Sobre Bad Boys

1875 Palavras
Mas claro que isso não aconteceu, o que aconteceu, foi que Ivi me cutucou, erguendo as sobrancelhas definitivamente abobalhada. — Ei, alerta de gostosura na área... e peloamordedeus! Bota gostosura nisso! Eu soube exatamente de quem ela estava falando, talvez tenha sido por isso que eu tenha ficado estática novamente, sem querer olhar para trás. Mesmo quando Ivi arqueou as sobrancelhas. — Mas o que ele está fazendo com... — Cale a boca, Ivi! — implorei. E logo ouvi a voz de Hanna novamente: — Ei, Eron. Oi. Eu estava pensando sobre nós dois tomarmos um sorvete depois da aula hoje. Você precisa conhecer melhor a cidade e tudo. O que acha? E eu não aguentei mais. Eu tinha que olhar. Me virei naquele instante, sentindo aquele arrepio estranho na nuca, e focando sua silhueta alta a menos de um metro de mim. Não que eu tivesse me esquecido do quanto ele era bonito, mas era uma sensação nova vê-lo novamente. Hoje, a regata era escura, e as tatuagens em forma de garra em seu pescoço pareciam mais vivas que nunca. Seus cabelos pareciam tão escuros, que aprofundavam ainda mais o verde de seus olhos, que estavam contornados por seus cílios hiper escuros. O que fez minha boca cair, foi... bem. Com uma mão ele segurava a alça da mochila num ombro, e com um assombro mudo, percebi rapidamente o que ele segurava na outra mão. Eron deu apenas um olhar desinteressado em Hanna antes de prosseguir seu caminho. — Eu não gosto de sorvete. Enquanto Ivi ria baixinho ao meu lado, observei congelada quando os olhos verdes de Eron me encontraram. — Eveline, eu estava te procurando. — aquele sorriso zombeteiro apareceu em seus lábios redondos enquanto ele erguia meu suéter branco, como se estivesse balançando um pompom no topo de uma pirâmide humana no g***o das animadoras de torcida — Você esqueceu isso no meu carro ontem. — ele fez questão de enquadrar as palavras exatamente daquela forma, para que todos ouvissem. Meu rosto parecia ter sido mergulhado em ácido cítrico, por que sangue quente aflorou em todos os meus poros. Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [89] Merda. Ele havia falado aquilo de propósito. Seu olhar divertido demonstrava o quanto devia ser legal deixar uma garota vermelha e completamente sem ação na frente de uma maré de alunos. Antes de perceber mais detalhes sobre a boca de Hanna se abrindo e seus olhos se arregalando em surpresa, peguei o suéter que ele me oferecia. — Ahn... obrigada. — Não há de que. — ele piscou, parecendo saber que isso só me deixaria mais desconcertada. E antes que ele tivesse a chance de dizer mais alguma coisa que me deixasse mais terrivelmente i****a que aquilo na frente de toda a ASAGL, agarrei o braço de Ivi e dei no pé. — Pois é, agora todo mundo sabe que vocês foram juntos de carro ontem para casa. E daí? — Ivi tentava falar enquanto engolia parte do sanduíche que estava mastigando no refeitório da academia. — Pelo menos você teve a sorte de não levar detenção e nenhuma advertência. E qualquer garota aqui arrancaria os próprios dedos das mãos para que Eron a levasse para casa, disso pode ter certeza. — Você não entende. Ele falou aquilo de propósito. Talvez ele soubesse que ia me afetar. Ivi deu de ombros. — Ou talvez estivesse querendo mandar uma real a Hanna. — ela sorriu — devia ver a cara que ela fez. Eu suspirei pesadamente. — Eu vi. E é disso que eu não gosto Ivi. Eu odeio a forma como ele zomba das coisas ao redor dele. Parece que todos nós fazemos parte de uma grande piada que se só ele sabe o significado... Ivi deu de ombros novamente, botando mais ketchup em seu sanduíche. — Tanto faz. Apenas admita que ele é simplesmente a coisa mais gostosa que já pisou nessa escola. Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [90] — Quem é a coisa gostosa da escola? — Itham perguntou se juntando a nós, com a bandeja recheada de batata frita. — Eu espero que estejam falando de mim, principalmente depois do jogo de hoje. — ele se sentou, fazendo com seus espelhos balançassem e retinissem. — Desculpe ferir seus sentimentos, Itham, mas não. — Ivi deu outra mordida no sanduíche enquanto eu fingia estar pensando em comer o meu, que ainda estava intocado na bandeja. — Claro. — Itham fez uma careta de desgosto — Devem estar falando naquele cara. Parece que a academia inteira não tem outro assunto mesmo... — Viu só? — Ivi abriu bem os seus olhos enquanto me cutucava por baixo da mesa — até Itham admite. — Eu não estou admitindo nada. — Itham protestou enquanto começava a se encher de batata frita — e “coisa gostosa”? Por favor, Ivi, como você sabe que aquele cara não é nem um assassino? — Sim. Um bad boy. Não é excitante? Foi minha vez de chutá-la por baixo da mesa. — Ivi! — Quero dizer, você pelo menos já parou para prestar mais atenção naquelas tatuagens? Ouvi os caras falarem que são símbolos demoníacos. Ivi concordou. — Tem razão, acho que vou pedir para ele tirar a camisa para eu poder dar uma bela olhada... — Ivi! — eu e Itham dissemos em uníssono. — O quê? — ela abriu os olhos de maneira inocente. Itham balançou a cabeça em desgosto. — Você está parecendo uma... eu nem sei! — Uma garota normal? Desculpa ai! — ela fuzilou Itham com seu pior olhar enquanto pousava a metade de seu sanduíche na bandeja — Aff! Vocês são tão chatos! Provavelmente dariam uma bela dupla. “Eve e Itham, os artilheiros da ASAGL”... quero dizer, como, exatamente, vocês pretendem achar uma boa companhia para a Festa a Fantasia se continuarem agindo como se fossem meus avós? Eu permaneci em silêncio, e Itham também. A festa a fantasia acontecia todos os anos no ginásio da ASAGL, geralmente, uma noite depois do jogo Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [91] classificatório dos Tigres da GL. E todos os alunos da escola eram absurdamente loucos pela festa. Todos os anos, o tema mudava. Eu lembro, no ano passado, quando o tema havia sido “Super-Heróis”, e Ivi me havia feito vestir uma fantasia ridícula da Xena, a Princesa Guerreira. Ela havia ido de Mulher Maravilha, e Itham de Hércules. Esse ano, o tema da festa era livre, me fazendo sentir-me m*l antes mesmo que a semana da festa se aproximasse mais. Eu não tinha ideia do que Ivi me faria pôr dessa vez, e no fim de tudo, eu sabia que o objetivo real da festa era: achar um par romântico. Não que eu tivesse exatamente me saído muito bem ano passado, e não que eu esperasse me sair esse ano, mas apenas pensar na ideia de ter que dançar novamente fazia meu estômago se retorcer dentro de mim em protesto. Quero dizer. Eu era inteligente, mas não era nenhum pé de valsa. E algo me dizia que eu apenas não queria aparecer na festa esse ano. Por que algo me dizia que Hanna nunca estivera tão pé da vida comigo antes, o que dizia claramente que, como ela era a Princesa Encantada da escola, ela ia tentar de alguma forma me ferrar de todas as maneiras que conseguisse. E foi exatamente isso que seu olhar dizia quando ela passou por nossa mesa com suas amigas perfeitas a tiracolo, seus olhos azuis afiados como lâmina enquanto deslizavam por mim. Vou te ferrar. — era tudo que eles diziam. Eu me encolhi onde estava, e Ivi percebeu, virando o rosto para saber do que exatamente eu estava desviando o olhar. — Eu apenas queria saber por quê ela me odeia tanto... — reclamei de repente, cutucando meu sanduíche intocado com a ponta do garfo — Quero dizer, não é como se eu houvesse realmente feito algo a ela. Ela simplesmente me odeia desde o primário. Mas por quê? Itham baixou a cabeça, fazendo de conta que estava com a boca cheia demais para responder, e Ivi apenas suspirou, observando o fluxo intenso de alunos ao nosso redor, se embrenhando por todos os cantos do refeitório enquanto gritavam um para o outro feito um bando de canibais. — Por que ela é detestável. — Ivi me lançou a resposta mais óbvia — E por que ela não gosta de ninguém além de si mesma. Garotas como Hanna não sabem o que é gostar de alguém... — ela desabafou dando uma leve olhada para o lado de Itham, que ainda fingia não estar a par da conversa enquanto se concentrava em não babar ketchup pelas veiradas da boca. Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [92] — Eu sei... mas ninguém quer tanto ferrar outra pessoa se essa pessoa não tenha lhe ferido íntima e diretamente. Não faz sentido. Ela é nojenta e tudo, mas isso não explica as coisas. Ela age como se eu fosse a pessoa que fez xixi no cereal dela... ou que matou seu cachorro na noite passada. Itham finalmente ergueu o olhar para mim, ainda mastigando. — Ei, E. Essa garota é doente, isso é tudo. Não deveria se importar tanto com ela. Em um momento de silêncio, eu apenas assenti, pensando que havia um fundo de verdade na declaração de Itham. Não fazia sentido, mas e daí? Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar do que Hanna ou a Festa a Fantasia da Academia, como por exemplo, aquela sensação gelada ao redor do umbigo novamente. d***a. Era como se eu estivesse a ponto de vomitar. Não que eu tivesse de fato comido alguma coisa. E por que raios eu estava transpirando tanto? O clima estava frio, por que as nuvens do lado de fora ainda estavam carregadas, e o tempo continuava nublado. Qual era o sentido de estar suando e sentindo frio ao mesmo tempo? Virei o copo de suco garganta a baixo, enquanto tentava me livrar daquela sensação esquisita. Talvez eu estivesse ficando realmente doente. Talvez estivesse pegando o resfriado de Ivi. Ou talvez precisasse apenas ter uma conversa com tia Peg. Não que eu achasse de verdade que ela fosse mesmo me dizer alguma coisa, mas estava claro que ela sabia de algo que eu não sabia. Meus olhos correram pelo refeitório antes que eu pudesse me conter ou perceber o que eu estava fazendo. Rodas de garotos gritando e rindo alto, com os fones escondidos por baixo do moletom e fazendo batatas voarem por toda a parte atraíram minha atenção, mas nenhum deles era o garoto que eu procurava. Lógico, por que, de alguma forma, se ele estivesse ali, eu saberia. Era isso que me deixava ainda mais confusa. Onde ele estava? Como conseguia sumir desse jeito? E por que eu parecia ser a única a notar esse tipo de coisa? Meus pensamentos foram interrompidos quando meus olhos deslizaram sem querer pela mesa de Hanna, e seus olhos afiados encontraram os meus, enquanto ela falava alguma coisa na rodinha em sua mesa, eu logo percebi que ela falava de mim. Baixei os olhos novamente para minha bandeja.
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