Joseph
Surpreendente. Essa é a palavra que eu estava pensando naquele exato minuto.
Eu sabia que seria o nosso último encontro às cegas, contudo não imaginava que estaríamos cara a cara e que ela fosse tão... doce. Muitas vezes Samantha, quando irritada, demonstrava ter o dobro da minha altura e ser bem determinada, porém, apesar de ter, sim, uma grande determinação e força, era sensível e doce.Duas coisas que antes não me atraía.
Depois que a vi, fiquei inseguro.
Ela tinha grandes olhos castanhos, lábios cheios e delicados, um rosto redondo e cabelos loiros, bem longos,que não eram naturais. Era bem mais baixa que eu, com um corpo esbelto, e estava usando um jeans que desenhava suas curvas.
Quando a vi, não sabia que era ela, mas foi só ouvir seu nome, que confirmei sua identidade.Passei tanto tempo tentando imaginá-la, que não me preparei para a realidade.O pior é que estava nervoso e ansioso para continuar com nossa conversa, além de curioso sobre como seria as suas reações tão de perto.
— Agora, o mistério acabou, e o experimento maluco também.Ainda serei crítica com Hoper.Estou preparada para citar os pontos positivos e negativos. —ela disse enquanto caminhávamos lado a lado.
Eu não poderia dizer que a conhecia de verdade, pois o que descobrimos um do outro em nossas conversas ocasionais não tinha sido tão profundo.Só revelávamos pequenas coisas. Ela foi a única pessoaa me ouvir de verdade nos últimos quatro anos.
Sam usava o humor para quebrar o clima ou fugir dos seus reais sentimentos.Eu sabia o quanto estasituação era desconfortável para ela.
— Quais os pontos negativos? —Entrei no seu jogo, não querendodeixá-la ainda mais desconfortável.
— Não sabe? —questionou com o cenho franzido. Era lindo ver seu rosto deste jeito, tão de perto. — Não foi com você que conversei todo aquele tempo?
Soltei um sorriso e desviei o olhar do seu, tentando entender o porquê de tanto interesse, se prometi a mim mesmo não me envolver nesta história de romance novamente.
— Seus pontos podem se divergir dos meus.
— Bem...—disse pensativa. — Tem a parte da sala escura e do encontro às cegas, que acabamos de nos livrar. —Contava nos dedos, deixando-me curioso para saber o que mais ahaviadesagradado. — Viu os outros participantes? É como setivessem passado meses conversando e saindo juntos. Até ouvi uma das mulheres dizer que estava apaixonada, sendoque nenhum de nós tinhavisto um ao outro antes.
— Bem...Somos diferentes dos demais.Essanão é uma surpresa.A nossa experiência não foi igual a deles. Nós nos tornamos amigos e eles estavam realmente interessados em achar algum tipo de parceria romântica.
— Não muda o fato de que não nos conhecíamos e que não nos encontrávamos há meses, e sim há semanas.
— Pessoas são surpreendentes, Samantha. Alguns se apaixonam à primeira vista e se entregam emocionalmente com facilidade.Não podemos dizer que tudo que aconteceu lá foi um total desperdício. E agora, que podemos nos encontrar fora daquelas salas, podemos ou não dar certo.
—Isso não muda a minha opinião.Além do mais, amor à primeira vista não existe. —Paramos no meio do caminho.
Samantha estava pensando em seu argumento, eera divertido ver esse processo. Sempre que o silêncio dominava as nossas conversas, eu pensava no que ela estava fazendo ou pensando, eentão pude ver isso bem de perto.
— Se chama atração. Algo que não se sustenta por muito tempo.
— Então, o sexo não basta?
— Ficaria com alguém só por causa disso? — Suas sobrancelhas levantadas me tiraram um sorriso. — Está zoando com minha cara?
— De forma alguma.
Eu gostava de quando ela se irritava, pois se esquecia de toda a sua timidez;só que como estávamos um ao lado do outro, sem barreiras, eu queria permanecer com a paz, ou ela iria embora cedo demais.
— Podemos conversar muito mais agora, que sabemos quem somos. Não precisa ser um encontro ocasional, é só ligar e marcar de bebermos algo.—sugeri.
Estávamos parados no meio do caminho de pedras, que ficava a poucos metros do prédio de onde saímos, em uma pequena praça rodeada por árvores e por umfood truck onde muitas pessoas se divertiam e comiam.
Eu conhecia Samantha há poucas semanas e só tinhalhe visto pessoalmente há alguns minutos, contudo já havia uma cumplicidade em seu olhar que me confortava, como se ela confirmasse ou quisesse dizer algo sem palavras.
— Tudo bem, se for o seu desejo.Mas não nos conhecemos, com certeza.As últimas semanas não foram tempo o suficiente para isso.—falou convencida.
Era lindo ver seu rosto brilhar sob a pouca luz. Eu estava quase acreditando que essa mulher tinha conseguido mexer comigo com tão pouco esforço.
— Podemos não saber muito dos nossos estilos, e tudo mais, no entanto não pode dizer que não nos conhecemos. —Sempre entrávamos em debate.Era interessante, divertido e despertava em mim o desejo de ser ainda mais seu amigo.Os meus nunca fizeram eu me sentir dessa forma. — Acho que saber sobre os monstros um do outro é, sim, uma forma de nos conhecermos. É um tipo de amizade diferente.Sei que posso confiar em você, mesmo que não confie em mim.
Eu tinha uma grande resistência que, comparada àdela, não passava de um grão de arroz. Sentia-me triste ao pensar que ela se imaginava tão inferior ou não amada, sendo queera a pessoa mais incrível que eu já tinha conhecido.
—Você me disse que não confia em mais ninguém que não sejam aqueles em que conta nos dedos. —lembrou-me.
— Sim, eu disse.Entretanto, foi na primeira semana. Por incrível que pareça, sinto mesmo uma forte ligação com você.É assustador refletir sobre esse fato quando nos conhecemos só háquase um mês.
Mais uma vez estávamos olhando um nos olhos do outro. Suas grandes íriseseram como um espelho que me puxava para mais perto de si.
— Não se sinta ofendido por eu dizer que ainda não confio em você, mas...
— Eu entendo. —falei antecipadamente. — Muitas vezes achou que poderia confiar em pessoas, e elas te decepcionaram.Mas prometo que não citei falsas palavras e que você pode confiar em mim. Pode me dizer o que quiser e esperar que eu também seja o mesmo para você.
— Por que diz isso? — Seu jeito sério de falar demonstrava que ela estava me questionando, pensando que minhas palavras fossem algo r**m.
— Porque eu sei como é se sentir traído e sozinho, como se mais ninguém soubesse como me sinto de verdade. Não fui só eu quem passei por uma grande decepção e ainda existem pessoas que podem ser confiáveis. Só quero que saiba que tem um amigo em mim