Dom não pôde deixar de admirar o quanto ela ficava bem no uniforme elegante da empresa. Só os cabelos presos e que não fazia jus a veste. Ela tinha uma postura séria e responsável, uma perfeita executiva, só que dá concorrência. Foi nesse momento que ele se deu conta que estava com ciúmes. Pela primeira vez, considerou que Nikole era realmente capaz.
Seu humor azedou de repente e fez todo o trajeto em silêncio até o escritório do grupo Ferraz.
- Obrigada pela carona. Tenha um bom dia, Sr Zaffari!
- Nikole, vou embora amanhã. É assim que vamos nos despedir?
- Sr Zaffari, não sei de que forma,..
- Já chega de Sr Zaffari! Para de fingir que não aconteceu nada entre nós.
- O que aconteceu entre nós - Nikole fez um sinal de aspas com os dedos. - Foi um erro, não deveria ter acontecido.
Dominico soltou um suspiro impaciente.
- Sabe que não é tão simples assim. Não tem como negar que temos uma boa química. Eu quero você Nikole!
- É sua noiva? Com que cara eu vou encarar ela?
- Eu disse que estou resolvendo. Não tem que se preocupar com isso.
O coração de Nikole disparou no peito. Uma ponta pequena de esperança surgiu na sua percepção.
- O que você quer dizer com isso?
- Que estou tentando por um final nessa droga de noivado. Mas não é tão simples!
Toda a esperança se foi, e mesmo que ele terminasse o noivado, não era claro que queria um relacionamento com ela. Nikole se sentiu a mais perfeita i****a, parecendo uma adolescente que se ilude com qualquer coisa. Melhor cortar de vez qualquer ilusão.
- Eu entendo. Mas reafirmo, o que aconteceu foi um erro.
- Nikole, não terminou por aqui. Estou resistindo para não fazer o que tenho vontade, mas não vai durar muito tempo. Eu tenho que ter você ou vou acabar enlouquecendo.
Nikole ficou com medo. Ela sabe que se ele tentar, ela não vai resistir. Mas tinha que manter sua posição ou seu futuro e o do seu filho, estaria perdido.
- Melhor manter as coisas como estão, não tome nenhuma atitude da qual vai se arrepender.
Nikole saiu do carro sem olhar para trás. Por mais que desejasse, sabia que entre eles não era para acontecer.
Entrou no prédio e se lembrou de trocar a jóia ofertada pelo casal Ferraz, decidida se dirigiu até ao departamento da joalheria. Como era cedo, ainda não estava aberto aos clientes, mas os funcionários já estavam chegando para abrir. Era ótimo, assim não teria muita gente para fofocar a respeito.
- Bom dia!
- Bom dia Nikole! Véi olhar algo para você?
- De certa forma sim.
Abriu a bolsa e retirou a elegante caixa.
- Eu quero trocar esses brincos.
Veruska Nery, quase se engasgou ao olhar para dentro da caixa.
- Nikole, essa é a. peça mais cara da loja atualmente. Tem certeza que quer desfazer dela?
- Tenho sim. Definitivamente não combina comigo.
- Então veja o que vai levar.
Depois de olhar várias peças, Nikole optou por um pingente de prata, cujo valor não era bem um por cento do brinco de brilhantes.
- Vou querer este aqui!
- E o que mais?
- Somente, está ótimo!
Veruska quase caiu dura atrás do balcão. Ninguém em sã consciência faria tal troca.
- Você enlouqueceu Nikole? Essa peça é nada diante dos brincos. Não posso devolver a diferença em dinheiro, já que foi presente dos patrões. Nesse caso não tem reembolso.
- Eu sei Veruska. É isso mesmo!
- Mas Nikole..
- Eu sei que esses brincos não foram me dados com bom grado. Também não me sinto à vontade em receber. O pingente está mais adequado.
- Mas como vou explicar aos patrões o retorno dessa jóia?
- Diz a verdade. Que peguei algo de acordo com meu perfil.
- Se você quer assim. Mas, acho loucura, é o mesmo que jogar dinheiro no lixo.
- Vai por mim, melhor assim.
Depois de preencher os papéis da troca, Nikole foi para o escritório. Ainda não tinha certeza do seu destino, mas iria sair de cabeça erguida. Apesar de devolver a jóia de valor inestimável, não iria deixar de lado seus direitos trabalhistas.
Entrou em sua sala e organizou sua mesa, colocou as pastas em ordem para serem enviadas para outros departamentos. Não abriu seu computador, não iria começar outro trabalho sem saber se iria terminar.
Quando deu o horário de Carlos começar a trabalhar, foi até sua sala e bateu na porta. Entrou assim que foi autorizada.
- Bom dia Sr Ferraz!
Disse logo ao entrar em seguida se deparou com o avô e Dominico. Ambos sentados a encarando sem surpresa.
- Bom dia vovô!
- Bom dia Nikole.
Em seguida ela olhou novamente para Carlos.
- Desculpe, não sabia que estava atendendo, volto depois!
- Está tudo bem! É só um amigo visitando. O que precisa?
- Eu não estou certa se devo trabalhar ou se já estou dispensada. O RH não recebeu nenhuma notificação.
- Vou deixar ao seu critério cumprir aviso ou não.
- Está certo, vou optar pela saída imediata. Temo demorar e perder uma vaga no grupo Bolt's. Mas ainda assim teremos que discutir algumas pendências na minha recisão.
- Porque vai para o grupo Bolt's? Achei que iria voltar para sua família.
- Eu nunca almejei trabalhar com eles. Não iria dar certo! De qualquer forma, meu foco é a arquitetura. Só preciso de um tempo para fazer uns arranjos.
Dominico a encarou decepcionado.
- Nikole, pense bem antes de tomar uma decisão.
- Já me decidi há muito tempo.
- Se não vai para o grupo Smiths, então porque sair daqui?
Nikole queria muito rir da situação. Não era ele que falou em demissão primeiro? Então qual era a surpresa agora?
- Mas foi o Sr que falou em me demitir ontem. Eu não manifestei nenhuma vontade de sair.
- Está bem Nikole. Tire esses dias para acompanhar seu avô. Voltamos a discussão assim que você estiver livre.
- Eu tenho que resolver logo. Se esperar uns dias, perco a vaga no outro grupo. O Sr sabe como funciona.
Nikole não era boba, então não iria dar chance para ele consultar ninguém.