Bônus
Teodoro Miller
Acabo de sair da empresa e vou direto para casa.
Preciso conversar com Carla sobre o nosso filho, para resolver mais uma vez o problema que Matteo me arrumou e, dessa vez, mais sério ainda.
Passo a mão pelo cabelo enquanto dirijo, querendo chegar em casa o quanto antes.
Desço do carro com a minha pasta em mãos e vou direto para a sala.
Quando entro, vejo Carla sentada no sofá com um livro em mãos e uma xícara na mesinha de centro.
Tenho que admitir que o tempo faz bem a ela, cada vez mais.
Afasto esses pensamentos e a chamo.
— Carla?
— Oi, Teodoro. Chegou cedo do trabalho hoje. Aconteceu alguma coisa?
— Sim, aconteceu. E precisamos conversar.
— É muito sério, Teodoro?
— Vamos conversar lá no escritório, é melhor.
Saímos da sala e fomos para o escritório.
Vou direto ao mini-bar, me sirvo um copo de uísque, dou a volta na mesa e me sento na cadeira de frente para Carla, que me olha atentamente.
Afrouxo o nó da gravata e começo a falar.
— Carla, é o Matteo.
— O que ele fez desta vez, Teodoro? — ela pergunta, me olhando apreensiva.
— Alguns dos sócios vieram falar comigo sobre o Matteo. Já estou afastado da empresa e, daqui a alguns meses, irei me afastar definitivamente.
Mas os sócios acham que Matteo não está à altura para representar a nossa parte — a nossa família.
— E por que não? Você o ensinou para isso — diz ela, arqueando uma sobrancelha.
— Sim, Carla. Mas Matteo está chegando atrasado na empresa, de ressaca quase todos os dias.
Tem sempre uma mulher diferente o procurando lá.
Não participa das reuniões.
Estamos perdendo cada vez mais investidores.
Carla se levanta e senta no sofá do escritório, com as mãos no rosto.
— Teodoro, eu não sei o que fazer com Matteo.
Ele se tornou outra pessoa desde quando aconteceu aquilo tudo com ele e Isabel.
— Ele se tornou frio, arrogante, imaturo se afastou de todo mundo, vive em um mundo só dele, e agora ficou um irresponsável — diz ela, olhando para mim com os olhos marejados e uma expressão de decepção no rosto.
Continuo olhando e bebo mais um gole do meu uísque.
— Os sócios estão me pressionando — digo, soltando um suspiro longo.
— Como assim? Eles vão desfazer a sociedade?
— Sim, se eu não decidir uma das propostas feitas por eles.
— E quais são essas propostas?
— Matteo deve tomar jeito e casar com uma pessoa de respeito, de família honesta, para ser um sócio de postura familiar.
Ou tenho que achar alguém para assumir o posto de Matteo.
Carla me olha apreensiva.
— Mas são opções quase impossíveis, Teodoro!
Como vamos arrumar alguém que queira casar com Matteo ainda mais tão rápido assim e pior, ele querer?
E quem pode substituir Matteo?
Ele está naquele cargo há anos, sabe de tudo naquela empresa.
Isso tudo é uma loucura!
— É uma loucura, sim, Carla.
Mas temos que resolver isso de um jeito ou de outro.
Daí, vamos ver qual é a melhor opção.