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A Filha Do Juiz

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intro-logo
Sinopse

Pilar Villela de Araújo é filha de um conceituado juiz mineiro e de uma promissora agente federal carioca, fruto de uma dura e linda história de amor ela cresceu e se tornou uma jovem humilde, forte e determinada, a jovem estudante de pedagogia tem temperamento forte, mas um coração puro e enorme. criada com a total p******o e segurança dada pelos pais Pilar não enxerga o mundo da maneira que ele é, mas tudo muda quando em uma visita ao morro dos prazeres ela encontra alguém que lhe mostrará a realidade e a dureza do mundo real.

Guilherme é apenas mais um dos moradores do morro dos prazeres, filho de um perigoso traficante que morreu quando ele ainda era uma criança. Guilherme como a maioria dos jovens periféricos cariocas cresceu sem nenhum apoio familiar ou educacional e isso lhe jogou de cabeça dentro da criminalidade e no t***************s. Gui não vê mais saída pra sua vida e vive todo dia como se fosse o último, mas pra noite uma garota "mistériosa" caí de paraquedas em sua vida lhe fazendo enxergar uma luz no fim do túnel.

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CAPÍTULO 1
Pilar. Desde que eu era uma garotinha minha mãe sempre foi uma grande inspiração pra mim. Me lembro bem nas raras vezes que ela me levava na delegacia e mesmo eu odiando aquele perigoso e tumultuado mundo eu adorava, apenas pra ficar um pouco mais próxima a ela. A minha família é a minha base. Nós vivemos em pé de guerra e brigamos diariamente, mas eu realmente não saberia o que fazer da vida sem ter minha mãe, meu pai e até mesmo o meu irmão Arthur. Cada m****o da minha família e totalmente essencial pra minha vida. a minha mãe tem um temperamento forte e estourado, mas no fundo ela é a pessoa mais amável e protetora do mundo. O meu pai tem o seu jeito sério e reservado, mas com certeza ele é o homem mais carinhoso do mundo e ama e protege a nossa família como ninguém. Já o chato do Arthur eu sou obrigada a aturar como irmã mais velha. Cá estou eu deitada em minha cama usando o travesseiro como t**a ouvidos e ouvindo o som chato e estridente do despertador. Na verdade ele já tocou umas dez vezes de meia hora pra cá, mas eu não tive ao menos coragem de me mover na cama para o desativar. - PILAR VOCÊ ESTÁ s***a?- o grito da minha mãe fez o meu corpo pular na cama e a minha mente acordar naquele mesmo segundo. Eu me sentei na cama ainda sentindo um soninho gostoso e aquela preguiça rotineira de segunda feira. A minha v*****e é de ficar deitada nessa cama até o meio dia, mas eu tenho certeza que se eu não levantar agora minha mãe irá invadir o meu quarto e arrancar a minha pele. Dona Patrícia Villela é osso duro de roer. Se as coisa não saem como programado ela é capaz de perder a língua de tanto falar. Me levanto da cama espreguiçando e passo as mão pelos olhos em busca de afastar aquele sono maldito. Calço os meus chinelos e vou direto para o meu banheiro. Eu tento exatamente quinze minutos para estar pronta na mesa no café da manhã, então eu tomei um banho rápido e bem gelado pra acordar de uma vez e saí indo para o meu closet para me trocar e terminar de me arrumar. Eu me vesti com a calça de moleton mais larga e confortável que havia em meu closet, coloquei uma camiseta branca de alcinha e pano fino e por fim calcei o meu Adidas favorito. Depois de me trocar eu voltei para o banheiro lavei o meu rosto, escovei os dentes e soltei os cabelos os deixando bagunçados mesmo. Eu sou a pessoa mais preguiçosa do mundo no quesito sair arrumada pela manhã, então todos já estão acostumada a me ver com a cara limpa e amassada e com uma roupa simples e muito confortável. Saio do meu banheiro e vou direto para a escrivaninha que há no meu quarto e término de organizar o meu material da faculdade. Eu curso pedagogia e estou no meu terceiro período do curso. Escolher uma área pra estudar e seguir uma carreira sempre foi uma decisão muito fácil pra mim. Eu sempre fui de colocar uma ideia na cabeça e não sossegar até conseguir alcançar os meus objetivos. Eu sempre adorei ajudar as pessoas de alguma forma e sempre fui voluntária em lares carentes, creches e orfanatos e eu acabei me envolvendo com aquele mundo e com crianças. Eu poderia sim seguir uma área muito rentável e não tão estressante, mas eu não seria eu se eu seguisse uma profissão que eu não amo de verdade. Eu quero ser professora em comunidades carentes e poder mostrar pra essas crianças que elas têm escolhas na vida. Eu quero que elas tenham educação de qualidade e tenham a mesma oportunidade que qualquer filhinho de papai de escola particular. Saio do meu quarto com tudo já pronto e organizado e desço as escadas indo direto para a sala de jantar. Quando eu entrei minha família já estava tomando café e eu como sempre fui a última a chegar. - bom dia!- eu os cumprimentei sentando em minha cadeira e colocando minha mochila sobre a mesa. Minha mãe me encarou de r**o de olho e eu soube naquele momento que ela não está de bom humor. Minha mãe é melhor mãe do mundo e a minha melhor amiga, mas com certeza ela é pessoa mais rabugenta do mundo inteiro. - boa tarde!- ela respondeu e voltou a encarar sua agenda digital com aquela expressão. O meu pai deu risada balançando a cabeça e bebeu um pouco do seu suco e logo após colocou o copo sobre a mesa e trouxe o seu olhar pra mim. - bom dia meu amor.- ele diz com um sorriso no rosto e com uma expressão calma e serena de sempre. O meu pai com certeza é o homem mais doce e compreensível do mundo e eu sempre digo que se um dia eu casar o meu marido terá que ser exatamente igual a ele. - eu tenho um trabalho muito importante pra apresentar hoje, então eu já vou indo.- Arthur diz deixando sua refeição de lado e se levantou pegando sua mochila que estava no chão. Ele foi até minha mãe e deixou um beijo em seu rosto, se despediu do papai e veio até mim bagunçando os meus cabelos. Arthur e eu temos uma r*****o amigável de irmãos. Na verdade a gente sempre tem briguinhas bobas por coisas banais do dia a dia, mas eu o amo muito e tento ser uma ótima irmã mais velha. Isso quando eu não estou grudada em seu pescoço tentando mata-lo de alguma forma. - aonde a mocinha estava na noite passada que chegou as três da manhã na ponta do pé?- a voz da minha mãe soou me fazendo engasgar com o suco. Eu deixei meu copo de lado e dei um sorriso amarelo a encarando. Na verdade eu fui em um samba em Copacabana com Raquel e a gente acabou perdendo a hora, mas eu disse pra minha mãe que ia estudar com um g***o da minha sala pra ela me deixar sair. Sim eu tenho dezenove anos e tenho que pedir permissão para os meus pais pra ir em um rolê. Minha casa tem muitas regras a se seguir. Não é que minha mãe seja uma chata extremista e nem nada do tipo. É que sair no domingo quando se tem aula na segunda de manhã pode acabar alterando minha rotina e por isso ela acha errado, mas eu sempre acabo dando um jeitinho maroto de escapar e ela sempre descobre. - tava estudando mãe.- menti novamente. Se ela descobrir eu tô morta. Ela deu um sorriso desconfiado e cerrou os olhos acenando com a cabeça. - tá certo.- ela falou não se dando por vencida e se levantou um segundo depois. Eu terminei de beber o meu suco e peguei um misto quente me levantando e pegando minha bolsa. - tô indo, eu te amo pai.- digo deixando um beijo em seu rosto e saio correndo atrás da minha mãe. - tenha um bom dia, eu te amo muito princesa.- meu pai respondeu alguns segundos depois. Arrumo minha bolsa em meus ombros e saio pela porta atrás dela indo em direção a garagem. Ela ao menos me deu ouvido e entrou no carro ligando o mesmo. - calma mãe!- digo afobada abrindo a porta do carro e sentando no banco do carona. Ela me encarou através do retrovisor interno e soltou um suspiro acenando com a cabeça. - me desculpa amor, eu estou descontando os problemas do trabalho em vocês.- ela diz com mais calma. Dou um sorriso e aceno com a cabeça concordando. Eu sei o quão estressante é a vida da minha mãe e nunca levo em consideração o seu nervosismo. Ela é agente federal muito promissora e tem um instituto de apoio a mulher. Eu tenho muito orgulho da mulher incrível que minha mãe é. - me colocaram na frente de uma investigação que tem conexão com meu passado e seu pai ficou bravo comigo e eu estou uma pilha de nervos.- ela desandou a falar enquanto dirigia. Eu levantei a sobrancelha tentando entender melhor aquela situação. Eu sou uma grande fã da minha mãe e faço questão de saber todos os passos da carreira dela. - qual investigação?- eu a questionei sem entender a situação. Ela deu os ombros e manteve o seu olhar preso a estrada sem me dar muita atenção. - eu estou a frente de uma investigação de um traficante carioca que tem pequena ligação com um trabalho que fiz no passado, mas não é nada muito empolgante.- ela diz sem me dar muitos detalhes e sem se aprofundar no assunto. Eu resolvi me calar, quando ela não quer falar é melhor nem ficar insistindo. Minha mãe mudou de assunto logo depois e começamos a falar de coisas aleatórias até chegarmos em frente a casa do tio Talles. Mamãe buzinou três vezes e a Raquel apareceu na porta com a cara ainda mais amassada que a minha. - bom dia!- ela nos comprimentou entrando no carro. Minha mãe e olhou através do retrovisor e deu uma risadinha. - a noitada ontem foi boa em?!- ela diz arrancando o carro. Raquel se ajeitou no banco e deu um sorriso balançando a cabeça. - a senhora não sabe como tia.- Quel soltou tirando um olhar matador de mim e pela expressão em seu rosto ela notou a m***a que fez segundos depois depois soltar. Minha mãe balançou a cabeça ainda rindo, deu um t**a fraco no volante e me encarou levantando uma sobrancelha. - É Pilar, na minha época g***o de estudo tinha um significado bem diferente do seu.- ela diz com um sorriso irônico nos lábios. Virei pra frente naquele momento grudando meus olhos na estrada e cruzei os braços emburrando a cara. - se eu falasse que ia pro samba em pleno domingo a noite você não ia deixar de qualquer jeito.- digo resmungando. Ela soltou um suspiro e eu a encarei arrependida de ter mentindo. - Pilar você já é maior de idade responsável por seus atos, mas eu ainda sou sua mãe e sua melhor amiga e tenho direito de saber dos seus passos...você sabe que não precisa mentir pra mim e também sabe que eu coloco alguns limites porque eu me preocupo muito com vocês.- ela diz com calma me fazendo ver a situação de uma maneira diferente. Com outros olhos. Solto um suspiro e aceno com a cabeça concordando com seu ponto de vista. - me desculpa mãe.- eu pedi olhando em seus olhos. - tudo bem! Só não faça nada as escondidas de novo.- ela diz com calma. Aceno com a com a cabeça e segundos depois ela parou o carro em frente a minha faculdade. - tenha uma boa aula meninas, eu amo muito vocês!- minha mãe diz mudando de assunto. Eu peguei minha bolsa no chão do carro e deixei um beijo no rosto da minha mãe. - obrigada mãe, eu te amo!- eu despeço e desço do carro fechando a porta. - obrigada pela carona tia!- Quel diz saindo do carro e fechando a porta. Minha mãe acenou com a mão e arrancou o carro partindo dali. Naquele momento eu me virei para Raquel com v*****e de mata-la com minhas próprias mãos. - foi m*l!- ela diz desviando o olhar de mim e saiu a frente fugindo da discussão. Fui atrás dela me segurando pra não grudar em seus cabelos. - você sempre abre esse bocão enorme e entrega a gente.- digo irritada. Ela revirou os olhos e bufou sem me encarar. - eu já pedi desculpas! Você sabe que meu cérebro não funciona muito bem antes das dez da manhã.- ela diz tirando uma risada de mim. Ela segurou o meu braço e se virou pra mim com um sorriso de quem vai aprontar no rosto. Eu balancei a cabeça naquele momento tirando o meu corpo fora. - nem vem!- digo balançando a cabeça. - eu nem disse ainda.- ela diz revirando os olhos. Levanto uma sobrancelha esperando uma explicação, mas eu sei que o que vem a seguir não é nada bom. - eu conheci um carinha lá no samba ontem!- ela diz sem me contar nenhuma novidade. Cerro os olhos sem entender aonde ela queria checar. - eu sei muito bem disso! Você até me deixou com aquele amigo dele que tem um bafo horrível.- digo sentindo uma irrigação só de lembrar. Eu não sei o porque eu ainda aceito sair com a Raquel. Ela sempre fica com os caras mais lindos do rolê e eu fico de bucha com os amigos que sempre tem algum defeito irreparável ou fico de vela. Toda vez é a mesma coisa. - a questão é o seguinte, ele mora em uma comunidade bem tranquila e pacificada e nos convidou pra conhecer o baile funk.- ela diz com um sorriso enorme no rosto, mas a minha reação foi bem diferente. Eu parei de andar e a encarei sem acreditar em suas palavras. Ela sabe melhor que ninguém que nossos pais JAMAIS nos deixaria subir um morro pra ir em baile funk. - você já contou desse convite para os seus pais?- pergunto com um tom de sarcasmo e levanto uma sobrancelha. Ela revirou os olhos e desviou seu olhar de mim dando os ombros. - Pilar você sabe que eu sempre tive curiosidade de subir em um morro e conhecer um baile.- ela diz fazendo aquela expressão que ela sempre faz pra me convencer. Dou os ombros e volto a andar ainda sem acreditar naquilo. - Raquel imagina se um bandido sonhar que nos duas somos filhas de policiais federais? A gente saí de lá no caixão.- digo tentando colocar algo em sua cabeça. Ela pegou minha mão novamente e começou a andar ao meu lado. - mas quem em sã consciência vai gritar dentro de uma favela que é filha de policial? A gente sobe o morro no sapatinho e curte um baile funk na moral e depois volta pra casa sã e salvas.- ela diz me fazendo rir. A Raquel é muito maluquinha e minha mãe sempre diz que ela é a cópia fiel do pai do na juventude. Paro de frente pra ela e solto um suspiro olhando em seus olhos. - por que você a gente não vai naquele baile na barra da tijuca?- dou uma sugestão e ela faz uma careta. - Credo Pilar! O lugar cheio de play boy e patricinha nojenta do nariz em pé...eu não estou entendendo o motivo do seu chilique já que você vai começar a fazer estágio na favela escondido dos seus próprios pais.- ela joga na minha cara. Minha única reação ao ouvir suas palavras foi rir. A Raquel sabe como jogar sujo e me deixar nervosa. - Raquel existe um abismo enorme entre ajudar crianças carentes e rebolar a raba no baile funk.- digo em um tom sarcástico. Ela bufou cruzando os braços e desviou seu olhar de mim com muita raiva, mas também não disse nenhuma palavra. - tira essa ideia maluca da cabeça e tenta achar um rolê bacana que não nos coloque em nenhuma confusão ou dentro de um caixão.- digo com meus olhos sobre os seus. Ela fez uma careta e concordou com a cabeça dando os ombros. Eu sei que uma hora ou outra ela irá voltar com essa ideia, mas até lá eu tiro essa loucura da cabeça dela. - eu vou pra minha aula, a gente se vê depois?- pergunto olhando o relógio no meu pulso e ela acenou com a cabeça concordando. Eu segui para o meu andar e ela para o dela. Raquel é estudante de direito e quer ser advogada, cá pra nós eu tenho certeza que ela irá defender bandido quando se formar. Quando eu entrei na sala o professor já havia chegado e alguns alunos nos seus respectivos lugares. Eu segui para o meu lugar na primeira fila e já abri meu caderno revisando alguns resumos das últimas aulas. Viro o meu pulso olhando em meu relógio e vejo que já passa das dez. O horário passou voando hoje e m*l deu tempo de aproveitar as aulas e quando eu dei por mim metade dos alunos já tinham saído da sala. Eu terminei o meu resumo da última aula, juntei os meus materiais e me levantei despedindo da professora e saí da sala me encontrando com Raquel. - que demora!- Quel diz guardando seu celular na bolsa e se desencostando na parede. Arrumo a mochila em meu ombro e solto um suspiro cansado. - quer ir comigo conhecer a instituição lá na comunidade?- a questiono levantando uma sobrancelha. Ela saiu andando e eu fui atrás vendo a expressão nervosa que havia em seu rosto. Raquel ficou mais animada que eu quando eu fui chamada para estagiar na comunidade, na sua cabeça nos teríamos livre acesso na favela a qualquer momento. - eu bem que queria, mas minha mãe pediu minha ajuda lá na organização do escritório.- ela diz revirando os olhos. Essa com certeza é a marca registada da Raquel. Sorri de lado sem dar muita importância e dei os ombros sem me aprofundar no assunto. Se render com a Raquel ela fala até cair os dentes. - você bem que podia se enturmar com os caras lá da comunidade amiga.- Raquel comenta tirando uma risada de mim. A encaro de relance e cerro os olhos já entendendo bem aonde ela queria chegar. - Raquel eu não vou fazer amizade nenhuma com traficante.- digo sendo o mais direta possível. Raquel bufou cruzando os braços e balançou a cabeça com aquela expressão de indignação. - Credo Pilar! Você fala de uma maneira que faz parecer que os traficantes são as piores coisas do universo, mas você esquece que existem mil coisas que fazem esses caras caírem nessa situação.- ela desandou a falar. Eu parei de andar me virando pra ela e cruzo os braços levando uma sobrancelha. - eu não sou contra traficante nenhum, mas também sei que não existe bandido bonzinho e nem quero amizade com alguém faz atrocidades por nada.- digo olhando em seus olhos. Ela da uma risada irônica e cruza os braços me encarando com raiva nos olhos. - pra quem fala que quer tanto ajudar os desamparados o seu discurso diz muito o contrário.- ela soltou com raiva. Eu parei de falar e fechei os olhos contando até fez e soltei um suspiro tentando me acalmar. - Raquel a última coisa que eu quero no mundo é brigar por algo que não nos diz respeito.- digo mais calma. Ela desviou seu olhar de mim e soltou um suspiro acenando com a cabeça. - você está certa.- ela diz ainda acenando com a cabeça. Nós nos calamos depois disso e seguimos em silêncio até o portão de saída da faculdade. - como você vai fazer pra esconder esse estágio dos seus pais?- ela perguntou puxando em um certo momento. - eu vou deixar passar o tempo que experiência e depois vou tentar ter uma conversa com eles.- explico. Eu não queria esconder isso dos meus pais, mas eu sei que ambos são vidrados em segurança e JAMAIS permitiram que eu seguisse com a ideia de estagiar em uma instituição em um morro dominado por traficantes, então eu decidi começar escondido deles e contar quando eu me sentir confortável. - você acredita que eu vou andar de metrô pela primeira vez na vida.- digo ainda sem acreditar naquilo. Eu realmente estou ansiosa pra saber qual a sensação de usar transporte público. Eu não me considero uma patricinha nem nada referente a isso. Eu apenas fui criada em uma família com boas condições financeiras que me deram uma boa estrutura aonde eu não precisei passar por certas situações na vida. Meus pais me ensinaram todos os valores e sempre me disseram o quão importante é ter humildade e eu tenho certeza que isso dinheiro nenhum pode comprar. - Pilar tu é uma p**a de uma patricinha cara.- Quel diz fazendo uma careta. Reviro os olhos e cruzo os braços cerrando os olhos. Raquel se sente a revolucionaria por ter pensamentos divergente de certas pessoas, mas ela se esquece que assim como eu também é filhinha de papai. - eu não vou ficar aqui discutindo isso com você porque eu vou acabar perdendo a hora e a última coisa que eu quero é ficar presa até tarde na favela.- digo e só de pensar na possibilidade me causa pânico. Vai que a polícia invade o morro e eu levo uma bala perdida na cabeça. Eu me despedi da Raquel e nos seguimos caminhos diferentes. Ela foi almoçar com a mãe em um restaurante perto da faculdade e eu fui até a estação de metrô, comprei meus tíquetes e embarquei. Não demorou muito pra eu descer na estação mais próxima ao morro e lá um dos funcionários da estação me indicou qual ônibus eu deveria pegar e assim eu fiz. Pra minha sorte o ônibus estava vazio e o trajeto foi muito calmo e rápido. Quando eu dei por mim eu já estava desembarcando na entrada do morro. Eu desci alí sentindo um frio na barriga e um nervosismo e quando o ônibus se foi eu fiquei parada sem saber que reação tomar. As pessoas estão subindo e descendo e eu não sei ao menos em que direção eu devo ir. Suspirei tentando mantér a calma e comecei a andar em direção aquela enorme subida íngreme. Eu consegui passar pela entrada sem ninguém falar nada comigo e aquilo me tranquilizou de uma certa forma. Quando eu terminei de subir o morro eu não soube ao menos que direção tomar com tantos becos a minha frente, então eu decidi fazer algo quanto a isso. Ao meu lado direito há um barzinho aonde há mesas em frente e alguns senhores estão sentados nas mesmas jogando baralho e bebendo cerveja. - me desculpem incomodar, mas eu estou procurando um endereço e não sei ao menos que direção tomar.- digo dando um sorriso sem graça. Um senhor tirou o chapéu dando um sorriso largo e amigável e acenou com a cabeça se disponibilizando. - eu estou em busca do jnstituto Amélia Fonseca...o senhor sabe me dizer aonde é essa UMEI?- eu o questionei com toda minha calma. Ele acenou com a cabeça e se levantou vindo até mim. - olha moça, é só você seguir direto pela esquerda que você logo vai vê a creche.- ele explicou mostrando a direção com a mão. Eu agradeci com um sorriso no rosto e segui na direção que ele me indicou e assim como ele falou foi rápido e fácil pra chegar. Eu me apresentei na entrada mostrando o meu crachá e o porteiro logo liberou minha entrada. Eu fui recebida por uma outra estagiária que me explicou como tudo funcionava e eu passei a tarde inteira com ela me supervisionando e até foi muito tranquilo e ela foi muito calma e paciente. - você não é daqui, não é?- Nicole perguntou quando nós fomos nós trocar para irmos embora. Eu vesti minha camiseta guardando o meu uniforme dentro de uma sacola e balancei a cabeça negando. - da pra perceber pela sua cara que você é da zona sul.- ela diz com um sorriso no rosto. Nicole é estagiária há mais tempo na UMEI e me treinou durante o dia inteiro. Ela é muito simpática e reside no morro desde o seu nascimento e pelo que me descreveu a comunidade está muito tranquila. Nicole tem mais ou menos minha idade, seus cabelos crespos estão soltos, sua pele é escura e o seu corpo é magro e o seu rosto tem expressões calma e suave. - posso te fazer uma pergunta?- ela já perguntou e eu levantei uma sobrancelha esperando pela tal pergunta. Ela colocou sua mochila nas costas e me encarou cerrando os olhos. - por que você saiu lá da zona sul pra vir trabalhar sem remuneração no meio de uma favela podre igual a essa?- ela perguntou me encarando com afinco. Sorrio de lado e dou os ombros e pegando minha bolsa. - eu estou estudando pra servir qualquer tipo de criança, não importa se é filho de uma juíza ou de uma empregada doméstica.- dou uma resposta simples. Ela não disse mais nada referente aquele assunto e nos saímos da instituição juntas e quando chegamos na porta nos despedimos e cada uma foi para um lado. Ela subiu e eu desci com um pouquinho de receio pelas ruas estarem bem mais movimentadas do que quando eu subi. Mantive minha pose e minha calma e desci sem olhar para trás e muito menos para os lados. Enquanto eu andava eu ouvi alguns caras mexendo comigo e algumas meninas jogando piada, mas eu me mantive firme sem virar minha cabeça. Quando eu já estava chegando na saída do morro meu celular vibrou em minha bolsa chamando minha atenção. Eu parei de andar e abri minha bolsa pegando o mesmo e quando eu dei um passo a frente eu senti o meu corpo se chocando com algo. Naquele momento a única coisa que eu senti foi um líquido molhando o meu corpo e quando eu levantei a cabeça eu vi a m***a que eu havia feito. Eu derrubei um copo de cerveja em cima de uma garota. Parabéns Pilar! - Ô b****a, você é cega por acaso sua p*****a de m***a?- a menina a minha frente praticamente gritou me empurrando pra trás e jogando o copo de cerveja contra mim. Eu fiquei totalmente sem saber o que fazer. Eu realmente fui a culpada por não olhar o caminho, mas será que isso é mesmo necessário? - me desculpa, eu não vi você e acabei me atrapalhando.- eu pedi já um poço de nervosismo. Ela deu uma risadinha nervosa e se virou em minha direção e veio pra cima de mim com tudo e eu quase caguei de medo naquele momento. - eu sou transparente por acaso sua vagabunda.- ele gritou enquanto gesticulava na minha cara. Engoli seco e balancei a cabeça no mesmo momento negando antes que ela metesse a mão na minha cara e quebrasse os meus dentes. - eu já pedi desculpas!- digo tentando amenizar as coisas, mas parece que ela ficou ainda mais nervosa quando eu abri a boca. Ela me empurrou contra um muro e veio pra cima de mim e todas suas amigas vieram atrás. É agora que eu morro. - KAREN!- eu ouvi uma voz masculina que fez o meu corpo tremer e o meu medo aumentar mil vezes mais. Eu me encolhi contra aquele muro e me arrependi amargamente de ter subido nesse inferno. Os seus olhos se arregalaram naquele momento, o seu corpo tremeu e ela se afastou de mim com rapidez. - QUANTAS VEZES EU JÁ TE DISSE PRA NÃO ARRUMAR TRETA NESSA p***a CARALHO.- um homem surgiu na nossa frente tomando toda minha atenção e naquele momento eu esqueci que estava no meio de uma confusão e não consegui desviar os meus olhos dele. O homem tem a pele n***a, eu suponho que ele tenha mais ou menos um metro e noventa de altura, o seu corpo é grande, forte e torneado, ele tem diversas tatuagens espalhadas pelo seu corpo e a expressão fechada em seu rosto me causa um muito medo. Ele está trajado com uma roupa preta, tem um cigarro em suas mãos e eu consigo vê o volume do revólver em sua cintura. Ele parou de gritar com a garota a minha frente e me encarou fechando ainda mais o seu semblante e deu um passo a frente se aproximando de mim e a minha respiração falhou naquele momento e o meu coração foi a mil. Naquele momento surgiu a maior dúvida da minha vida. Eu não sei se eu senti medo ou atração por aquele brutamonte.

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