Hannah
Hoje já faz 15 dias que Matteo não fala comigo e nem fica em casa.
Ouço duas batidas na porta.
Vou até ela, abro e encontro Matteo parado na entrada do meu quarto.
— Se arruma, vamos sair. Você tem 30 minutos — ele diz e sai.
Fecho a porta e vou tomar um banho rápido de chuveiro.
Banho tomado, começo a me arrumar.
Deixo o cabelo solto, nem passo maquiagem, apenas um hidratante, batom nude e coloco cílios postiços.
Pronto.
Agora a roupa é a parte mais difícil de decidir.
Escolhi um macacão preto e branco, longo e justo.
Pego minha bolsa e vou para a sala esperar o senhor bipolar.
Assim que me sento no sofá, Matteo sai do escritório.
— Vamos?
Assinto com a cabeça, me levantando e seguindo-o.
Matteo entra pelo lado do motorista e eu me sento no passageiro.
Coloco o cinto e ele começa a dirigir, ligando o som baixinho.
Vamos ouvindo música pelo caminho.
Ele para em frente a um restaurante aconchegante.
Nos sentamos um pouco afastados.
Matteo escolheu o vinho e o que iríamos jantar.
O garçom anota os pedidos e sai.
— Você gosta muito de roupas mais longas!
— Sim, me sinto confortável e serve para qualquer ocasião.
Ele me olha e bebe um gole de vinho.
Observo que o restaurante ao redor é bem discreto.
Não demora muito e nosso jantar chega.
Jantamos em silêncio, tomando vinho.
Terminamos, ele paga a conta e vamos para o carro.
Entramos e ele liga o som bem baixinho.
— Quero conversar com você. Não sei ficar de enrolação, então vou direto ao assunto.
Volto toda a minha atenção para ele e o observo atentamente.
Ele me olha e volta a atenção para a rua.
— Pode dizer.
— Mas você não acha melhor conversarmos em casa?
— Você quem sabe.
Não demora muito e chegamos em casa.
Ele estaciona o carro e descemos.
Ele entra em casa primeiro e vai direto para o escritório; eu vou logo atrás.
Ele pega um copo com uísque e se senta na cadeira.
Eu o observo atentamente.
— Eu quero que você desista dessa palhaçada que a gente vive em estar casado.
— Por quê? — olho sem entender.
— Você é uma garota
— Eu não sou garota
— Certo. Você é uma mulher de respeito, de caráter e nova.
— Sim, obrigada. E daí?
Começo a ficar nervosa.
— Merece alguém que te ama, que te respeita, te dê valor, e eu não sou assim.
Você está perdendo a vida com farra e sexo nessa palhaçada toda aqui.
— Estou bem assim.
— Você pode achar alguém que te ame de verdade.
Já que você acredita nessas coisas, eu nunca vou poder te dar nada daquilo em que acredita que exista.
Ele anda pelo escritório.
— E quer saber? Você pode até dizer que ainda é virgem, porque, além de gostosa, ainda está bem apertadinha.
Meu rosto fica completamente vermelho.
Ele se senta meio de lado na mesa do escritório, me olhando seriamente.
Olho para o chão e não digo uma palavra.
Enfim, crio coragem e o encaro, mesmo com vergonha.
— Gostaria que você me respeitasse, não o porque de mentir. E eu não estou te pedindo nada. Estou aqui apenas para ajudar.
— Mas você está atrapalhando.
— Por Deus, o que estou atrapalhando, você, Matteo? — digo, me levantando.
— Sabe quantas transas eu já perdi por sua causa?
— Muitas.
— Há, esse é o problema — digo, andando pelo escritório.
— Você acha pouco?
— Acho.
— Mas eu não acho. Quantas mulheres gostosas não transaram comigo por eu ser casado?
— E eu? Eu não sirvo? — digo, já que estou aqui para ajudá-lo, quero poder ajudar em tudo que você precisar.
Ele me olha como se não acreditasse que eu acabei de dizer aquilo.
Onde estava com a cabeça para falar uma coisa dessas?
O silêncio toma conta do escritório.
— Você tem certeza do que está dizendo?
— Bom… eu… eu… não.
— Mas o que importa é que você não fique m*l falada, sendo notícia todo dia na empresa, e por aí qualquer uma pega você.
Ele me olha com cara de desentendido.
— O que você ganha com isso?
— Eu já te expliquei, Matteo. Por favor.
Me encosto na mesa ao seu lado e respiro fundo, tentando acreditar no que acabei de dizer.
— Que você está ajudando seu pai com a tão sonhada empresa dele.
— Mas para mim tem alguma coisa a mais.
— E o que eu poderia querer além disso? Você não me conhece mesmo.
— Eu não sei o que ainda, mas vou descobrir.
— E não prometo que serei fiel. Não espere que isso vá mudar e se torne um casamento de verdade.
— E eu exijo fidelidade de você se sirvo assim para você.