copo de cerveja e a bebeu por completo enquanto eu só a observava. Ah! Como eu queria ser essa cerveja. — Você não vai ser alguém que será escolhido por quanto dinheiro tem na conta, se é magro ou gordo, nem terá aquele jogo de sedução que vai acabar com os dois na cama e, no outro dia, “tchau, valeu”. Será a busca pelo sentimento e a comprovação, com dados feitos por mim, que o amor não vem do que você vê nas pessoas, e sim do que se descobre dentro delas. — Ok. Você pode estar certa. — Estou certa. — Mas, como vai sequestrar pessoas para o seu experimento? — Cada palavra que saía da minha boca a deixava mais p**a. Não podia mentir: estava amando isso. — Você é um filho da mãe. Não quero mais conversar. — Pegou sua minúscula bolsa e se levantou do banco de madeira, em frente ao bar. — Hoper! — Levantei-me também, coloquei uma nota de cem dólares no balcão e fui atrás dela. — Me desculpe. Eu estava brincando. Mas deve concordar que é uma loucura e um desafio. — Ajudaria se acreditasse. — Cruzou os braços. — Ok. Então, faremos assim: você organiza tudo e eu te patrocino. Porém, com uma condição. Ainda de braços cruzados, ela estreitou os olhos e me encarou como se eu estivesse prestes a falar mais merda. — Não vou sair com você, nem agora, nem nunca. Não quero o seu dinheiro i****a. — Virou o rosto. — Ai! — Essa realmente doeu, mesmo que eu já tenha ouvido sua recusa antes. — Não é isso, porém um dia você vai acabar aceitando o nosso amor. — O que você quer, Christophe? — A forma como ela falou o meu nome pareceu um deboche raivoso. — Meu irmão. — Ela me olhou estranhamente. — Como você sabe, Joseph foi traído pela noiva quatro anos atrás, e desde então vem focando somente no trabalho, sendo o mais frio possível com as mulheres. — Ver isso acontecendo era horrível. Não importava o quanto eu dissesse que ainda existiam mulheres decentes, porque meu irmão havia decretado que nunca mais se apaixonaria. E eu sabia que isso não era verdade. — Joseph é um romântico; adora cortejar e ter conversas descontraídas. Só que, desde o ocorrido, ele se tornou um reclamão, ficou muito triste e prometeu nunca mais se apaixonar. Se quer um desafio, ele é a solução. Faça-o se apaixonar novamente. — Hum... Achei que você fosse um completo babaca, mas vejo que tem sentimentos que não sejam apenas por si mesmo. — Levantou uma das sobrancelhas. — E por você, claro. — brinquei. — Se seu irmão é um desafio, a minha melhor amiga é o 1% dos 99,99% que eu posso não mudar com o meu experimento. — falou pensativa. — Duas pessoas difíceis, com marcas profundas e desacreditadas do amor? — Vejamos: estamos encontrando um casal. De quantos mais você precisa? — questionei animado. — De mais sete. — Sete. — Parecia mais difícil do que eu imaginava. — Se vai ser difícil convencer Joseph a aceitar vir, imagina mais sete caras. — Você não quer que seu irmão arranje uma namorada? — Empinou o nariz. — Ache mais sete homens, e eu tenho certeza de que ele vai arranjar uma. — Tome cuidado, cara amiga. Você não conhece aquele teimoso. — Sorri. — Joseph é fichinha se comparado à Samantha. Isso estava começando a ficar interessante. Logo uma nova ideia surgiu em minha mente. — Sabe? Já que estamos trabalhando com dois impossíveis, acho que podemos arriscar uma aposta. — falei como quem não quisesse nada. — Claro... Sem que eles saibam. Ou Joseph comeria o meu fígado. — Aposta? Você não presta, Chris. — disse decepcionada. — Se fizermos com que eles arranjem parceiros, você vai sair comigo, sem preconceitos. E se isso não acontecer, irei parar de dar em cima de você. — Não é justo! — reclamou. — Eu quero que ela seja feliz, só que não quero sair com você. Então, nada feito. — Ah! Qual é?! Tem medo de não dar certo? — provoquei-a. — Tenho medo de ser mais uma na sua lista. — Cara, Hoper. — Seu perfume doce trazido pelo vento me deixou ainda mais motivado. — Eu toquei fogo naquela lista desde que te conheci. Ela me olhou de canto e eu sabia que estava cogitando aceitar minha proposta. — Se não conseguirmos, você me deixa em paz. — Trato feito. — Nós apertamos as mãos e eu senti sua pele macia, que me excitou como nunca. — Agora, só precisamos de mais sete idiotas para namorar.
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