CAPÍTULO 15

541 Palavras
Hannah Pego um pano e faço pressão no corte. — O que você estava fazendo? Festa? — ele pergunta, com o olhar duro. — Não... — E esse tanto de copo? — ele insiste, me encarando. — Eu, eu só — respiro fundo e continuo — Eu só estava bebendo um pouco. Matteo arqueia uma sobrancelha, me observando com aquele olhar que me deixa sem ar. Então percebo que estou apenas de lingerie. Meu rosto queima de vergonha. Tento fechar o robe, mas minha mão lateja de dor. — Não precisa tentar se cobrir — ele diz, frio. — Por mais que você seja bonita, eu não me interesso por garotinhas. Ele se vira para sair, e o sangue ferve nas minhas veias. — Garotinha? É isso que você pensa que eu sou? — rebato, sentindo a voz tremer. — Melhor ser uma garota do que ser como essas com quem você vive se envolvendo por aí. Ele para. Se vira devagar e vem até mim com passos firmes. Fica tão perto que posso sentir o calor do seu corpo. — Olha o jeito que fala comigo, menina. — Eu tenho nome! — rebato, sem conseguir conter o impulso. — E não sou menina nem garotinha. Por que está tão irritado, Matteo? A verdade dói, não é? Seus olhos escurecem. — Acho que você devia me respeitar. Não sabe com quem está mexendo. Está brincando com fogo, Hannah. — Te respeitar? — sorrio de canto. — Você nem a si mesmo se dá o respeito. Por dentro, estou em guerra comigo mesma. O álcool fala mais alto. Meu coração dispara. Ele se aproxima tanto que sinto o cheiro de uísque e menta misturados à respiração quente. — Ainda bem que não sou seu pai — ele murmura. — Você está precisando aprender algumas boas maneiras. — Ah, é? — sussurro. — E quem vai me ensinar? Você? Antes que eu termine a frase, Matteo me puxa pela cintura e sua boca toma a minha. O beijo é intenso, urgente, cheio de algo que reprimimos por tempo demais. Minhas pernas tremem, meu corpo se rende. O toque dele é firme, mas ao mesmo tempo há uma ternura escondida entre a raiva e o desejo. A cozinha parece desaparecer resta só o som da respiração acelerada e o gosto agridoce do momento. Quando ele se afasta, fico sem fôlego, tentando entender o que acabou de acontecer. Matteo apenas me lança um último olhar e sai, deixando o silêncio tomar conta do cômodo. Subo para o quarto ainda atordoada. No banheiro, cuido do corte na mão, tentando me acalmar. Tomo um banho rápido e visto algo leve. Caminho até o quarto dele. Bato na porta nenhuma resposta. Abro devagar. O quarto está vazio, mas ouço o som do chuveiro vindo do closet. A porta do banheiro está entreaberta. Olho sem querer, e o vejo ali, vulnerável, perdido em seus próprios pensamentos e, por um instante, percebo que ele sussurra meu nome. Meu coração dispara. Parte de mim se alegra, outra parte se entristece. Eu estava pronta para me entregar a ele de verdade, mas Matteo ainda carrega muros demais dentro de si. Suspiro. Fecho a porta com cuidado e volto para o meu quarto.
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