CAPÍTULO 2

4796 Palavras
Guilherme. Eu sempre tenho flashes de lembranças sobre minha infância. Me lembro bem dos momentos difíceis que passamos e me lembro bem de quando meu pai era vivo. Quando eu era adolescente eu sentia muita falta de uma figura paterna pra me proteger, dar concelhos e até mesmo ter uma conversa atoa. As lembranças que eu tenho da minha infância e adolescência são memórias difíceis e muito dolorosas. Eu perdi meu pai no dia do meu aniversário de sete anos, eu me lembro bem de estar em casa com amigos jogando videogame e ouvir barulhos de tiro e em questão de segundos minha festa de aniversário se transformou em luto. O meu pai foi morto a tiros por uma policial federal. A desgraçada invadiu o morro e acertou uma bala bem na cabeça do meu pai, essa é uma das memórias que nunca sairá da minha cabeça. O meu pai foi a pior pessoa que eu já conheci em toda minha vida. Ele era um homem r**m com todos os em minha volta e até mesmo comigo e com minha mãe, eu me lembro bem de ouvir os gritos desesperados da minha mãe sempre que ele chegava em casa estressado. Meu pai era uma pessoa h******l, ele traía minha mãe com todas as vagabundas do morro e ainda assim se achava no direito que agredi-la. Eu passei minha infância inteira tentando entender o porque minha aceitava aquela situação h******l, mas quando meu pai morreu e ela se envolveu outro cara do movimento eu entendi bem o motivo do seu sofrimento. Ela aceitava todas as agressões e traições por causa de patrocínio. Quando eu era criança eu não entendia o porque as pessoas entravam para o tráfico. Eu sabia que era um caminho fácil aonde o dinheiro brota e todos os problemas se resolvem, mas eu sempre via os caras do movimento morrendo ou indo para cadeia. Eu sempre dizia pra mim mesmo que jamais entraria para esse mundo e que o meu futuro seria muito diferente, mas eu cresci e vi minha mãe doente passando por necessidades e eu finalmente enxerguei que a vida nem sempre é como os noticiários diz, as vezes você precisa ir contra seus pensamentos e tomar decisões que não são certas aos olhos da sociedade. Foi isso que eu fiz. Eu tinha exatamente dezesseis anos quando eu entrei para o movimento aqui no morro e na época minha mãe estava com uma pneumonia muito grave e nós não tínhamos dinheiro pra comprar remédio. Eu era o homem da casa e não sabia o que fazer pra ajudar, na época meu tio era o chefe do movimento e me fez convite irresistível. Eu iria ganhar cento e cinquenta reais pra ir entregar uma quantidade de drogas na zona sul. O remédio da minha mãe custava cem reais e foi aí que eu entrei nessa vida. Eu era uma adolescente e essa foi a decisão mais fácil e mais lucrativa, então eu peguei o trampo e fiz o corre na maior tranquilidade, a pior parte disso é que eu nunca mais consegui sair dessa p***a de vida. Agora eu já estou acostumei com a vida que eu levo, antes eu ficava mentindo pra mim mesmo dizendo que um dia sairia do tráfico e levaria uma vida honesta, mas eu vou dizer uma coisa do fundo do meu coração com toda minha honestidade. Quem entra nessa vida desgraçada não saí mais não. Eu já estou ciente que qualquer hora eu posso ser baleado, preso ou até ir dessa pra melhor. No meu caso pra um lugar bem pior do que esse inferno. Hoje eu apenas faço o que eu tenho v*****e e vivo cada dia como se fosse o último. Sabe-se lá se eu não vou ser preso daqui a duas horas, se alguém vai f***r comigo ou se eu parar dentro de uma vala qualquer. - Ô chefe, o patrão tá te convocando lá na boca da nove.- uma voz chamou minha atenção me fazendo acordar. Há mais ou menos um mês atrás ouve uma invasão no morro aonde um dos meninos foram mortos, desde então eu tenho passado a noite inteira na fonte mais alta do morro cuidando do movimento e cuidando da p***a da segurança. Óbvio que se dependesse de mim eu passaria minhas noites dormindo ou fazendo algo mais interessante, mas o filho da p**a do patrão me colocou na frente da segurança do morro e qualquer problema que acontece o BO caí pra cima de mim. O Nefasto é patrão no morro há mais ou menos uns cinco anos. Ele é filho do Chicão que comandou o morro por uns oito anos e o meu irmão mais velho. Eu sempre achei que o meu pai fosse a pior pessoa do mundo, mas ele perde f**o pro filho da p**a do Nefasto. O cara é um b****a que se sente o dono do mundo e faz questão de oprimir cada morador dessa p***a comunidade. Ele é meu irmão por parte de pai, mas a gente não tem absolutamente nada em comum. Eu tenho noção das minha escolhas erradas e sei bem que o que eu faço é fora da lei, mas eu não sou o tipo de cara que adora aparecer apenas por estatos ou que quer botar moral na base da violência. Pra mim o Nefasto só faz isso pra aparecer. Me levanto daquela p***a de cadeira dura que acabou com minha coluna e pego minha a**a que estava sobre a mesa e guardo em minha cintura. - já vou descer.- digo descendo minha mão para o meu bolso e pego um cigarro no mesmo. O moleque ficou parado na minha frente me encarando igual a um espantalho e eu que já estava quase sem paciência por ter passado a noite inteira acordado perdi o que me restava. - qual foi p***a? Eu já disse que tô já indo.- digo passando por ele e ascendo o meu cigarro. O moleque não disse mais nada e se sentou com os outros moleques que ficam cuidando da mercadoria que nos distribuímos. Caminho até o quartinho dos fundos e abro a armarinho branco pegando o bolo de dinheiro que faturamos no último baile. A maioria do dinheiro que faturamos com o tráfico hoje em dia vêm de fora do morro, óbvio que há muitos viciados no morro que compram drogas a rodo, mas não é nada comparado ao tanto de dinheiro que as patricinhas e filhinhos de papai gasta com drogas. Já virou rotina alguns carrões pararam aqui em cima e comprar muita m*****a ou cocaína. Se esses empresários soubéssem o quanto eles financiam o t***************s nunca mais abriram a boca pra falar m*l da gente. - tô saindo! Qualquer coisa me manda um rádio ou liga no meu celular.- digo saindo pela porta e desço as escadas abrindo o portão. Quando eu saí na rua me deparei com uns cinco caras fazendo a segurança com armas na mão. Eu os comprimentei e peguei minha moto descendo por aquelas vielas. Eu não vou dizer que a vida de quem é envolvido no t***************s é mil maravilhas, mas como tudo na vida sempre tem uma parte boa. Eu tenho dinheiro, conceito no morro e a mulher que eu quiser na minha cama. Se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos é que muita mulher é vidrada em bandido e eu não tô falando só de mulher da favela. Na verdade eu já perdi as contas de quantas patricinhas subiram no morro pra dar pra traficante, pra mim essa é a parte boa da vida que eu levo. Estaciono minha moto em frente ao muro branco cheio de pichações e desço da mesma passando pelo portal que já estava aberto. Já haviam alguns caras parados na rua e outros já dentro da casa. Eu entrei e fui direto para o quarto dos fundos. - mandou me chamar?- pergunto encontrando Nefasto sentado em uma cadeira com uma fileirinha de ** na sua frente. Ele levantou a cabeça me encarando com um sorriso i****a de drogado. - senta aí!- ele diz apontando pra cadeira vazia na frente da mesa. Me encosto na porta cruzando os braços e balanço a cabeça. - tô de boa.- eu respondi. Ele me encarou com uma expressão impaciente em seu rosto e bateu na mesa fazendo o ** se espalhar. - SENTA AÍ p***a!- ele gritou com os olhos vermelhos. Caminho até a mesa e puxo a cadeira me sentando mesmo contra a minha v*****e. As vezes eu sinto v*****e de enfiar uma bala na cabeça desse filho da p**a. - eu estou esperando tu me trazer o dinheiro desde ontem.- ele diz se encostando no apoio da sua cadeira e da um trago em seu cigarro de m*****a. Abro minha pochete e tiro aquele bolo de dinheiro e coloco sobre a mesa próximo a ele e ele logo pegou. - essa semana rendeu.- ele diz enquanto conta o dinheiro. Não digo nada, apenas aceno com a cabeça concordando com ele. - tu tá me trazendo bastante lucro moleque.- ele diz me encarando com um sorriso no rosto. Eu não fiz questão de responde-lo, eu apenas acenei com a cabeça e dei um sorriso fraco. Nefasto guardou uma parte do dinheiro em seu bolso e me pagou com a outra. - repassa prós moleque lá de cima e pode ficar com o resto.- ele mandou. Aceno com a cabeça concordando, me levanto guardando o que ele me deu na minha pochete e levanto a cabeça o encarando. - eu tô subindo lá pro meu barraco, tu precisa de mas alguma coisa?- pergunto o encarando. Ele balançou a cabeça negando, deu um trago em seu cigarro e jogou a fumaça pro ar. - pode ir meu parceiro! Qualquer coisa eu mando os moleques te convocar lá.- ele respondeu. - demoro!- digo por fim. Eu saí pela porta dos fundos e me sentei na calçada em frente a boca pra trocar uma ideia com os caras como de rotina. - mas aquela alí só dá pra quem tem conceito meu irmão.- Lucão comentou fazendo os moleques darem risada. Balanço a cabeça rindo e desencosto meu corpo do muro apoiando meus braços em meus joelhos. - se vocês ficassem ligado no movimento do morro igual ficam em mulher ninguém ia invadir essa porra.- digo os encarando. Minhas palavras entraram em um ouvido e saiu no outro, não deu cinco minutos e eles voltaram a falar sobre quem comeu e deixou de comer. Eu me mantive calado apenas ouvindo o papo deles, porque pra mim quem fala demais acaba não fazendo nada. - eu vou pro meu barraco que eu tô cansado de ficar ouvindo esses cao de vocês.- digo pegando meu capacete e me levanto indo até minha moto. Os moleques começaram a rir com a minha reação e naquele momento eu tive certeza que todo aquele papo não passou de puro cao. Eu honestamente não sei o que dá na cabeça desses moleques pra ficar inventando mentira só pra ter pagar de machão. Eu não sou nenhum homem de família e nem nada do tipo, mas também não sou do tipo que fica difamando mulher pra cima e pra baixo só pra aparecer na roda dos antigos? Eu me despedi dos caras e saí dali pilotando direto para a casa da minha mãe. Hoje em dia minha mãe e eu não temos um bom relacionamento porque desde quando ela era jovem ela carrega o mesmo objetivo de sempre, dinheiro! Ela não é do tipo que dá apoio, carrinho e muito menos um suporte quando eu preciso, mas quando ela precisa de dinheiro pra encher a cara eu sou a primeira pessoa que ela procura, isso me deixa m*l na maior parte do tempo. Estaciono minha moto em frente a sua casa e desço entrando direito porque o portão já estava aberto. Subi as escadas e entrei para o corredor parando em frente a porta de entrada. - mãe?- a chamei me deparando com aquele silêncio. Eu ouvi alguns passos e segundos depois ela surgiu vindo da direção da cozinha. Os seus cabelos estão bagunçados, a sua roupa suja e eu consigo sentir o cheiro de cachaça daqui. - mãe, tu tava bebendo?- pergunto entrando na sala e indo até ela. Ela me encarou com um olhar perdido e eu soube que ela já estava completamente bêbada mesmo ainda sendo de manhã cedo. - quanto tu vai tomar jeito, em?!- digo soltando um suspiro e balanço a cabeça. Ela passou por mim trocando as pernas e se jogou no sofá falando palavras aleatórias de um jeito embolado. - você trouxe o meu dinheiro?- ela perguntou em um certo momento. Fecho os olhos e respiro fundo me sentando ao seu lado no sofá. É h******l pra mim vê minha própria mãe nessa situação. Eu queria tanto que ela parasse de beber e tomasse um rumo diferente em sua vida, mas a única coisa que importa pra ela é o dinheiro e a maldita bebida. - eu não vou te dar dinheiro se for pra você ficar nessa situação.- digo baixinho. Ela se virou no sofá e me encarou com um olhar de indignação, no mesmo segundo ela se levantou cambaleando e apontou o dedo na minha cara. - quem você pensa que é pra falar comigo dessa maneira? Você não passa de um moleque desobediente e m*l educado! Se eu soubesse que você me trataria assim tinha seguido com a ideia de abortar.- ela cospe as palavras em minha cara com toda sua grosseria. As vezes eu paro pra pensar e chego a conclusão que pessoas como minha mãe jamais deviam pensar em procriar. Quando ela joga essas palavras em minha cara eu chego a pensar que talvez seria melhor se ela tivesse me abortado. Porque pra viver na situação que eu vivo hoje em dia seria melhor nem ter nascido. - tu não vai dizer nada teu m***a?- ela perguntou me peitando em busca de briga. Balanço a cabeça sem paciência pra todo aquele show que ela sempre faz e passo por ela caminhando até a porta. - EU QUERO MEU DINHEIRO!- ela gritou vindo atrás de mim e batendo em minhas costas. Paro virando pra trás e jogo aquela m***a de dinheiro no sofá e olho em seus olhos. - faça bom aproveito dessa p***a de dinheiro.- rosno com raiva e dou as costas descendo aquela escada. Eu desci para rua e montei em minha moto e saí por aquelas ruas sem olhar pra trás. Toda vez que minha mãe fala algo desse tipo pra mim eu me sinto um verdadeiro m***a. Parece que tudo que eu faço por ela vira fumaça e é em vão. Pra ser sincero as vezes eu paro pra pensar e me arrependo de ter tomado algumas decisões no passado por causa dela. Eu amo minha mãe e seria capaz de fazer tudo por ela, mas me machuca saber que o sentimento não é recíproco e que por ela eu não teria ao menos nascido. Estaciono minha moto em frente a minha casa e desço da mesma tirando meu capacete. Abro minha pochete tirando minhas chaves e caminho em direção ao meu portão e entro sem olhar pra trás. Fecho a porta atrás de mim e tiro aquela camisa tentando afastar aquele aperto de alguma forma. Tiro a a**a da minha cintura, faço o mesmo com minha pochete e me jogo no sofá fechando os olhos. - p***a!- grito nervoso socando o sofá. Eu sei que eu sou responsável pelas decisões de m***a que eu tomei em minha vida, mas em pensei em minha mãe em todos esses momentos e pra mim não fazia diferença se eu iria morrer ou ficar enjaulado por anos e anos, mas parece que pra ela nada faz diferença, parece que o mundo todo tem que girar em torno da sua v*****e. O meu celular vibrou em meu bolso e eu o peguei lendo as últimas mensagens que me enviaram. Eu respondi as que me interessavam e as outras eu deixei de lado. Me levanto jogando o meu celular no sofá e caminho até a cozinha. Abro a geladeira e pego o último pedaço de pizza que me restou de sábado e esquento no microondas e acabo comendo sentado em uma das cadeiras da cozinha. Quando eu acabei de comer eu coloquei as louças sujas na pia e fui direto para o banheiro. Tiro minhas roupas e ligo o chuveiro deixando a água fria cair sobre o meu corpo. Durante o banho eu fiquei remoendo as atitudes da minha mãe. Por que será que ela não gosta de mim? Antes eu pensava que ela me evitava por eu ter envolvido no tráfico, mas eu me prontifiquei a sair e ela foi totalmente contra e até ameaçou nunca mais falar comigo caso eu deixasse essa vida de lado. Eu fico totalmente sem entender os motivos pra ela me tratar iguail a um pedaço de lixo. Talvez se eu fosse igual ao Nefasto que bate na mãe ela iria mudar sua opinião sobre mim. Saio do banho com a toalha amarrada em minha cintura e entro em meu quarto parando em frente ao guarda roupas. Pego uma bermuda preta e uma peita da mesma cor, me sento na cama e calço o meu Mizuno. Coloco minha pochete e saio do meu quarto pegando as chaves e o meu celular. Eu até pensei em ficar em casa e descansar, mas agora eu preciso beber pra esquecer os problemas e quem sabe relaxar um pouco. Saio de casa trancando a porta e desço as escadas indo até minha moto colocando o capacete subindo na mesma e a ligando. Eu desci até o barzinho que fica em uma das partes mais baixas do morro e estacionei alí descendo da moto. Alguns dos caras da boca estavam sentados alí nas mesas da entrada bebendo e fumando. - fala chefe.- um deles me comprimentou assim que eu desci da moto. Puxo uma das cadeiras e me sento juntando a eles. - qual a boa?- pergunto pegando um copo vazio e o encho de cerveja. Os caras começavam a falar sobre futebol, mulher e sobre alguns assuntos sobre a boca e na verdade àquele papo já estava me enchendo. Em um certo momento eu senti mãos envolvendo o meu corpo por trás e um cheiro feminino. - Oi meu gato!- uma voz familiar surgiu atrás de mim. Viro minha cabeça e me deparo com Karen, uma mulher que eu tenho um rolo há um tempo. - o que tu quer?- pergunto sem encara-la. Ela me abraçou com mais força, cheirou minha pele e beijou o meu pescoço. - nada meu gato! Só estou te fazendo um carinho.- ela manhosa. Karen é uma mulher bonita. Ela é morena da pele clara, seus cabelos são lisos, negros e batem na metade das costas, ela tem um corpo muito bonito e um rosto com fortes expressões. - tá estressado?- ela perguntou aproximado seu corpo do meu e fazendo uma expressão s****a. Karen e eu não temos mais que um s**o casual, nos transamos quando estamos com v*****e, mas não passa disso. - eu vou beber um pouco e se tu quiser me encontrar mais tarde lá no barraco.- digo com meu olhar sobre ela. Um sorriso surgiu em seus lábios e ela ficou na ponta dos pés, envolveu suas mãos em volta do meu pescoço e me beijou. sua mão desceu contornando meu peitoral e ela apertou o meu pênis por cima da roupa. - eu m*l posso esperar.- ela diz com um sorrisinho em seu rosto e da as costas saíndo do bar com suas amigas e com um copo de cerveja nas mãos. Eu pedi uns petiscos para o João do bar e mais uma rodada de cerveja para os caras. Nós começamos a beber e embalamos em uma conversa. - Carioca?- um dos crias do movimento que é aviãozinho veio correndo em minha direção. Me levanto da minha cadeira e cruzo os braços levantando uma sobrancelha sem entender o porque e daquele exagero. - qual foi moleque?- digo o encarando. Ele parou em minha frente afobado e com a respiração desrregulada e me encarou todo suado. - tua mulher tá arrumando treta lá na saída da vinte e três.- ele diz me deixando ainda mais perdido. Franzi a testa e me abaixei ficando do tamanho daquele moleque. - fala direito moleque porque eu não tô entendendo p***a nenhuma.- peço por uma explicação. Ele respirou fundo se acalmando e acenou com a cabeça concordando comigo. - a Karen tá quase batendo em uma menina lá na vinte e sete... parece que a menina não é do morro e tem até pinta de patricinha.- ele explicou deixando as coisas mais claras. Bufo já farto daquela situação. Desde que Karen e eu começamos a ficar ela se acha no direito de peitar cada pessoa desse morro e depois quando da r**m ela corre pro meu barraco pra pedir abrigo. - essa p***a só me arruma confusão! Que m***a em.- digo irritado e saio do bar em direa a tal rua. Eu desci o morro já embalado e sem paciência nenhuma pras picuinhas da Karen. Quando eu entrei no começo da rua eu pude ouvir os seus gritos e vi a tal garota coagida no canto e com os olhos arregalados e ao seu redor estão Karen e mais umas quatro mulheres. Naquele momento eu perdi o resto de paciência e humor que me restava. - KAREN!- eu gritei cerrando os punhos e trancando a mandíbula. Naquele momento ela parou de gesticular e os seus gritos cessaram e mesmo assim eu continuei nervoso. Eu passei por um g***o de meninas e entrei na frente das duas olhando diretamente para Karen. - QUANTAS VEZES EU JÁ TE DISSE PRA NÃO ARRUMAR TRETA NESSA p***a CARALHO.- eu gritei. Ela se encolheu na minha frente e arregalou os olhos de forma assustada. Ela se calou e olhou pra trás e naquele momento algo me chamou atenção. Eu me virei na direção dos seus olhos e a garota encolhida e com expressão assustada chamou minha atenção. Ela com certeza não é do morro, porque se fosse eu já tinha a notado há muito tempo e com certeza também já teria outras coisas muito mais interessantes com ela. Ela é bonita, uma beleza que é nada comum aqui no morro. Ela tem estatura baixa e um corpo magro, sua cintura é fina e as suas curvas são moderadas, os seus cabelos são cacheados e vão até a cintura, o seu rosto e fino e seus traços são como os de uma boneca. Ela parece uma daquelas bonecas de porcelana pra ser honesto. Eu fiquei a encarando por um bom tempo e cheguei até o esquecer o motivo de estar alí. - o que está acontecendo nesse c*****o?- pergunto já sem paciência. Karen passou por mim tomando frente e cruzou os braços com uma expressão nervosa em seu rosto. - esse projeto de retardada derramou cerveja em mim e ainda veio debochar da minha cara.- Karen diz praticamente rosnando. - eu já pedi desculpas e assumo o meu erro, mas se você não quiser dar ouvidos as minhas palavras o problema é todo seu.- ela abriu a boca pela primeira vez chamando minha atenção. Karen deu uma gargalhada irônica e cruzou os braços peitando a garota com todo o seu desaforo, mas naquele momento a garota se manteve no lugar e não deu pra trás. - você cala essa sua boca sua p*****a de merda.- Karen voltou a abrir a boca e o meu estresse voltou. - quem manda nessa p***a sou eu e sou eu quem deve dar as ordens, tá me ouvindo?- digo com meu olhar sobre ela. Karen se virou pra mim e colocou a mão na cintura me olhando com uma expressão irônica em seu rosto. - eu quero que tu coloque essa zinha pra correr daqui.- ela impõe como se tivesse autoridade pra isso. - olha bem como você fala.- a garota diz em um tom nervoso chamando minha atenção. As suas bochechas estão coradas, os seus olhos cerrados e a sua testa franzidas. Karen descruzou os braços e coloco as mãos na cintura levantando uma sobrancelha. - eu falo do jeito que eu quiser e se você estiver incomodada a gente pode resolver.- Karen diz com aquele jeito provocativo. Entro no meio das duas intervindo antes que uma atraque na outra e eu tenha que levar esse tipo de problema lá pro Nefasto. A garota tem maior panca de patricinha. Imagina se a Karen bate nessa garota e ela é filha de alguém importante? A polícia invade esse morro e as coisas acabam fodendo é para o meu lado. - some da minha frente Karen, sobe agora.- digo entre dentes. Ela me encarou com uma expressão de incredulidade em seu rosto e abriu a boca em um "o". - Carioca.- ela diz gaguejando. Balanço a cabeça sem deixa-la falar e aponto para a subida do morro a mandando subir. - a gente conversa depois.- digo a encarando. Ela deu uma risadinha nervosa e acenou com a cabeça concordando comigo. - de boa!- ela diz passando a língua pelo lábios. Karen desviou seu olhar de mim e olhou para trás olhando pra aquela garota. Eu a peguei pelo braço a aproximando de mim e ela me encarou naquele momento. - eu não quero saber de tu arrumando treta com ninguém.- digo mantendo nosso contato visual. Ela desviou seu olhar de mim por alguns momentos e acenou com a cabeça concordando comigo mesmo com sua expressão facial dizendo totalmente o contrário. - foi m*l, eu vou ficar de boa!- ela diz em um tom mais calmo. Solto seu braço a soltando e no segundo seguinte ela ficou na ponta dos pés e me surpreendeu com um beijo na boca, suas mãos se envolveram em volta do meu pescoço e ela me beijou com v*****e. - mais tarde a gente se encontra e se resolve.- ela diz com um sorrisinho debochado em seus lábios. Ela separou seu corpo do meu e virou em direção a garota que ainda se mantém parada nos encarando. - foi m*l aí patricinha!- ela diz por fim. A garota não respondeu uma palavra se quer, ela se manteve de pé com uma expressão nervosa em seu rosto e com seus olhos pegando fogo. Karen não disse mais nada depois daquilo, ela apenas deu as costas e subiu o morro acompanhada das antigas. Meu olhar foi diretamente para a garota a minha frente. Ela tem beleza a chama atenção, mas algo nela é muito estranho pra mim e eu sinto que já a conheço de algum lugar. Eu não sei exatamente o que é que ela me lembra, mas é uma coisa que me trás um sentimento r**m. - desce e me faça o favor de não subir na quebrada pra arrumar treta.- eu digo mantendo meu olhar sobre ela. Ela me encarou com uma expressão irônica e eu pude vê o resquício de um sorriso debochado em seus lábios. - DESCE LOGO!- digo em um tom mais alto olhando em seus olhos. Ela abaixou o olhar encarando o chão naquele momento, mas alguns segundos depois ela levantou o rosto me encarando com uma expressão séria de raiva. Ela não disse nada, apenas deu as costas e saiu descendo o morro em passos largos e rápidos. Eu fiquei naquele ponto a analisando e tentando me lembrar de onde é que eu conheço esse rosto. Eu não sei se eu já a vi em algum lugar, mas eu sei que ela me trás alguma lembrança e é relacionado a algo muito r**m. Em um certo ponto do morro ela olhou pra trás e seu olhar veio diretamente pra mim e se manteve por alguns segundos. Eu me mantive sério e acenei com a cabeça apontado para a saída do morro. Ela se virou no mesmo momento e continuou andando. Quando ela cruzou a avenida de baixo e sumiu do meu campo de visão eu fui até o meio da rua e a busquei com o olhar. Ela está parada em um ponto de ônibus e olha pra cima bem na minha direção. Os nossos olhares se cruzaram e daquela vez ela não fez questão de desviar. Eu fiquei de cima a encarando até vê-la entrando no ônibus e quando o mesmo sumiu do meu campo de visão. Quando eu voltei para o meu posto a sua imagem invadiu minha memória e a minha consciência me alertou sobre aquela garota. Ela tem algo estranho e eu vou descobrir o que é.
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