Coisas Que Flutuam

1135 Palavras
EU COMEÇARIA POR TIA PEG. Pelo menos, era nisso que eu pensava enquanto descia as escadarias da academia junto com Ivi. E ainda era nisso que eu pensava quando meio sem querer, meus olhos deslizaram para o estacionamento, onde não demorei muito a localizar Eron, que andava em direção a Land Rover escura. E também havia alguém claramente tentando puxar conversa com ele. Hanna. E claramente, ela parecia não estar tendo muito sucesso. Tá, e depois eu é que era estranha. Convenhamos. Hanna era a garota mais bonita da academia por que ela era simplesmente linda. Então, qual era o problema dele, no fim das contas? Um cara normal não teria muita dificuldade em sair com Hanna e lhe dar uns amassos, mas E Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [101] Eron não parecia particularmente interessado nisso enquanto retirava um molho de chaves dos bolsos. Mas quando menos esperei que algo fosse acontecer, ele ergueu a cabeça, e seus olhos verdes encontraram diretamente os meus, mesmo naquela distância e por cima de tantas cabeças. Antes mesmo que algo mais acontecesse, enganchei o braço de Ivi, me virando rapidamente e desembocando para o lado dos ônibus escolares. — Puxa, o que foi? Qual a pressa? — ela estranhou, considerando que eu estava praticamente correndo. — Ahn... nada. Pensei ter ouvido o ronco do motor do nosso ônibus. — Tudo bem, tenho certeza que o Sr. Bonitão não teria problemas em nos dar uma carona. Eu quase tropecei. — Claro, com certeza... Me forcei a concordar, mas isso só me fez forçá-la a andar mais rápido. Tia Peg, como sempre, estava no meio da cozinha, cheia de comida por todos os lados, e Havana, como sempre, não estava. Mesmo decepcionada por não ver minha mãe de novo, eu sabia que precisaria estar sozinha com tia Peg se fosse mesmo abordá-la, e percebendo que era o momento perfeito, me sentei em uma das banquetas da cozinha, a observando tirar alguma coisa do forno. Eu teria que ser mais esperta. Pelo menos uma vez. Vamos lá, você consegue. — Tia, estou com fome... Tá, isso não foi particularmente esperto. Mas falar sobre comida era a melhor forma de puxar conversa com ela. — É de se imaginar, depois de um dia de escola, eu espero que você chegue de estômago vazio querida, principalmente considerando a comida nada saudável que é servida naquela cantina... — ela pousou uma cuca no balcão da pia — mas não se preocupe, querida, o almoço sairá em instantes. Eu ia ter que ser mais objetiva se quisesse mesmo chegar a algum lugar. — Hum, tia Peg... eu estava pensando... não tenho me sentido muito bem... Ela me olhou com atenção. Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [102] — O que foi? Precisa de um médico? Você deveria falar com Havana, querida. Todo o dom da família de ajudar pessoas doentes passou para ela. — ela disse enquanto procurava temperos em sua prateleira. — Eu sei, mas... não tenho estado doente. Quero dizer... tenho me sentido estranha, e tenho tido sonhos estranhos... — eu arrisquei, observando atentamente sua reação. Mas se ela reagiu de alguma forma, escondeu muito bem. — Ora, imagino que seja normal para adolescentes da sua idade. Você sabe, está apenas passando por uma fase. Nada mais que isso. Certo. Eu sabia que não ia ser fácil, mas estava sendo mais difícil do que eu imaginara. Eu havia pensado em milhões de frases diferentes para usar com tia Peg, qualquer coisa que a induzisse a dizer algo que me ajudasse a compreender. Mas agora, diante dela, todas elas pareciam ridículas. Tia Peg não era exatamente alguém que se pudesse pegar em uma armadilha de palavras. Eu ia ter que ser mais direta que isso. Foi por isso que me levantei e me aproximei mais dela. — Tia, como a senhora sabia sobre Eron? Dessa vez, ela n******e esconder a expressão desconfortável. — Não repita o nome desse garoto novamente, não nesta casa. — Tudo bem, basta me dizer como você o conhece, e de onde? Ela não me deu atenção de início, voltando a se concentrar em seus afazeres. — E por que você está tão interessada? Certo. Agora ela havia me pegado. — Curiosidade... quero dizer, ele não parece ser o tipo de pessoa com quem a senhora se relacionaria. Ela deu de ombros. — Você também não... — Bom, ele estuda comigo. Eu não posso simplesmente ignorá-lo... Tia Peg me encarou de repente, daquele jeito que ela raramente me encarava, quando precisava me dizer alguma coisa realmente séria. — Você já sabe tudo que precisa sobre ele. Que precisa apenas ficar longe. Eu me encolhi. Odiava quando ela me olhava daquele jeito. — Mas por quê? Tem coisas que a senhora não está querendo me contar, mas por quê? Por que não me diz? Caminho das Estrelas 1 FALANGE Christyenne JottaA [103] Ela apenas se virou. — Por que não é da sua conta. Eu já estava a ponto de surtar com minha tia, pela primeira vez em toda a minha existência. — E por que isso é da sua conta, mas não é da minha? Por que você pode saber e eu não? Você não sabe das coisas idiotas que tem acontecido na minha vida! E eu preciso pelo menos saber o que está acontecendo, mas você parece saber e mesmo assim não quer me dizer. Por que está fazendo isso comigo? O silêncio tomou conta da cozinha por alguns instantes, e me perguntei se eu não havia dito mais coisas do que deveria. Mas para minha surpresa, percebi que eu não tinha dito nem a metade do que eu queria. Por que tia Peg apenas recomeçou seu trabalho na cozinha. — Apenas ignore e tudo voltará ao normal. — foi a única coisa que ela disse. Um ácido quente subiu até minha garganta, e eu não podia acreditar no que estava ouvindo. — Você ignoraria? Ela não respondeu, e foi ai que eu me virei e subi ás escadas furiosa, e ambas sabíamos que eu não desceria para o almoço, e provavelmente, nem para o jantar. Eu estava embolada em um emaranhado desordenado de lençóis, cobertas e cabelos quando Havana entrou em meu quarto. Eu soube que era ela por que tia Peg não é do tipo que volta atrás numa discussão. Minha agenda estava aberta ao meu lado na cama, mas eu não me importava com isso agora. As coisas idiotas que eu escrevia não eram de particular interesse de minha mãe. Na verdade, não eram de particular interesse de ninguém. — Eve? Está acordada? — ele sussurrou em meio as sombras fantasmagóricas de meu quarto, considerando que já deviam ser umas oito horas da noite, e eu ainda não havia saído do quarto.
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