CAPÍTULO 22

746 Palavras
Hannah Acordo, olho ao redor e estou sozinha. As memórias da noite passada vêm à minha mente. Mesmo que Matteo sempre seja grosseiro e frio comigo, dessa vez ele foi cuidadoso. Levanto-me e vou ao banheiro fazer minha higiene pessoal. Estou um pouco dolorida deve ser normal. Eu nunca conversei com ninguém sobre essas coisas de sexo ou outras intimidades, nem mesmo com a minha mãe. Tenho muita vergonha sobre esse assunto. Tento me informar sozinha pela internet, mas fico em dúvida, porque cada pessoa tem uma opinião diferente. Como hoje é domingo e ninguém trabalha aqui, e Matteo nunca está em casa mesmo, vou usar um baby doll. Mas antes de descer, troco o forro da cama que está com algumas manchas de sangue. Termino e desço as escadas, indo direto para a cozinha. Matteo não está na sala e também não está na cozinha. Olho no relógio e já são nove horas da manhã. Faço café sou louca por café. Pego um pedaço de bolo de fubá e uma xícara de café, e vou para a sala. Vou passar o dia todo vendo TV. Ligo e procuro algum filme para assistir. Depois de um tempo, levanto-me e vou para a cozinha guardar minha xícara e o pires. “Será que pausei o filme?”, me pergunto mentalmente, indo para a cozinha. Olho para trás para tentar ver a TV, mas é em vão. Esbarro em alguma coisa e caio sentada. Olho para cima e Matteo está me olhando. — Me perdoe, me perdoe... eu não... não tinha te visto — digo, levantando do chão com o celular dele na mão e o entregando. Ele pega o celular e sai. Como já era de se esperar, quebro o pires e a xícara. Vou à despensa e pego a vassoura e a pá. — Tenho que parar de quebrar as coisas, senão, quando eu for embora, não vai ter mais nenhuma louça — digo, suspirando fundo. — Também acho — Matteo fala, passando por mim e indo para a cozinha. Termino de limpar minha bagunça, guardo as coisas na despensa novamente e volto para a cozinha. Matteo está com um copo de suco na mão. Vou até a cafeteira que está sobre a pia, abro o armário acima e pego uma xícara. — Você está bem? — Estou sim, não me machuquei dessa vez — digo, despejando café na xícara de costas para ele. Estou falando de ontem à noite. — Bom eu estou bem — digo ainda de costas para ele, sem coragem de encará-lo. — Tem certeza? — ele fala atrás de mim, perto do meu ouvido, com aquela voz grossa que me faz arrepiar no mesmo instante. — Eu... bom... eu... — Você? — ele pergunta ainda atrás de mim. — Não vai me dizer que estava bêbada ontem e não lembra? — Eu não estava bêbada e me lembro de ontem à noite. — Será que se lembra mesmo? — Sim, me lembro muito bem. — Eu não me lembro. Viro-me no mesmo instante para olhá-lo. — Você não se lembra? Uma decepção me invade e meu coração acelera. — Mais ou menos. Aquelas palavras foram como um balde de água fria em mim. Ele está me encarando. Eu apenas o olho, incrédula. Não deve ter significado nada pra ele ontem à noite. Se brincar, estava até bêbado. Não respondo nada. Dou um leve sorriso forçado, viro-me e coloco a xícara na pia novamente, sem nem ter tocado no café. Saio dali indo para a sala, sento-me no sofá e percebo que não pausei o filme. Fico olhando para a televisão e nem percebo o que está passando. Como assim ele “lembra mais ou menos”? Pra mim foi tão importante, nunca irei esquecer. Jamais. Eu sou muito burra, burra, burra! Por que escolhi que fosse com ele? Eu o amo, mas estou pagando caro por esse amor. Ele me despreza, me trai — mesmo que seja um casamento de mentira, ainda existe o respeito. Que raiva de mim, que ódio! Mas agora não adianta mais. Não tem como voltar no tempo. — A Carina já chegou? — ele pergunta, tirando-me dos meus pensamentos. Ele fala da porta da cozinha. — Ela não vem aos domingos mais — m*l termino de responder, e ele entra na cozinha novamente. Levanto-me e vou até ele. — Você está precisando de alguma coisa? — Por que ela não vem aos domingos mais?
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