Fiquei com o coração na boca depois que Joseph foi embora não muito feliz. Nossa noite foi maravilhosa e me fez esquecer de todas as minhas inseguranças, inclusive do fato de ele ser apenas meu amigo. Suas palavras e gestos só me confundiram ainda mais.
Estava totalmente ferrada, apaixonada por alguém muito além do meu alcance, e minha melhor amiga ainda jogou um balde de gelo na noite que estava quase perfeita.
“Por isso você é minha prioridade”.
Que tipo de amigo diz essas coisas, olhando nos olhos e tocando na mão da amiga, como se fosse uma declaração de amor?
Quis até matá-lo por estar fazendo isso, entretanto confessaria que o amava. Droga! Eu me apaixonei por ele. O cara mais incrível e amoroso que conhecia, além de rico e bonito, estava tão alto, no topo, que meu pescoço doía ao olhá-lo.
— Por que fez isso? — questionei raivosa à Hoper assim que entramos em casa e a porta foi fechada. — Falou aquilo como se fosse algo surpreendente, como se houvesse um interesse do professor.
— Não sei do que está falando. Eu só disse que...
— Eu estava lá; ouvi o que disse. Não precisava ser na frente dele, daquele jeito, e nem deveria ter marcado nada em meu lugar. — m*l percebi que tinha me aproximado dela, apontando o dedo em sua direção, bastante furiosa.
Não importava se não era nada demais. Eu tinha a necessidade de deixar claro que não havia nada entre mim e mais ninguém. Sabia que era i****a e que aquele “amor” era quase impossível, no entanto, saber que ele pensava de mim o que minha amiga supôs, deixava-me a quilômetros de distância de alguma chance de ficarmos juntos.
Era óbvio que isso não iria acontecer entre nós ou com mais alguém. Minha boca traiçoeira repetia tantas vezes essa afirmação, que se eu o revelasse tudo o que sentia, seria interpretada de formas erradas. Sem falar que ele tinha saído ferido de um relacionamento, magoado o bastante para criar uma barreira enorme entre o amor e o seu coração.
Como se já não fosse um abismo gigante vivermos vidas totalmente diferentes. Samantha Still era uma simples engenheira, com sonhos tão pequenos quanto à sua coragem, e ele era um homem bem-sucedido, herdeiro de um império, com mulheres mais lindas e finas que eu ao seu redor.
— Ainda vai me agradecer por isso. — Ela cruzou os braços. — Tudo o que fiz foi pensando em você.
— Pensando em mim?! — debochei. — Quase me fez passar por um vexame na frente de Joseph. Ele ficou tão sem jeito, que foi embora. — Fiquei desanimada.
Era i****a da minha parte achar que ele se incomodava com o fato de eu sair com outro cara, mesmo que esse não fosse um encontro romântico.
— Sem jeito? — O olhar de deboche dela me trouxe novamente a raiva. — Eu diria que estava incomodado com o fato de você ir jantar com outro em um restaurante chique.
— Claro. Porque ele é o único amigo que posso ter. Não viaje!
Ela estava me encarando de maneira estranha, com algo em mente. Seu meio-sorriso, olhos cerrados e uma expressão que não sei o que significa, deixara-me furiosa.
— Espero que tenha um ótimo jantar com o Richard e que meu plano dê certo. — Saiu da minha frente.
— Plano? — Eu a segui, sem entender. — Acha que, de alguma forma louca, eu me apaixone pelo meu ex-professor? Não sonhe alto, senão vai cair das nuvens.
— E quem disse que estou falando dele?
No dia anterior reclamei que minha vida estava, estranhamente, dando quase certo; pelo menos no trabalho. Entretanto, bastou minha cabeça deitar no travesseiro, para que esse cenário mudasse. Joseph era a minha maior preocupação, meu maior desafio. Passei tantas horas acordada, que quase desisti de dormir. Ele era a prova de que eu tinha sido fraca e ridícula ao achar que me guardaria e nunca me apaixonaria por alguém.
Príncipes não existem. Pelo menos não iguais aos dos contos de fadas. E Joseph não era um deles, apesar de ser o cara mais perfeito que eu já havia conhecido. Ele me deixava tão feliz, que acabava me esquecendo das barreiras.
Passei o dia tentando me concentrar no trabalho e quase falhei nesse plano. Vinha à minha mente que meus sentimentos por ele estava, de certa forma, estragando nossa amizade. Ficar longe dele foi difícil e me fez perceber toda essa loucura, mas, pensando bem, achava que tudo tinha começado por conta das nossas noites agradáveis, das conversas intermináveis e de seu olhar amoroso. Sua gentileza também era uma das culpadas.
Para acabar com essa maluquice de amor não correspondido, decidi dar um tempo disso tudo.
Ao fim do expediente, eu tinha que me preparar para o jantar com Richard. Li as mensagens e sabia que seria um encontro de teor cientifico. Então, não me importei.
Escrevi uma mensagem ao Joseph. Algo que me partiu meu coração, mesmo sabendo que era bobagem. Eu precisava de um espaço.
“Desculpe, Joseph, mas acho melhor não sairmos mais por um tempo.”
Era uma frase simples, sem conter muitos detalhes. As palavras não escritas doíam mais do que as que enviei.
Não obtive resposta e dei graças a Deus.
Ao chegar em casa, não vi Hoper. Devia estar ainda na sua sala, na universidade onde trabalhava. Também agradeci por isso. Minha amiga podia até ser maluca e, muitas vezes, irritante, entretanto era a pessoa que mais me conhecia. O que não era bom nesse momento, porque olhando minha imagem no espelho, compreendia que não conseguiria disfarçar a minha tristeza.