Estou bem, mas...

715 Palavras
Na maioria das vezes Nate era amável, romântico e gentil, e eu o amava esquecendo assim, das vezes que ele perdia o controle. Segui o conselho de Sarah e não comentei nada sobre Kaya, porém eu continuava a ter pesadelos com ela, aquela pele branca e fria, e o fato de saber que ela havia falecido persistia em minha mente. Todos os dias eu tinha que organizar a casa, cuidar das roupas de Nate e cozinhar, pois ele não havia contratado ninguém para fazer os serviços domésticos, nao que isso fosse um problema para mim, afinal eu sempre ajudei mamãe com nossa casa. Ele insistia que não era necessário e eu o fazia até com prazer, pois era o que me distraía. Eu imaginei que as coisas seriam de outra maneira, que trabalharia como advogada no escritório dele, que receberia meus amigos para o jantar, que mamãe me ajudaria a escolher as coisas da casa e que Nate e papai passariam horas discutindo futebol em nossa sala. Mas não era assim, eu me sentia cada vez mais sozinha, não recebia visitas, nem convites para sair. Nate planejou tudo, desde o começo ele tramou tudo aquilo. Decido enviar uma mensagem para Brad, eu queria contar para alguém minhas aflições, não poderia ser para Sarah, ela parecia estar sempre fugindo dos assuntos relacionados à seu irmão. - Brad, você consegue me encontrar às seis no Broken Wings? - Olá Bel, claro que sim. - Então até mais tarde. Desligo e percebo que estou realmente feliz em me encontrar com Brad. Vasculho as gavetas da cozinha tentando encontrar as chaves do meu carro que finalmente trouxe da casa de meus pais, e há meses não sai da garagem. Eu as encontro até com facilidade para meu estranhamento. Talvez Nate não imaginava que eu teria a ousadia de procurá las. Dirigir até o café me fez tão bem, me senti tão livre, e ver o rosto de Brad me encheu de felicidade. Eu não fazia idéia de quanta saudade guardava dele. Seus olhos sorriram ao me ver passar pelas portas de madeira, o lugar parecia uma casinha antiga de algum lugar afastado da Inglaterra do século passado. Brad estava tão elegante, usando uma camisa social azul e calças pretas, o terno combinava com a calça e ele segura uma pasta de couro com documentos. - Oi Bel, como você está? - Ele me beija no rosto, e sinto um cheiro bom, deveria ser um perfume novo que ele acabou de adotar. - Eu estou bem. - Respondo com dúvida. Por um momento olho meu reflexo no vidro da janela e percebo o quanto é evidente o quanto não estou bem. - Eu sei que tem coisas acontecendo, falei com sua mãe e ela está preocupada com você. - Eu estou bem, nem tudo são flores em uma relação e isso é absolutamente normal. - Ele me olha sem acreditar em uma palavra do que eu digo, mas não insiste. - Porque me chamou aqui? - Antes de responder peço dois cafés e o novo atendente vai buscar meio desajeitado e nervoso, era seu primeiro dia e Ronnie não estava para orientá lo. Logo ele volta segurando a bandeja com as mãos trêmulas. - O primeiro dia é sempre difícil. - Comento e ele sorri sem graça. - Obrigado Joe! - Brad lê o crachá em seu peito e demonstra apoio ao novo funcionário. - Brad, te chamei porque preciso de um favor seu. - Pode pedir qualquer coisa. - Quero que descubra quem era Kaya Montgomery. - Kaya? Quem é essa? - Parece que Nate tem ligação com ela. - Onde ela mora, onde trabalha? - Brad, ela já faleceu. - Ele deixa de lado sua xícara de café intrigado. -Quero que descubra que ligação Nate teve com ela. - Está com ciúmes de jma mulher que está morta Isabel? - Brad fica indignado com a idéia. - Não é isso. Encontrei nas coisas de Nate vários documentos e fotos relacionados á essa mulher, e o que mais me intrigou é que quando perguntei sobre ela à Sarah, ela disse para eu não tocar nesse assunto. Sinto que algo grave aconteceu. Acho que Nate tem algo a ver com isso. Brad segura o queixo analisando cada palavra que digo.
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