Hannah
Desço e cumprimentei algumas pessoas que já haviam chegado.
Vejo os meus, vamos dizer “sogros” e os cumprimentos.
Matteo, como sempre, nunca está por perto, então continuo ali mesmo, conversando com os meus sogros.
Logo, mamãe e papai chegam e se juntam a nós.
Conversamos por mais algum tempo e eu vou cumprimentar mais algumas pessoas que chegaram.
Não conheço quase ninguém; os que conheço já os vi em algumas reuniões com papai em sua casa.
Com certeza há mais de dez pessoas.
Fico preocupada e vou falar com Carina.
— Carina?
— Pois não, Hannah? O que posso ajudar a senhorita?
— Lhe disse que o jantar era para umas dez pessoas, mas há bem mais que isso. Eu perguntei ao Matteo será que ele errou a conta?
— Hannah, a senhorita não precisa se preocupar.
Conheço os jantares que o senhor Matteo dá aos seus sócios, e sempre são bem mais de dez.
Dez são apenas os sócios da empresa, mas sempre vêm mais dez ou vinte pessoas a mais , possíveis novos sócios.
Está tudo bem, a senhorita não precisa se culpar.
O senhor Matteo é de poucas palavras.
— Obrigada, Carina — digo, suspirando e me sentando à mesa da cozinha, sentindo-me um peixe fora d’água.
Se Carina não soubesse como são os jantares de Matteo e eu agradeço a Deus por isso eu estaria perdida, passaria a maior vergonha.
Eu não sirvo pra essa vida.
Por mais que eu ame o Matteo, ele não está facilitando as coisas está cada vez mais difícil.
— A senhorita está bem?
— Estou sim, Carina — digo, forçando um sorriso.
— A senhorita logo, logo se acostuma. E o que precisar, eu ajudarei sem problema algum.
— Obrigada, Carina. Ouvir isso é um alívio… tomará mesmo.
— Bom, deixa eu voltar, né? — digo, abraçando-a rapidamente antes de sair da cozinha.
Volto para a sala. Deve haver umas vinte pessoas alguns acompanhados, outras sozinhas.
A maioria conversa em pequenos grupos de quatro ou cinco.
Passo e cumprimento novamente algumas pessoas, vendo se está tudo bem.
Mamãe e dona Carla conversam sentadas no sofá.
Papai e o senhor Teodoro estão conversando com dois homens.
Onde Matteo se meteu?
Estou voltando para a cozinha para pedir à Carina que o procure das últimas vezes que tentei achá-lo, não foi muito agradável.
Então, sinto alguém segurar meu braço.
— Boa noite, senhorita.
— Boa noite.
— Acho que não a conheço. É sócia da empresa do Matteo?
— Meu pai é. O Lorenzo.
— Não sabia que Lorenzo tinha uma filha tão linda e encantadora assim.
— Obrigada — digo envergonhada, sentindo meu rosto corar.
— Me desculpe, não me apresentei. Lucas, prazer. — Ele estende a mão.
— Hannah.
— Pego em sua mão, cumprimentando-o. — Se me dá licença,
Ele sorri, e eu vou até a cozinha. Pego um copo com água e bebo. Carina está numa correria só, coitada.
— Carina, sabe onde Matteo está?
— Ele estava no escritório. A senhorita quer que eu o chame?
— Sim, por favor.
— O que a senhorita está fazendo? Eu termino pra você.
— Imagina, eu termino quando voltar.
— Não, senhora. Eu vou te ajudar.
— Estou terminando de arrumar a salada. É rápido, eu termino quando voltar.
— Não, não. Eu termino, e você chama o Matteo pra mim, por favor.
Então, Carina saiu da cozinha à procura de Matteo, e eu continuei terminando a salada.
— Além de bonita, é prendada. Muitas qualidades a senhorita tem.
Viro-me e vejo Lucas perto do balcão, com um copo de uísque nas mãos.
— Obrigada.
— Sei que não se deve perguntar isso a uma mulher, mas estou curioso quantos anos você tem?
— Eu tenho dezessete anos.
— Não parece. E o que está fazendo aqui? Veio acompanhar seu pai?
— Não, ela é minha nora — diz dona Carla, entrando na cozinha com minha mãe.
Ele a olha como se não acreditasse no que acabara de ouvir.
— Não sabia que Matteo tinha se casado novamente. Achei que ele não se casaria mais depois da ex-esposa — diz ele, tomando um gole da bebida.
— Se me dão licença, senhoritas.
Ele sai da cozinha, e dona Carla está com uma expressão séria.
— Dona Carla, se a senhora me permitir — hesito um pouco.
— Eu me lembro de Matteo ter sido casado. O que aconteceu?
— Hannah, meu anjo, na hora certa eu contarei. Mas não agora — diz ela com um leve sorriso.
Apenas assinto com a cabeça. Nesse momento, Carina entra na cozinha.
— Hannah, o senhor Matteo estava em reunião no escritório.
— Obrigada, Carina.
— Hannah, nos acompanhe com uma taça de vinho — pede mamãe.
— Claro, mamãe.
Pego uma taça e me sirvo com vinho.
— Poderia servir o jantar daqui a uns vinte minutos, Carina — diz Matteo da porta da cozinha.
Como sempre, está impecável em seu terno azul-escuro.
— Vamos? — pergunta dona Carla.
Mamãe olha para mim e sorri. Eu apenas as sigo. Matteo nos dá passagem, mas não diz nada.