Prólogo

1020 Palavras
Povs Megan Nova York- HOSPITAL 🏥 (Emergência) Trabalhar na emergência é um caos. Cada plantão é tão exaustivo, tem dia que nem consigo voltar para casa, acabo dormindo no meu consultório. Meus residentes só causam problemas, eu até tento passar a mão na cabeça, mas o meu superior é muito carrasco. — O que significa isso, doutora Megan? Sou cutucada e bufo baixinho, revirando os olhos sem veja. Respiro fundo, antes de me virar e dá de cara com o meu chefe: — Bom dia para você também, dr. Dylan. Como está sendo seu dia? — Não fuja de uma resposta. Seu tom insistente, me confronta. Ele estende a prancheta. — Seu cabelo está ótimo. – elogio, enquanto mexo no seu topete, fazendo-o levantar uma sobrancelha para cima. —Está me paquerando? Seu olhar incerto, focaliza bem no meu rosto. Toda vez que ele me olha dessa maneira, me lembra uma pessoa... — Não, eu sou comprometida. Mostro a aliança em meu dedo esquerdo, soltando uma risada. Viro, e nós dois vamos andando, caminhando pelos corredores. — Dizem que você é viúva. É verdade? — A fofoca rola solta no hospital. E se eu for, não é da conta de ninguém. Paro de andar, ficando na frente do próprio. O sorriso irônico continua nos meus lábios, pois eu sei uma forma de tirá-lo do sério. — Tem razão, doutora... — ele se aproxima para perto do meu rosto. Ficamos cara a cara. — Não é da conta de ninguém, mas você pode ser responsabilizada por isso. Novamente o meu chefe estica a prancheta e reviro os olhos, preparada para ouvir o sermão. — Eu só dei alta a uma paciente. O que há de errado nisso? Mudo o meu tom, para mais cauteloso. Enquanto sou repreendida, através do contato visual. — A paciente tem câncer terminal, dra. Megan. Sabe o que significa? — Como você disse: "câncer terminal." Repito a frase, debochando, fazendo aspas com os dedos. — Não pode dar alta a uma paciente, que não está pronta para voltar para casa. — Quer que ela volte para casa dentro de um caixão?— rebato, deixando-o irritado e nervoso. — Não seja insensível. — Já perdi muita coisa nessa vida, dr. Dylan— lhe olho no fundo dos olhos— Se tem uma coisa que eu não sou, é insensível. — Mas parece. Seus olhos permanecem me desafiando. Ignoro o tom de julgamento. — É porque você não me conhece.— passo adiante — Só dei a chance da paciente se despedir da família. — Você não é a salvadora da pátria, não aja como se fosse. Aqui é um hospital, e não uma igreja. — Acho que você está precisando ir a igreja, está muito amargo. Tiro sarro, assim que o vejo me dando às costas. Dou um grito, ao vê-lo virando no final do corredor: — Eu sou cristã, sabia? Respeite mais a fé dos outros. Ele me ignora totalmente. Passo a mão no rosto, eu sou muito i****a. Paro uma das minhas residentes, que vem passando na hora. — Alice. – Sim, doutora, está precisando de algo? — Me conte mais do Dr. Dylan Ortez. — Já ouvi falar muitas coisas sobre ele. — Ah é? A médica recém-formada começa andar comigo pelos corredores, fofocando. Preciso encontrar pelo menos o ponto fraco desse homem, para ele me deixar em paz. — Falam por aí, dra. Megan, que ele é muito sozinho. Ninguém gosta dele. — Também né, com a arrogância que ele possui. Fora a soberba, o quão insuportável é. Até a voz dele me irrita. Enquanto reclamo, a minha residente tenta me avisar que o médico está atrás de mim, ouvindo tudo. Deixo a prancheta cair das minhas mãos pelo que susto levo, no exato momento que ele cutuca o meu ombro. – Eu sou tudo isso que você pensa, dra. Megan? Me ajoelho para pegar, e ele faz o mesmo. Nossas mãos se esbarram e puxo rapidamente o papel, escondendo. — N-nao, doutor, imagine.— tento disfarçar, mas acabo ficando contra a parede. — Devolva o prontuário da paciência de câncer terminal que você roubou. — Não sei do que você está falando. — Anda, dra. Megan, ou então terei que notificar o conselho de medicina. Não é uma postura nada ética, esconder a identidade da paciente. Meu chefe exige, com a mão estendida, enquanto me ameaça. Até penso em rasgar o papel com os dados da paciente, mas acabo o entregando. Quando ele circula atenção pro papel, sua feição muda. — É a minha sogra que está morrendo. O olhar do Dr. Dylan parece tão vago, com a revelação. Ele sai andando, sem rumo e sem direção. — Ela é alguma parente dele, dra Megan? — Não que eu saiba, Alice. Dou de ombros, ficando intrigada com a reação do chefe cirurgião. É a primeira vez que ele demonstra sentir empatia por alguém. — Sabia que esse homem lembra ao pai dos meus filhos, na aparência. Se Ryan tivesse um irmão gêmeo, com certeza eu colocaria Dr. Dylan. Brinco com a situação, apesar de sentir muita falta do meu grande amor. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ Pov's Ryan/ Dylan. A minha mãe está morrendo. Como pode ser possível? Dou um soco na parede, revoltado. A vida já me arrancou Megan e nossos filhos de mim, agora minha mãe está morrendo e não posso fazer nada. Maldito foi o dia que concordei em mudar de rosto e de identidade. Agora tenho que fingir para minha esposa que sou outra pessoa, e ainda ter que conviver com ela, a tratando como uma desconhecida Resolvo ligar para minha secretária. " Mande buscar a paciente que a Dra. Megan liberou, sem minha autorização. Notique também o conselho do hospital sobre o ocorrido. E avise também a Dra. Megan que estou a dando uma advertência, por três dias, para que seu ato não se repita ". *************************************************
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